A Copa de 2014 e o turismo como geração de riqueza

Natal, 3 de maioCerca de 350 pessoas assistiram ao primeiro painel da audiência pública "Confea/Crea em Campo" que ocorre em Natal (RN), nesta terça-feira, 3/5. Mediado pelo jornalista Geider Henrique, os debates do primeiro e segundo painéis, que foram aglutinados no período da manhã, abordaram infraestrutura, mobilidade urbana, aeroportos e estádio.A primeira palestra foi ministrada pelo vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), Arnaldo Gaspar Júnior. Logo no início da apresentação, Arnaldo, que é engenheiro civil, manifestou sua contrariedade à opinião da maioria da população de Natal, que é contra a realização da Copa na capital potiguar. "Minha palestra vai tentar dar ferramentas para que a gente ganhe uma guerra que está longe de estar encerrada: a guerra da opinião pública; pessoas que acham que jogos da Copa não deveriam acontecer em Natal", disse. "Uma sociedade que se preparou para receber o turista, que elegeu o turismo como via prioritária, agora questiona sobre a construção de novos hotéis na via costeira?", lamentou. Arnaldo iniciou sua reflexão com uma pergunta para a plateia: "Qual é o maior desafio de um prefeito ou de um governador?", ao que ele respondeu: "geração de riqueza". "Hoje, nas redes sociais, o que mais há são pessoas se manifestando sobre segurança, saúde e gestão dos recursos. Essas não são as funções mais importantes, mais nobre de um gestor público. Mas, sim, criar riqueza e, claro, aplicá-las bem". Arnaldo argumentou que quando uma nação é rica, o resto é consequência. "Países ricos têm menos violência, menos analfabetos, mais saúde, respeitam mais o meio ambiente, etc.".O vice-presidente do Sinduscon-RN argumentou que riqueza se cria com fábricas, agricultura, pecuária, criação intelectual ou com serviços. "Na hora que serviço gera riqueza, deve-se falar em turismo. Turismo cria riqueza". É o caso do Rio Grande do Norte, cujo PIB é composto de 61,59% de prestação de serviços, de acordo com dados do IBGE. Por isso, para ele, a Copa de 2014 é uma oportunidade de criar riqueza, por meio de divulgação da região e de obras de infraestrutura. "A Copa é muito mais do que um estádio", afirmou.Para ele, a Copa de 2014 é uma oportunidade de se gerar riquezas. "Queremos ser receptores desses investimentos ou financiadores desses mesmos investimentos em outras cidades?", questionou. "Se não fizermos a Copa aqui, não vão fazer obras de drenagem no antigo Machadão [estádio de Natal que será demolido para ser construído o novo Arena das Dunas]. Vão fazer obras de drenagem no Morumbi, no Maracanã". De acordo com a palestra, é depois da geração de riquezas que será aumentado o número de leitos em hospitais, o número de escolas, etc.Na ocasião, Arnaldo criticou os gastos com publicidade dos governos estadual e municipal. "É com essa questão que as redes sociais deveriam estar preocupadas. Em vez de publicidade, o governo tinha que gastar dinheiro em projetos executivos e futuro". De acordo com dados do Sinduscon, 4,6% da receita da Prefeitura do Natal de 2011 é destinado à publicidade. "Em uma cidade turística como Natal, desses gastos com publicidade, 75% deveria ser utilizado para promover a cidade e o estado e 25% deveria ser usado para promoção pessoal. Mas não é isso que acontece, como sabemos", afirmou. "Publicidade deveria ser utilizada para divulgar os benefícios da Copa". Os benefícios da CopaPara ele, um dos maiores benefícios "de valor imensurável" da Copa é a divulgação do destino Natal na pauta do turismo internacional. Outros benefícios citados por Arnaldo foram capacitação de mão-de-obra; educação e cultura; modernização da rede hoteleira e construção de novos hotéis, que cria empregos.O benefício mais destacado pelo vice-presidente do Sinduscon-RN foi a melhoria da mobilidade urbana. "A mobilidade urbana não é pensada para atender classe média. É para atender as classes menos favorecidas. A prioridade da mobilidade urbana não deve ser diminuir o trânsito. Pode tentar, mas ela deve ser feita focada nos transportes para a classe desprivilegiada", opinou.De acordo com a apresentação, ao todo os investimentos da Copa somarão R$ 1,724 bilhões no Rio Grande do Norte. A construção de um novo aeroporto - o São Gonçalo - é o que receberá maior investimento (R$ 600 milhões). A construção do estádio Arena das Dunas e obras de mobilidade empatam no segundo lugar dos investimentos: serão destinados R$ 400 milhões para cada setor. Outros segmentos que receberão investimentos são o terminal de passageiros do Porto, obras de drenagem, entre outros.Beatriz LealAssessoria de Comunicação do Confea