Florianópolis, 29 de setembro de 2011
O Brasil tem incorporado processos de eficiência energética há quase 30 anos e a Lei que regula o setor, uma das mais avançadas do mundo, completa 10 anos no próximo mês de outubro. Mesmo com tantos motivos para comemorar, ainda há muito por fazer. O comentário foi do presidente do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia, Pedro Augusto Leonelli, na abertura do Fórum sobre o tema durante a 68ª SOEAA, na quinta-feira pela manhã.
Nos últimos anos, segundo dados do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia elétrica), vários equipamentos foram regulamentados com selos de eficiência – como motores elétricos, lâmpadas e geladeiras, o que tem trazido para dentro das empresas e das residências o conceito de racionalização.
Pelos cálculos do Ministério, de 1986 até hoje foram investidos R$ 1,2 bilhão de reais em eficiência, o que significa R$ 30 bilhões de investimentos postergados em geração, transmissão e distribuição de energia. Esta economia é fundamental, pois segundo Amilcar Guerreiro, diretor de Estudos de Economia da Energia e Meio Ambiente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Governo Federal, que falou em seguida, a entrada de milhões de consumidores em fase produtiva nos próximos anos no mercado dará um incremento no consumo de energia, hoje da ordem de 5 a 6% anuais.
Ele anunciou, por outro lado, que os investimentos futuros em geração de energia já estão assegurados no País – dos 62 mil MW necessários para os anos de 2011 a 2020, 45 mil MW já estão contratados, dos quais 75% em energia renovável. “Graças à oferta de equipamentos eficientes, das iniciativas do Procel e do Programa de Etiquetagem do Inmetro, além da geração a partir de fontes renováveis teremos uma mudança importante no setor energético e uma grande demanda para a engenharia nacional”, resumiu.
No Fórum ainda foram apresentadas aos profissionais as inovações no gerenciamento de resíduos sólidos na construção civil, por Flávio Mirabelli, do Centro Universitário Barão de Mauá e um estudo de caso por João Carlos Fagundes, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). A Eletrosul participou com novas tecnologias em energia fotovoltaica, apresentada pelo engenheiro Bruno Okuda, e a Casa Eficiente, comentada pelo profissional Everton Alves. O BIM (Building Information Modeling), processo de gerenciamento de obras concebido por pesquisadores norte americanos, foi uma grande novidade apresentada pelo arquiteto Adriano Alencar Sales, da Unicamp.
O sistema é uma evolução do CAD e simula o projeto construtivo em todas as etapas, evitando desperdícios futuros e retrabalho”, afirmou Sales. A tecnologia já vem sendo adotada por grandes construtoras brasileiras e poderá ser incorporada na rotina dos profissionais do ramo nos próximos anos, acredita.
No Fórum foi apresentado também o "Carro Híbrido" – motor elétrico e à combustão, da Ford, que encontra-se exposto na Feira Tecnológica. Apesar da alta potência, o automóvel é mais econômico que um carro 1.0 e ainda preserva o meio ambiente.
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