"As pessoas que visitarem a cidade é que vão projetar o que a Copa do Mundo realmente vai significar para São Paulo", afirmou a coordenadora da Secretaria Executiva do Comitê Paulista para a Copa 2014 da Secretaria Estadual do Turismo, Raquel Verdenacci. "É nisso que a Copa do Mundo gerará lucros para a cidade", completou.
O debate ocorreu durante o painel "Legado físico, institucional, tecnológico e social", da audiência pública Confea/Crea em Campo, que ocorre na tarde desta terça-feira em São Paulo. Para Raquel Verdenacci, a inserção da sociedade no evento, gerando emprego e renda ou por meio de programas de voluntariado, promoverá o legado social. "É um meio de inserção das pessoas que não poderiam participar da Copa, que não deixa de ser um evento privado".
Outro ponto destacado pela representante da Secretaria Estadual de Turismo foi o legado do conhecimento, ou seja, a qualificação da mão-de-obra. "A Copa do Mundo é muito mais do que investimento em infraestrutura. No caso de São Paulo, o grande desafio será a operação, a logística, como a cidade e a Copa funcionarão sob lentes do mundo inteiro", disse. Para ela, a soma do legado social com o legado de conhecimento resultam no legado econômico. "Precisamos fazer a cidade vibrar para girar a economia". Raquel informou que a Secretaria desenvolve produtos turísticos (como mapas personalizados) para estabelecer uma marca de São Paulo internacionalmente.
Presente no mesmo painel, o ex-diretor do Desenvolvimento e Revitalização e Sustentabilidade da Autoridade Pública Olímpica de Londres 2012 Dan Epstein afirmou que, para as Olimpíadas de 2012, que ocorrerão em Londres, o planejamento foi 90% focado no legado, no que a cidade teria depois. "É uma questão de compreender desde o começo o que queríamos no final", disse, ao explicar que o parque olímpico foi construído em uma região ainda não desenvolvida na cidade. "Uma região que poderia levar 20 anos para ser erguida, mas que levaria cem anos se não tivéssemos sido escolhidos para hospedar os Jogos Olímpicos". Epstein completou que as obras em Londres foram entregues um ano antes do prazo, o que está permitindo que os empreendimentos sejam testados.
O cônsul geral da República da África do Sul, Yusuf Omar, também apresentou a experiência sul-africana do ano passado durante o painel. Na época da escolha da África do Sul para a Copa do Mundo de 2010, menos de um em três sul-africanos acreditava que os eventos na África seriam um sucesso e acreditavam que a população não iria se beneficiar. Depois da Copa, 69% da população diz acreditar que a África do Sul foi inserida internacionalmente e considera a Copa do Mundo um catalisador de investimentos cujos benefícios são percebidos depois.
Para Omar, o maior legado foi a inserção da África do Sul nos roteiros turísticos internacionais. Segundo ele, a pesquisa de satisfação do visitante registrou que 89% dos visitantes pensavam em voltar ao país africano no futuro e 96% recomendariam o destino a parentes e amigos. "A Copa na África do Sul foi um evento midiático maior do que a posse do Obama e o funeral da Princesa Diana. Conseguimos mostrar ao mundo que a África do Sul não é só Safari e isso teve um grande impacto nos investidores", disse.
Como legado físico, Omar destacou a construção de novas estações ferroviárias, novas faixas de transporte público, sistema rápido de ônibus e outros tipos de transporte sobre trilhos e inteligentes, além do upgrade nas instalações de todos os estádios. No total, os investimentos foram de US$ 6 bilhões, que resultaram em "uma grande revolução no sistema de transporte", como definiu Omar.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
