Desastres naturais e socioambientais: prevenir é o melhor remédio

Florianópolis, 30 de setembro de 2011.

Na primeira parte do painel “Inovação no Enfrentamento de Desastres Naturais e Socioambientais”,  que abriu a programação de hoje da 68ª Soeaa, realizada em Florianópolis, (SC),  a palavra “prevenção” foi a mais citada pelos palestrantes: Eliana Nicolini, Emílio Colón e Tugrul Tankut.

Engenheiros civis com experiências diferentes em relação a furacões, terremotos, tsunamis e maremotos - previsões, prevenções e consequências - , os três defenderam que a preparação da infraestruturas das cidades, residências e  prédios públicos,  aliados à “educação da população”, são as melhores maneiras de diminuir o número de vítimas dos fenômenos.

Eliana é assessora para Projetos Especiais da Presidência do Haiti. Ela emocionou a plateia ao relatar suas experiências após o terremoto de magnitude 7 que atingiu o país em janeiro de 2010.

“Após o terremoto começou a chegar ajuda. Médicos, psicólogos, sociólogos, enfermeiros, bombeiros e milhares de voluntários foram mexer nos escombros em busca de vida ou corpos sem ela. Começaram a chegar também água, roupas e alimento, mas como cozinhar? Não se tinha onde. O carvão, já caro, encareceu mais”, contou.

Numa solução que ajudou a matar a fome de muita gente e de grande utilidade, independentemente de desastres, Eliana criou o bríquete, uma mistura de papel, papelão, serragem e água, prensada e seca, substitui o carvão para cozinhar.

Atualmeí por dia, e que chega ao consumidor final 56% mais barato que o carvão. Um briquete sai a dois centavos de real, com dois deles é possível preparar um café e com 22, cozinha-se arroz e feijão para 15 pessoas.

O produto é vendido à população e pode ser disponibilizado para atender os atingidos por grandes tragédias em qualquer lugar do mundo.

Educação da População - Em seguida a Eliana, foi a vez de Emílio Colón, presidente da Confederação Mundial de Engenharia Civil e do Conselho Mundial de Engenheiros Civis.

Rapidamente, ele historiou alguns desastres naturais ao longo das últimas décadas e suas consequências, “todos”, segundo ele, com grandes dificuldades de recuperação das áreas e pessoas atingidas.

Para Colón, como esses fenômenos ocorrem com grandes intervalos de tempo,”as pessoas se esquecem que moram em áreas sísmicas e acabam relaxando com os cuidados a tomar para se prevenir. Como exemplo, ele lembrou do terremoto que este ano alcançou a Virgínia, nos EUA. “Considerado médio, 5,8 de magnitude, ele atingiu vidas e casas que poderiam ter sido salvas”.

O presidente do Conselho Mundial de Engenheiros referiu-se ainda ao ataque às torres gêmeas, em Nova York, como a “maior catástrofe socioambiental dos últimos tempos” e atribuiu a “erro de manejo e baixos investimentos em equipamentos e segurança – Chernobyl e Fukushima incluídos -  como as principais causas para as graves conseqüências vividas pelas populações dessas localidades.

Desastres tecnológicos também foram lembrados por Colón, como os pedaços do satélite UARS que semana passada caiu no oceano Pacífico.

Como enfrentar esse tipo de desastre? Pergunta e responde Colón: “a maioria dos desastres é previsível – um furacão, por exemplo – leva de 18 a 24 horas para atingir uma localidade, tempo suficiente para salvar muita gente”, afirma e completa: “um plano de educação da população é essencial para prevenir muitas perdas”.

Filosofia - Encerrando a primeira parte do painel, Tugrul Tankut, representante da Turquia, disse que as estruturas de porte médio – três a oito andares – são as mais vulneráveis a terremotos, e indicou o reforço das estruturas de paredes para evitar mortes e destruição.

Tankut começou abordando a filosofia por traz do reforço das estruturas existentes:”prevenção”, segundo ele mais cara mas “muito mais eficiente e compensadora que o gerenciamento de desastres”. Na linha de Colón e Eliana também atribui à educação do povo a solução para enfrentar situações difíceis.

Segundo seus cálculos, em dez anos de educação, é possível salvar cinco mil vidas de um desastre que poderia alcançar 50 mil vidas. Para salvar 49 mil, são necessários 30 anos de treinamento constante”, ensina.

Tankut aposta em novas tecnologias, mais baratas e que não exigem a retirada dos moradores para reforçar o concreto de estruturas já existentes. Ele também defende a reabilitação da rigidez lateral dos prédios, e o aumento da capacidade de carga por meio de “jaquetas” de concreto reforçado com plástico de carbono.

Em toda a sua palestra, permeando informações técnicas, a palavra prevenção foi citada mais de dez vezes.

Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea