Pavio exposto: a fumaça e os gases tóxicos do descompromisso

Brasília, 31 de janeiro de 2013.


Luzes de emergências; sinalização de saídas, alarme e extintores de incêndio; isolamento acústico, anti-chamas; brigadistas; portas de emergência e contra-fogo; sprinkler (rede de pequenos chuveiros); seguranças treinados para agir em situações de tumulto.

Dez, apenas 10 providências, poderiam ter salvo até o momento 235 vidas e poupado do sofrimento outras 103 internadas. Bastava seguir as recomendações básicas de segurança de locais com grande aglomeração de pessoas e respeitar a legislação vigente. 

Como todos, estou consternado e indignado com o fato ocorrido na cidade gaúcha de Santa Maria, na rua dos Andradas, 1925, onde vidas foram sufocadas pela fumaça e gases tóxicos do descompromisso. Uma tragédia anunciada. A frase se torna lugar cada vez mais comum nesse nosso incomum dia a dia marcado por mortes por motivos fúteis. Uma cadeia de irresponsabilidades - contando com a sorte,  desrespeito às leis e com a impunidade - alimentou durante anos as atividades da boate Kiss, abastecidas pela omissão dos que poderiam ter alertado as autoridades competentes para evitar o pior.

Já no domingo, representando o Sistema Confea/Crea, em Santa Maria, o presidente do Crea do Rio Grande do Sul, Luiz Alcides Capoani, engenheiro civil, destacou a Constituição que define a segurança, em todos os aspectos, como dever do Estado.

Defendemos que seja implantada a obrigatoriedade da revisão periódica em prédios a cada cinco anos. Nos somamos para garantir apoio à comissão de especialistas, formada pelo Crea gaúcho, para vistoriar o local e ajudar na identificação detalhada das causas.

Embora tardiamente para as 338 vítimas, fatais ou não, precisamos responder à sociedade, precisamos de leis que determinem a fiscalização e a prevenção de acidentes. Mais do que tudo, precisamos  exigir respeito às leis e às normas ditadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.

O vocalista da banda apenas ateou fogo num pavio que estava exposto há muito tempo. Foi o primeiro ato de uma tragédia que está longe do fim para centenas de familiares e amigos. É preciso estar atento e forte para que não se repita.

 

Eng. civ José Tadeu da Silva
Presidente do Confea