O papel do setor elétrico em prol do desenvolvimento sustentável foi apresentado no seminário “Eletricidade e Sustentabilidade – uma visão global”, que movimentou o Parque dos Atletas, próximo ao Rio Centro, na Rio+20, nesta quinta-feira (21/6). O evento, promovido pela Eletrobras, destacou a produção hidrelétrica do país como “energia limpa” e a integração energética latino-americana. Apontada pela revista Newsweek como a terceira empresa “mais verde” do mundo, a Eletrobras celebra seus 50 anos em 2012.
Dividido em módulos, o evento reuniu nomes como o secretário executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann; a diretora executiva da Global Sustainable Electricity Partnership (GSPE, antigo e8), Martine Provost; o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, e o diretor-geral da International Renovable Energy Agency (Irena), Adnan Amin, participantes do primeiro módulo da programação.

Hidrelétricas e sustentabilidade
Já a diretora executiva da GSPE, Martine Provost, ratificou a liderança brasileira no segmento, considerando que o processo de sustentabilidade exige um aprendizado constante. “E a Eletrobras combina muitas experiências”, disse, destacando o desenvolvimento possibilitado pela construção de hidrelétricas. “As hidrelétricas induzem o desenvolvimento econômico e social das regiões onde estão instaladas”, concordou o secretário executivo do Ministério das Minas e Energia, o engenheiro eletricista Márcio Zimmermann.

Custos e benefícios
O uso de outras formas de energia renovável em larga escala é considerado pouco eficaz pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS) e presidente da Comissão de Integração Energética Regional (Cier), Hermes Chipp. “Você consegue expandir a sua matriz energética à margem com energia eólica, solar, biomassa. Mas, no Brasil, não vai mais se usar esse tipo de fonte. Você tem que ter complementaridade térmica, e eu creio que, com as novas descobertas de gás, o pré-sal, a gente consiga destinar parte desta produção para a geração térmica, a gás, a GNL, enfim, para garantir este suprimento”.
Mesmo assim, diz, o país tem feito investimentos significativos em energia eólica com um parque de 1400 megawatts instalados, com previsão, para 2016, de oito mil megawatts. “Tem a condicionante que é o preço da energia. Começamos com o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas), um projeto de subsídios do governo, em que o preço era perto R$ 300 por megawatt/h. Hoje, o leilão está saindo a R$ 99, muito mais barato que o próprio gás. Eu acredito que, se isso continuar assim, vamos ter que partir para leilões por fontes, para poder agregar gás, biomassa, que nestes últimos leilões não têm conseguido competir com a eólica”. Em relação ao biodiesel, Chipp também defende a permanência de seus investimentos. “O biodiesel está sendo desenvolvido, mas a diferença de porte para o pré-sal é magnífica. Mas hoje, a gente não consegue se desenvolver nada só em nível nacional, com a globalização”.
Equilíbrio
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema acrescenta que acredita na redução de emissão de poluentes, em nível mundial. “O país está trabalhando para isso. Eu acho que um ponto de equilíbrio que tem que ser buscado quando você pensa em não construir usina sem reservatório algum. E, depois, na operação, para você garantir a segurança e ter que gerar um volume muito grande de térmicas, pode ser mais prejudicial ao meio ambiente. Então, na fase de planejamento, tem que se pensar com maior profundidade nesse equilíbrio entre você construir usinas com algum reservatório, talvez, para emitir menos gás poluente na operação que você é obrigado a gerar térmica”.
Membro da delegação brasileira do Itamaraty e também subsecretário de Minas e Energia do Governo do Estado do Maranhão, além de representante do Confea na conferência, Francisco Soares destacou que a sustentabilidade tem que passar pela engenharia, pois não se consegue vislumbrar qualquer ação de inclusão social, prosperidade econômica e proteção ambiental que não esteja imbricada com o Sistema Confea/Crea. “Medidas efetivas para redução do consumo de energia, água e alimentação, bem como ações para produção desses itens, precisam da interferência de engenheiros e agrônomos, para atingir plenamente seus objetivos de desenvolvimento sustentável”, discorreu Soares.
Henrique Nunes e Augusto Viana
Assessoria de Comunicação e Marketing do Confea e Agência do Rádio Brasileiro
Fotos: Dmitri Lee Valença
