Salvador, 12 de abril de 2011.
O painel Infraestrutura, segundo do Seminário Acompanhamento das Ações para a realizações da Copa 2014, teve início com a apresentação do projeto da Arena da Fonte Nova. Representando o Consórcio de executores da obra (Odebrecht/OAS), Alexandre Dias Porto Chianegatto focou predominantemente a descrição e as principais características técnicas do projeto.
Aspectos relativos ao cronograma físico-financeiro não foram abordados. A dificuldade do acesso a essas informações e consequentemente de um diagnóstico preciso do cumprimento de prazos também foi destacada no relatório da FPI realizada pelo Crea e outros sete órgãos, no dia 05 de abril.
Chianegatto descreveu o projeto e enumerou os espaços que compõem a Nova Arena (museu, estacionamento para dois mil veículos, salão de negócios e convenções). Informou a capacidade da Nova Arena (50 mil pessoas, três anéis e 10 níveis, sem pista de atletismo). Segundo ele apenas 15% da obra, atualmente em fase de fundação, foi executada. A opção pela estrutura de pré-moldados, prevista para ser iniciada em maio permite maior celeridade na execução dos trabalhos.
Complementando a apresentação um dos arquitetos da obra, o alemão Claas Schulitz, mostrou técnicas empregadas em outros países e, com um português pouco claro, afirmou que no caso específico da Arena será seguido o modelo dos demais estádios brasileiros. “Será em formato de ferradura, que é uma característica desse país, diferente do que acontece, por exemplo, na Alemanha”, frisa.
Na sequência, Alexandre Chianegatto destacou as ações sociais do consórcio, citando a capacitação dos moradores do entorno, projeto de inserção digital e formação em empreendedorismo.
Mobilidade urbana – Representando a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Graça Torreão falou da criação, nessa gestão, de um órgão específico para cuidar da mobilidade sustentável e sobre a escolha de um sistema integrado metropolitano, com a perspectiva de captação de recursos do PAC. “Projetos prioritários foram selecionados, concentrando-se mais na cidade de Salvador, que possui o maior fluxo de transportes”.
Destacou os principais projetos: corredor estrutural – Aeroporto/Acesso Norte, contemplando a questão do transporte público; a microacessibilidade (pedestres e ciclistas) e as rotas acessíveis (evitar prejuízos ao fluxo normal da região em dias de eventos na região da Arena). Nenhuma das três obras foi executada até o momento.
A única ação concreta relacionada ao tema foi à criação de um plano de manifestação de interesses em que as empresas apresentam projetos que contemplem soluções para a mobilidade urbana.
A não execução das obras no Porto e os prazos foram abordados pelo arquiteto Jorge Nogueira, da Codeba, que também situou as indefinições em torno dos projetos, pois existe um impasse junto ao Governo do Estado na escolha da intervenção mais adequada.
Aprendizado institucional – Para o chefe de gabinete da Secretaria de Trabalho e Esportes do Governo do Estado, Elias Dourado, o que há de mais importante com a realização de eventos como a Copa é o aprendizado institucional entre as estruturas públicas, que passam a se relacionar com as atividades empresarias. Lembrou da dificuldade do governo em decidir pela opção da Fonte Nova (devido ao acidente ocorrido em 2007 com o saldo negativo de sete mortes e dezenas de feridos), gerando reflexão em torno dos erros da construção e da utilização do equipamento público.
Ele acredita na conclusão dos trabalhos da Arena em 2013 para a Copa das Confederações. “Somos pioneiros na construção de um estádio moderno e preparado”, acrescenta, não descartando a inserção de Salvador também na Copa América e Olimpíadas de 2016. Dourado informou que o Governo do Estado está também investindo na preparação da cidade para abrigar espaços para outras competições esportivas como o Ginásio de Esportes em Pituaçu e o Centro Internacional de Judô e Artes Marciais, em Lauro de Freitas. Os empreendimentos serão construídos em parceria com o Ministério dos Esportes e terão investimento orçado em R$ 20 milhões.
Discussão técnica - Para o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, o sentimento é de preocupação. “Não houve discussão técnica, com apresentação de projetos, etapas, cronogramas e ações que já estão sendo desenvolvidas. Houve uma apresentação de intenções somente. E não vemos isso como suficiente. O que podemos perceber até aqui é que o cronograma pode estar atrasado, isso comparando com o que vimos nas outras cidades – Brasília e Belo Horizonte – onde já realizamos as audiências. Isso nos preocupa”, afirmou.
O presidente do Crea-BA, Jonas Dantas, reiterou as colocações de Melo ao destacar que as discussões mais aprofundadas sobre infraestrutura não aconteceram. “A execução dos projetos está aquém do tempo estabelecido, mas isso não significa que Salvador esteja inviabilizado como sede. É preciso correr contra o tempo e ser mais transparente”, afirmou.
Nadja Pacheco com a colaboração de Ondine Bezerra.
Foto: João Alvarez
