Brasília, 30 de janeiro de 2026.
A formação dos profissionais foi o centro do debate no Palco Conexões, na manhã desta sexta-feira (30), último dia do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua. O assunto foi abordado pelo engenheiro civil e professor Leonardo Kazuya Higa em uma reflexão necessária durante a palestra “A engenharia está em crise… ou a forma de ensinar?”.

Instrutor de formação profissional em Construção Civil pelo Senai, Kazuya Higa iniciou a palestra, listando dados que demonstram um déficit de engenheiros no Brasil. “A taxa de matrículas em cursos de engenharia de 2015 a 2024 teve uma queda de 30%. Já a taxa de evasão é alta, passando de mais de 50% dos ingressantes. E em média apenas 35% dos estudantes chegam a se formar”, relatou.
“E por que tanta evasão?”, provocou o professor. Uma das explicações, segundo ele, vem da dificuldade dos jovens com disciplinas relacionadas a matemática e física, além da defasagem dos alunos na educação básica. A grade de ensino muito teórica e com pouca imersão na prática da realidade é outra questão crítica. Outro aspecto é que muitos acreditam que o mercado da engenharia está saturado ou eles têm medo de não se enquadrar no mercado e se tornar motorista de aplicativo.

Hoje especialista em transformar projetos em obras com qualidade, dentro do prazo e com controle preciso de custos, Higa contou que não teve, na faculdade, formação voltada à precificação de serviços. “Isso tem que ser mudado, incluindo na graduação o ensino de empreendedorismo, de educação financeira e estratégia de venda, pois o engenheiro que não aprende a vender, acaba sendo vendido”, pontou.
Ao concluir a palestra, Higa sugeriu soluções para inovar e aprimorar a formação de engenheiros: “Precisamos entender a geração de hoje; mudar a metodologia prendendo a atenção dos alunos; e promover uma imersão na realidade de forma visual, trazendo por exemplo o mercado para dentro da sala de aula, apresentando diversos nichos de atuação”.
Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
