Brasília, 27 de fevereiro de 2015
Em posse solene, realizada na noite da quinta-feira, 27 de fevereiro, e falando de improviso para os 600 participantes do 4º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua, José Tadeu da Silva agradeceu os apoios que recebeu para assumir pela segunda vez a presidência do Conselho Federal de Engenharia (Confea), para cumprir o mandato 2015/2017, e defendeu a união de todos.
“A noite é para agradecer a tudo e a todos que nos trouxeram até aqui. Ninguém conduz uma associação de classe, um Crea ou o Confea, sozinho. Meu reconhecimento e agradecimento a cada um de vocês”.
Confessando tranquilidade em atuar por mais três anos à frente da instituição, ele reconhece que o mandato terá outros desafios, como o de assumir a responsabilidade que recai sobre os profissionais da área tecnológica na definição de soluções que ajudem o país a reencontrar os rumos de um desenvolvimento mais acelerado e contínuo.
“Este mandato será difícil diante do que acontece no país e das demandas que o Sistema necessita com relação à modernização e à sintonia com o século 21. No universo das profissões abrangidas pelo Sistema, ocorre uma inovação a cada 30 segundos e é onde que vamos encontrar as soluções”.
União e diálogo
José Tadeu afirmou, ainda, que pretende conduzir o mandato tendo “união” como a palavra-chave para o diálogo. Se não houver entendimento para conduzir o Sistema de forma unida, certamente não avançaremos e, para que isso não ocorra, precisamos de cada um e da união de todos”.
O presidente Tadeu, como é chamado, reconheceu que vai precisar de cada um dos profissionais reunidos pelo Sistema – pouco mais de 1 milhão e 300 mil – e, lançando mão dos ensinamentos de padre Vieira, lembrou que a união de pedras faz um edifício, a união de pessoas, um exército e, citando o que aprendeu com um conselheiro, disse acreditar que “se passarmos pelo Sistema sem fazer amizades, de nada valeu passar por ele”.
Bem-humorado, encerrou o improviso reconhecendo e agradecendo “por ter as amizades como a riqueza que não declara ao imposto de renda”.
Lideranças em destaque na solenidade: José Tadeu da Silva, presidente do Confea; José Ulisses Vasconcelos, representante do Tribunal de Contas da União; Ana Constantina Oliveira Sarmento de Azevedo, vice-presidente do Confea; Antônio Carlos Albério, conselheiro federal; Marco Antônio Amigo, coordenador do Colégio de Presidentes; Cláudio Calheiros, diretor-presidente da Mútua, Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea; Jorge Nei Brito, coordenador do Colégio de Entidades Nacionais e José Margarida da Silva, coordenador da Câmara Especializada de Geologia e Minas, representando as demais câmaras.
Emoção marca discurso da vice-presidente do Confea
Sem a menor preocupação em esconder e mesmo confessando a emoção de ser a primeira mulher a assumir a vice-presidência do Confea, Ana Constantina Oliveira Sarmento de Azevedo creditou ao apoio da família a oportunidade de chegar ao posto. Citou o marido, o filho e especialmente a mãe.
Ana Constantina falou que vive “um momento diferente, especial, único”, após indicação e homologação de seu nome.
Disse que, como vice, seus projetos são os de seguir os “projetados durante a campanha pelo presidente eleito, resultado das caminhadas que realizou pelo país”.
“Não vou construir pontes de concreto, mas de relacionamentos com o Plenário, o Colégio de Entidades Nacionais, e as Câmaras. Pretendo utilizar o melhor material, respeito, confiança e meritocracia”, prometeu.
Dos sentimentos, confessou a gratidão pelo reconhecimento “de todo um trabalho e de também de muita responsabilidade”.
Sem esquecer o início da caminhada, em 2012, de Alagoas a Brasília para desempenhar função de conselheira federal, Ana Constantina também representa as profissionais que atuam na área da engenharia elétrica e no Sistema Confea/Crea.
“O momento é de agradecer e celebrar a vida”, disse antes de agradecer por estar sempre no lugar certo com as pessoas certas.
“José Tadeu, o senhor tem a característica de aglutinar as diferenças. Com a minha indicação, o senhor homenageia todas as mulheres do Sistema e coloca a engenharia elétrica na vitrine do país. O senhor é um divisor de águas no Sistema”.
Ao agradecer a mãe, Ana disse do orgulho de escrever seu nome no maior sistema profissional do mundo.
Inteligência, dedicação e renúncia
Antônio Carlos Albério, conselheiro que falou pelo Plenário do Confea, também agradeceu à família, especialmente à mulher e disse que “simbolicamente, começaram na noite de 27 de fevereiro de 2015, as atividades do Sistema para os próximos três anos”.
Ele citou o Encontro de Líderes Representantes “quando os fóruns do Sistema foram renovados, realizado num momento em que o país passa por sérias dificuldades”. Para Albério, o Sistema “não está alheio a isso”.
Pela vivência de tantos anos, o conselheiro afirmou que “a disposição do Plenário e do Colégio de Presidentes é ajudar a resolver os problemas mais sérios que o Sistema atravessa”. Ele conclamou a todos os fóruns para, “unidos e com muita inteligência, dedicação e até mesmo renúncia a alguns desejos pessoais, fazermos um esforço para colocar os interesses do Sistema acima dos interesses de cada um”. Albério acredita que “só assim teremos como resultado um trabalho que vai ao encontro das nossas profissões e dos profissionais”.
Responsabilidade e superação
O presidente da Mútua, Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, Cláudio Calheiros, de forma sucinta, desejou “sucesso” a todos e colocou a entidade à disposição. Calheiros também falou da situação do país e disse que “a engenharia e a tecnologia têm a responsabilidade de ajudar a superar as dificuldades”.
Jorge Nei Brito, coordenador do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), disse que as entidades refletem as crises que o país atravessa e se ressentem da falta de recursos para dinamizar suas atividades de representação. “Teremos um ano muito difícil, todos estão com um pé atrás quanto ao país, mas estou otimista com relação ao Cden, porque amadurecemos nossos objetivos”. Entendendo que é salutar dividir a liderança, Brito destacou o trabalho dos comitês do Cden.
O coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Geologia e Minas, engenheiro de minas José Margarida Silva, por sua vez, falou que os desafios já começaram: “Elaboramos um plano de trabalho e estabelecemos um calendário para o ano em dois dias”, comentou. Silva lembrou-se dos ex-coordenadores e do trabalho de aproximar o Sistema Confea/Crea com as Instituições de Ensino.“Vamos à luta. Arregacemos as mangas. A responsabilidade é grande”. Na ocasião, José Margarida representou todos os coordenadores de Câmaras.
Ideais e transformações
Marco Antônio Amigo, presidente do Crea da Bahia e coordenador do Colégio de Presidentes, afirmou que “estamos reunidos por nossos ideais. A cada ano um processo eleitoral no Sistema, estadual, federal e desejamos que os próximos três sejam marcados por boas transformações”.
“Espero traduzir o pensamento do colegiado e acredito que, com mais de 80 anos de existência, o Sistema precisa refletir sobre o nosso papel e opções de desenvolvimento. O momento exige pensar em saneamento, estradas, alimentos, meio ambiente, para falar de poucas coisas, e que não são desafios vencidos. Temos que encontrar recursos e compromissos, coragem e tomar decisões”.
Amigo defendeu a tomada de “decisão política baseada na melhor decisão técnica a ser adotada. Mais do que desejar transformações, temos que realizar e, para isso, planejar. Temos competência para fazer as melhores escolhas e transformar o país em 10 anos, mas só com planejamento, e o Sistema será sempre parceiro para isso”.
O coordenador do Colégio de Presidentes defendeu o abandono de antigas práticas e afirmou que o Sistema “deve trabalhar para atuar de forma mais ágil em direção à sociedade e aos profissionais”.
Referindo-se às denúncias que envolvem a Petrobras, afirmou que “aos culpados devem ser aplicadas as penas da lei”.
Para ele, a engenharia é arte, ciência, e se torna palpável por meio de obras e serviços. “A engenharia brasileira é ótima e precisa ser defendida. A Petrobras é uma das maiores empresas do mundo. Tem tamanho maior do que vários estados e nações, com corpo técnico invejável. Defendo a punição dos culpados pelos desvios de recursos”.
José Ulisses Vasconcelos, representante do Tribunal de Contas da União, além de realizar palestra no final da tarde do dia 27, também participou da solenidade de posse: “Nós do TCU agradecemos o convite e a oportunidade de estabelecer relações com o Sistema Confea/Crea. Vocês estão no Brasil todo e têm uma capilaridade maior que a do tribunal. Creio que junto com outros órgãos de controle, podemos contribuir para boa gestão do serviço público”.
Maria Helena de Carvalho
Equipe de Comunicação do Confea
