Entidades lançam Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública

Brasília, 17 de abril de 2012

A criação de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que assegure o repasse de 10% da receita bruta da União para o Sistema Único de Saúde (SUS) é o objetivo do Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, lançado na tarde desta terça-feira, 17/4, simultaneamente em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O Movimento está em busca de 1,5 milhão de assinaturas em apoio ao projeto para que o documento possa se figurar como de iniciativa popular.

“A saúde não se faz só com médicos. Precisamos da sociedade envolvida”, defendeu o presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, no evento de Brasília, do qual o presidente do Confea, José Tadeu da Silva, participou. Segundo Cavalcante, há hoje no Brasil 400 mil médicos e 145 milhões de brasileiros dependentes do SUS. “Será que os recursos são suficientes?”, questionou. “O Movimento que lançamos hoje simboliza o grito da sociedade e o compromisso com a mudança na área da saúde. A Lei de Iniciativa Popular é um recurso que a sociedade tem para pleitear como querem destinar seus impostos. Esses 10% são essenciais para salvar vidas”, concluiu.

Em sua manifestação, o presidente do Confea afirmou que a Engenharia e Agronomia, como profissões de interesse social e humano, muito têm a ver com a saúde. “Desde a produção de alimentos ao saneamento básico, à acessibilidade nas construções e às tecnologias e aparatos utilizados nos hospitais, nossos cerca de 1 milhão de profissionais brasileiros estão envolvidos”, afirmou. “Se o Brasil que ser uma grande nação, e não só uma potência econômica, precisa ter saúde de qualidade à disposição da população. O Confea não pode se furtar a esse debate, que envolve todos os segmentos da sociedade”, afirmou. Para ele, o desenvolvimento de um país e a qualidade de vida das pessoas dependem de três pilares: economia estável, sustentabilidade ambiental e inclusão social. “A saúde está dentro do pilar de inclusão social”, explicou. Tadeu da Silva afirmou que colocará o apoio formal ao Movimento na pauta do Plenário do Conselho.

Veja a lista das entidades participantes do Movimento

Leia o manifesto do Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública

Na ocasião, o conselheiro Nacional de Saúde Ronald Ferreira dos Santos destacou a presença do Confea no evento. “O tema da saúde não mais está restrito aos médicos. Saúde pública se amplifica, e a presença do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia hoje é um exemplo disso”, afirmou. “Da mesma forma que o SUS foi fruto de iniciativa popular, e não o Poder Legislativo, o seu financiamento também será. Basta que somemos esforços”, completou Ronald dos Santos, que também é diretor da Federação Nacional dos Farmacêuticos. 

Criado pela Constituição Federal de 1988, o SUS entrou na pauta de movimentos sociais ainda na década de 1970, com o Movimento da Reforma Sanitária. O histórico foi feito pela presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Ana Costa. “A lógica planetária atual, de mercado, não condiz com os direitos sociais. Nosso compromisso é engajar essa luta por uma saúde pública não mercantilista. O conceito público versus privado não é justo na área da saúde”, defendeu Costa. A presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Beatriz Dobashi, ressaltou que a mobilização não deve se restringir apenas aos recursos. “O debate deve se estender à qualidade do atendimento, às tecnologias aplicadas e à interiorização de médicos”, completou.

Compuseram a mesa, além do Confea, OAB, CNS, Cebes e Conass, representantes do Conselho Federal de Medicina e da Comissão de Bioética, Biotecnologia e Biodireito da Seccional da OAB do Distrito Federal. Outros conselhos, como de Enfermagem, de Nutrição, de Farmácia, de Recursos Humanos também participaram do evento.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea