Brasília, 20 de janeiro de 2014.
Com número recorde de inscrições, na casa dos 2,5 milhões de estudantes, o programa que gere a oferta de até duas opções de vagas universitárias para os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) revelou ainda um aumento proporcional entre o número de vagas ofertadas (32,54%, ou seja, 171.401 vagas no total) e o efetivo de estudantes interessados em participar da seleção (31,28%, ou seja, 2.559.987 inscritos, em um total de 4.998.206 inscrições, considerando a possibilidade de duas opções individuais), em relação ao ano passado. Dados que levaram o ministro Aluízio Mercadante a enaltecer a sistemática. “Pela primeira vez na história, o estudante pôde escolher entre mais de quatro mil cursos e 115 universidades em todos os estados. Antes, ele tinha de fazer vestibular por vestibular; hoje, faz um único exame. Quem tirou a melhor nota vai disputar as vagas. É um processo de acesso democratizado”, comentou durante a cerimônia de avaliação dos resultados.
Regionalização
Constata-se também que hoje a maior parte das vagas totais do Sisu está na região Nordeste (39,6%). Em seguida: Sudeste (28,1%); Sul (13%); Centro-Oeste (12,6%) e Norte (6,7%), região que possui, no entanto, a maior relação candidato X vaga: 44,97%. Já o Centro-Oeste, é a região com menor concorrência. “Esses dados representam que a interiorização das universidades públicas ocorreu em todo país, em particular no Nordeste. Uma leitura inversa pode ser feita para a região Centro-Oeste. O fato de a região Sudeste ter uma maior concorrência é também fruto de uma maior população de candidatos para as universidades”. O conselheiro federal também afirma que há uma procura significativa por cursos noturnos, o que significa que esse grupo normalmente é de trabalhadores, que procuram uma melhor qualificação em horário fora do expediente de trabalho. “Por sua vez, esses cursos noturnos, em sua maioria, são da área de humanas, tipo Pedagogia, Administração”, pondera.
Cursos tecnológicos
A maior parte das inscrições (3.288.092) se refere ao grau de bacharelado, tendo sido registradas 451.744 inscrições para o grau tecnológico. As inscrições por curso registram a predominância da Administração, Direito, Pedagogia, Medicina, Educação Física, Ciências Biológicas e, em seguida, Engenharia Civil, com 130 mil inscrições. Observou-se também uma procura significativa pela Matemática. Além desses dados representativos para a área tecnológica, a Agronomia registrou mais de 104 mil inscrições, o décimo curso mais procurado.
“O aumento da procura para os cursos tecnológicos é fruto de uma realidade de mercado, não só no Brasil. Soma-se que esses cursos têm uma carga menor que os bacharelados, portanto com conclusão mais rápida. As inscrições para o curso de Agronomia, em torno de 105 mil inscrições, também são fruto da demanda em um país que tem no agronegócio uma pilastra da sua economia e sendo o Brasil uma referência mundial na produção de alimentos”, afirma o engenheiro agrônomo.
Na visão do conselheiro federal José Geraldo Baracuhy, o aumento da procura por cursos de engenharia, e consequentemente das notas de corte, se alinha com a necessidade de engenheiros para as novas políticas públicas de infraestrutura brasileira. “O Brasil tem deficiência significativa em portos, aeroportos, ferrovias, autoestradas, energia etc. Esse mercado é um estimulo para os estudantes, em saber da existência de empregos na oportunidade de conclusão do curso”. O coordenador da Ceap registra ainda que o saldo para o ensino universitário brasileiro é “positivo”, considerando que, para fazer parte do Sisu, o curso tem de ter nota mínima de 3, em uma escala de 1 a 5. “O que podemos traduzir em uma melhoria na qualidade do ensino universitário”.
Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confe
