Confea na Rio+20: O ser humano como o coração das cidades

Rio de Janeiro, 20 de junho de 2012.
 

De acordo com a instituição catarinense Academia de Letras do Brasil, o termo “favela” surgiu no contexto da Guerra de Canudos, fato comprovado pela utilização do vocábulo na obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, considerado o primeiro escritor a utilizar a palavra“favela”. Embora a Guerra de Canudos tenha ocorrido ainda no fim do século XIX, as favelas só foram ser oficialmente reconhecidas no Brasil quase cem anos depois, no final da década de 1980, começo de 1990.

Quem contextualizou foi o diretor administrativo e financeiro da Cooperação para o Desenvolvimento e Morada Humana e engenheiro civil Hernani Marcos Cardoso de Souza. “O atestado de nascimento das favelas se deu nessa época e abriu uma grande discussão: vamos recuperar essas áreas? Vamos provê-la de serviços? Isso basta para o desenvolvimento?”. Souza afirma acreditar que o provimento da infraestrutura não atende a população se, em conjunto, não for realizado um trabalho de desenvolvimento social, pautado pelas diversas necessidades do indivíduo.

Hernani Souza participou do painel “The Human Being: Core of Sustainability”, na programação da última terça-feira (19/6). Na ocasião, ele apresentou números como os 2,5% de recursos do PAC destinados à área social. ”Evidentemente isso não é suficiente para garantir o desenvolvimento, sobretudo o desenvolvimento sustentável. Mas estamos no caminho. Nós já temos algumas experiências com o Banco Mundial, com outros organismos, de investir 25% de recursos de obras de urbanização no social. E hoje nós vamos apresentar alguns experimentos que invertem essa lógica, que investem 85%, 90% em social e 10% em infraestrutura”, afirmou. “Sou engenheiro civil e sei muito bem a importância que tem uma obra. Mas a obra tem um valor muito maior quando temos claro a que ela se destina”.

Para outro participante do painel, Fabrizio Pellicelli, diretor no Brasil da Fundação italiana Avsi, não se pode falar em desenvolvimento sem se falar em cidade, e não se pode falar em cidade, sem se falar em população. “Com certeza o Brasil é um dos países do mundo que investe muito no tema do desenvolvimento urbano. Temos programas, políticas nacionais que nos últimos dez anos viraram centro da política nacional. Isso é muito bom. Mas, além disso, precisamos de uma ação integrada no território”, defendeu.

Beatriz Leal e Augusto Viana
Assessoria de Comunicação do Confea e Agência do Rádio Brasileiro