Senhores do tempo

Brasília, 23 de março de 2015.

"Meteorologistas Wagner Bezerra e Cléber Ataíde, do Inmet: informações sobre agrometeorologia"

Computadores de última geração, satélites, dados e imagens transmitidos online, sem qualquer interrupção, para todo o mundo. Em um tempo em que as tecnologias e as informações  são indispensáveis para a Defesa Civil, para a agrossustentabilidade e para outras diversas atividades socioeconômicas (desenvolvidas por meio das modalidades que integram o Sistema Confea/Crea e Mútua) e quando a preocupação com o tempo e com outras condições atmosféricas e hidrológicas se comprova estratégica para essas mesmas rotinas, meteorologistas como Wagner Bezerra e Cléber Ataíde, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), demonstram a importância de celebrar, neste 23 de março, o  Dia Meteorológico Mundial.

A data comemorada nesta segunda-feira mantém vínculos cada vez maiores com a celebrada ontem, o Dia Mundial da Água.  Estabelecido em 1961 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em referência à data de assinatura da  sua ata de convenções, em  1950, o Dia Meteorológico Mundial definiu para este ano – que, a exemplo de 2014, parece evidenciar mudanças climáticas gradativas e de consequências sérias  o tema “Clima: Compreender para Agir”, em discussão nos 192 países que a constituem. No Brasil, o tema será debatido pelo Inmet, a partir das 14 horas desta segunda-feira.

O engenheiro eletricista e climatologista Antônio Divino Moura, diretor da instituição, falará exatamente sobre “O clima anômalo no Brasil em 2014-2015”, na abertura da programação. Em seguida, o superintendente de operações e eventos críticos da Agência Nacional de Águas (ANA), engenheiro civil Joaquim Gondim, abordará “Recursos hídricos no Brasil: situação atual”. Ao final, “O clima e o apoio do Inmet à agricultura: o sistema Sisdagro” será o tema da palestra do coordenador-geral de Desenvolvimento e Pesquisa do Inmet, engenheiro eletrônico Lauro Tadeu Fortes. Toda a programação é aberta ao público. O auditório do Inmet fica no Eixo Monumental, Via S1, Sudoeste, em Brasília.

Em mensagem publicada em seu site, o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, M. Jarraud, destacou: “A mudança climática preocupa a todos nós. Afeta quase todos os setores socioeconômicos, da agricultura ao turismo, da infraestrutura à saúde. Impacta recursos estratégicos como água, alimentos e energia. Retarda e até mesmo ameaça o desenvolvimento sustentável e, é claro, não apenas em países em desenvolvimento.  O custo da falta de ação é alto e irá se tornar cada vez mais alto se não agirmos imediatamente e resolutamente. O conhecimento climático que tem sido construído nas últimas décadas é um recurso inestimável e um pré-requisito para o processo de tomada de decisões para ações climáticas. O clima está mudando, em grande parte devido às atividades humanas”.
 
Informações

Órgão da administração direta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que representa o Brasil junto à OMM, o Instituto Nacional de Meteorologia foi criado em 1909. O monitoramento, a análise e a previsão de tempo e de clima visam contribuir para o desenvolvimento sustentável do país. Com dez distritos de meteorologia espalhados pelo país, as célebres “previsões do tempo” são apenas uma das suas rotinas.

Estudos agrometeorológicos com balanços hídricos e estimativas de produtividade e acompanhamento de modificações climáticas e ambientais, incluindo o ciclo hidrológico, estão entre as outras pesquisas compartilhadas junto aos demais centros meteorológicos do Sistema de Vigilância Meteorológica Mundial.  E para obter todos esses resultados, efêmeros ou em situação de tendência, é fundamental receber e transmitir dados, muitos dados.

“Sediamos, por designação da OMM, o Centro de Sistema de Informação Mundial (Gisc, na sigla em inglês), no país. O Centro integra o principal núcleo do novo Sistema de Informação da OMM (WIS, em inglês)”, diz o diretor do Inmet. Supercomputadores e modelos físico-matemáticos de ponta integram-se neste conjunto de informações e chegam a simular o comportamento futuro da atmosfera, provendo e distribuindo dados sobre temperatura, umidade relativa do ar, direção e velocidade do vento, entre outras variáveis. “Nossa política é que esses dados fiquem disponíveis em nosso site”.
 
Crise hídrica e força da instituição

"Meteorologista e engenheiro eletricista Antônio Divino Moura: transformações regionais do clima"
Doutor em Meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e PhD na área pela Nasa, tendo ajudado a construir, durante seis anos, o Instituto do Clima e da Sociedade, em Nova York, Divino confirma a crise hídrica enfrentada pelo país. “Em relação a algumas regiões, Sudeste e outras, choveu até 500 milímetros menos no ano passado. Temos esse reconhecimento do clima em nível regional, embora a análise do clima global ainda seja objeto de estudos, apesar da constatação de que a superfície está mais aquecida”.

Para ele, o fenômeno da seca tem muita relação com cenários meteorológicos enfrentados no mar. A preocupação com o ciclo hidrológico integra o Inmet com a Política Nacional de Recursos Hídricos, conduzida pela Agência Nacional de Águas. Antônio Divino considera que a meteorologia e a hidrologia são essenciais em países tropicais, daí a necessidade de estabelecer convênios com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com a Aeronáutica, a  Marinha e com instituições de vários países.

"Inmet registra diminuição das precipitações em 2014 em relação à média do período 1961-2010. No destaque, áreas com menor índice pluviométrico"

 

Crescer ainda mais, equipando o Inmet com novos recursos humanos é uma das preocupações do atual diretor, que, no final de 2014, concluiu seu mandato à frente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (Sbmet), entidade que integra o Sistema Confea/Crea e Mútua. “Vamos fazer um concurso para nível superior e médio com 242 vagas, incluindo nossos órgãos nos estados onde estamos presentes. São as pessoas que fazem as instituições”, considerou o ainda membro do Conselho Deliberativo da Sbmet.

Outra forma de expandir a influência do Inmet é integrar todas as 18 instituições federais de ensino de Meteorologia no Centro Virtual de Ensino em Meteorologia (Cevem). “Vamos oferecer nossa rede de conhecimentos a instituições de graduação, de pós-graduação ou de nível técnico”. Paralelamente, Divino e os meteorologistas da Seção de Produtos de Imagens e Satélites da Coordenação Geral de Agrometeorologia do Instituto, como Wagner Bezerra e Cleber Ataíde, aguardam o momento em que o país possa contar com um satélite geoestacionário próprio. “Ele daria uma informação com maior frequência, é importante e uma reivindicação antiga. Podemos até nos associar com a Argentina para cobrir toda a América do Sul. Mas o mundo não vai cair, continuamos fazendo nossas projeções normalmente sem ele”. Novos e antigos desafios que fazem parte da rotina dos senhores e das senhoras do tempo.

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea