Mercosul na Rio+20

Brasília, 26 de junho de 2012

"Representantes do Brasil, Argentina e Chile, Francisco Gaetani, Silvia Révora e Luiz Javier García reforçaram pacto ambiental na Rio +20"

A crise institucional que abala o Paraguai ainda não havia se instaurado quando, na tarde da quinta (21/6), penúltimo dia da Rio+20, representantes de alguns dos integrantes do Mercado Comum do Sul, o Mercosul, tratavam de apresentar suas propostas, consensos e divergências, em um painel marcado pela posição da plateia em favor de uma maior participação das entidades organizadas nas decisões do setor. Na mesa, a convicção era de que os países do continente (o Chile ainda não integra oficialmente o grupo econômico, mas participa desta e de outras discussões como Estado Associado) precisam fortalecer seus vínculos ecológicos. Foi nesse clima que o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, compartilhou suas ideias com as da subsecretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina, Silvia Révora, e as do chefe do Departamento Internacional de Meio Ambiente do Chile, Luiz Javier García. O encontro se deu no Parque dos Atletas, dentro da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.


A postura dos três é de que é possível uma integração maior entre os países sul-americanos, em relação à preservação de seus biomas, alguns, inclusive, comuns, embora apenas uma pequena parte de suas populações tenha esta noção. Gaetani, Silvia e Luiz Javier Garcia ratificaram, então, um pacto firmado durante a 14ª Reunião de Ministros de Meio Ambiente do Mercosul e do Chile, em Montevidéu, no final do ano passado, em torno de uma agenda ambiental comum na região. Na Rio+20, os três países estabeleceram o rumo das próximas negociações: a definição de um eixo estratégico sobre águas, resíduos sólidos e mudanças climáticas, além da compreensão de que o desenvolvimento sustentável precisa estar aliado ao combate à pobreza, conforme apregoou o documento final da Rio+20.

"Participação do público de diversas nacionalidades marcou o painel"


A participação da plateia, por meio de entidades brasileiras, chilenas, argentinas e colombianas foi intensa e não ficou sem respostas dos integrantes da mesa. Todos reconheceram a legitimidade dos pleitos. Silvia Révora destacou reconhecer a liderança do Brasil nos debates. “O Brasil reflete os princípios do Mercosul e da Eco-92. Por isso, vejo esta conferência como exitosa. Temos consciência de que é preciso destinar mais recursos para a preservação ambiental em nossos países, mas também percebemos que estamos no caminho certo”, declarou, iniciando suas palavras com a apresentação da “Declaração de Buenos Aires e do Acordo de Montevidéu”. “Saio contente, há muito conhecimento nesta conferência, sobretudo em torno da integração de muitos temas transfronteiriços. Precisamos unir as nossas forças”, definiu o representante chileno.
 
PNUMA e Rio+20


O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente brasileiro considera que o foco da integração regional em torno de água, resíduos sólidos e mudanças climáticas possibilitará ações sustentáveis em setores como os das indústrias térmica e química. Ele também criticou a proposta de criação de uma agência mundial para o Meio Ambiente, apontando que o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) pode ser promovido de outras maneiras. “As agências não significam sempre a democratização dos setores”, ressaltou Gaetani, com o apoio dos demais componentes da mesa.


O consenso se manteve em outros momentos. Como quando Francisco Gaetani declarou que “ainda estamos em tempo hábil para iniciar o trabalho para enfrentar vários problemas em comum”. Estreitar os diálogos também depende de uma mudança de postura interna do Ministério. “No Brasil, a agenda ambiental é baseada no Advocacy e em instrumentos de controle. Temos tentado ser menos Advocacy. Trata-se de implementar as medidas para que consigamos trabalhar juntos. A geopolítica da região valoriza uma internacionalização maior da agenda social e ambiental, pois estamos tirando esta agenda do gueto”.


Em outra resposta à plateia, sobre a força do documento final a ser apresentado no dia seguinte, Francisco Gaetani destacou que “todos gostariam que fosse um documento mais denso, mas as concessões dependem dos países do Norte. As Nações Unidas dependem de consensos. O documento só não é melhor devido aos países desenvolvidos. Os Objetivos do Milênio, por exemplo, dependem de todos. Estamos razoavelmente satisfeitos. Avançamos um pouco e não retrocedemos. Temos, agora, definitivamente que nos organizar juntos”, conclamou.

Henrique Nunes
Assessoria de Comunicação e Marketing do Confea
Fotos: Paulo de Araújo/MMA