Fórum Jovem debate Integração universidade-indústria

Florianópolis, 28 de setembro de 2011

Após os debates do segundo painel do Fórum Jovem – “Evolução Tecnológica no Brasil”, estudantes da área tecnológica puderam interagir com os palestrantes que participaram evento, que ocorreu durante a 68ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, nesta quinta-feira, 28/9.

O reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Reginaldo dos Santos, comentou que várias das iniciativas de institutos de pesquisa voltadas para produção industrial implantadas no Centro Técnico Aeroespacial (CTA) – localizado em São José dos Campos (SP) – deram certo. “Mas gostaríamos que isso ocorresse com muito mais vigor e muito mais força”, completou. Segundo o reitor, a forma de interação Academia-indústria aplicada no CTA é frequente nos nos países mais tecnológicos. “Mas eles têm uma obsessão por transferência de conhecimento acadêmico para o setor produtivo. Aqui, nós tratamos os empresários com desconfiança, o empresário não é bem aceito. Não sei por que cargas d’água criou-se esse conceito de que a indústria quer nos explorar. Pelo contrário, a indústria vai pagar nossos salários”, concluiu, ao ressaltar a importância das incubadoras nas universidades, destacando as iniciativas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O debate surgiu diante do questionamento do participante Círio Morais, do Crea-Júnior de Minas Gerais.

O próximo assunto foi o Projeto de Lei nº 518/2011, do senador Cristóvam Buarque, cuja propositura prevê que os cursos de ensino superior sejam geridos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O diretor regional do Senai-SC, Sérgio Arruda, defendeu a manutenção dos cursos superiores no âmbito do Ministério da Educação (MEC). “Embora admire muito o trabalho de Cristóvam Buarque, nesse aspecto tenho que discordar. A educação brasileira tem que ser vista de maneira muito integrada”, disse. Arruda lamentou que muitos vestibulandos, ao procurar pelo ensino superior, não buscam educação, buscam o diploma e, ainda, apontou que a cultura da educação no Brasil não valoriza a ciência. “Nós exigimos que todos devam saber história, mas é tudo bem a pessoa não saber o que é Lei de Newton”. Arruda aproveitou a oportunidade para definir educação: “a educação faz a distinção entre o verdadeiro e o falso. Se você está do lado da verdade, ela te fortalece”.

O Fórum Jovem durou o dia todo e teve painéis que trataram de recursos energéticos e desenvolvimento sustentável, independência financeira e a nova realidade do Crea-JR, já presente em 25 estados brasileiros. O painel “Como conquistar e manter a tão sonhada independência financeira” foi ministrado pelo administrador, escritor e consultor financeiro Gustavo Cerbasi.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea