
Brasília, 30 de janeiro de 2026
"De cada um desses lugares, saí uma pessoa diferente": o presidente do Confea, Vinicius Marchese, se referia à produção da série de minidocumentários "O Brasil que o Brasil não conhece", que registrou a realidade de cinco municípios que integravam o ranking dos detentores dos piores Índices de Progresso Social (IPS) do país.
TEASER:
Marchese fez a declaração ao abrir o painel que abordou os bastidores da série durante a programação do 15º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua. A série visitou os municípios de Ipixuna (AM), Japorã (MS), Santa Rosa dos Purus (AC), Cruz do Espírito Santo (PB) e Uiramutã (RR).
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Todos os integrantes da mesa eram da Região Norte, o que foi elogiado pela mediadora Alzira Miranda, presidente do Crea-AM, mas não sem antes conclamar: "nós, profissionais, não podemos deixar de olhar para o Brasil profundo, diverso e, muitas vezes, invisibilizado", disse, referindo-se aos técnicos de todo o país. Aos conterrâneos, disse que poderiam trazer a experiência de vivência da região. "Temos desafios muito específicos, logísticos, de distância, de clima, de acesso a serviços públicos, que moldam o cotidiano e a vida da população".
A mediadora alertou que o estado do Amazonas é o maior potencial hídrico do país e, ao mesmo tempo, não tem água potável para toda sua população. Entre outras questões que o Brasil não sabe sobre sua região, estão os custos do material de construção, conhecido como "custo amazônico": "uma saca de cimento em Santa Rosa dos Purus (AC) (terceiro episódio da série) custa mais de cinco vezes mais do que no restante do país. E a gente disputa as mesmas licitações, que são nacionais".

Alzira participou do primeiro episódio da série, em Ipixuna, no interior do Amazonas, a 1380 km de Manaus. Com 40% das residências sem banheiro, é o município brasileiro com menos sanitários por habitação no país. "Essa iniciativa demonstra que o Sistema já mudou, traz à tona que somos corresponsáveis por isso, precisamos estar atentos. O juramento que fazemos na faculdade é um alerta para todos os profissionais: não podemos nos esquecer das pessoas, nós trabalhamos para pessoas, elas estão inseridas no desenvolvimento sustentável".
Quem também participou do primeiro episódio em Ipixuna foi André Fernandes, participante da mesa, inspetor do Crea-AC. Para ele, que já morou e trabalhou no Paraná, às vezes fica difícil explicar as peculiaridades do Norte, por ser muito diferente. "Essa série vem para nos tocar - como profissionais e como pessoas - sobre como podemos contribuir naquela conjuntura, onde estão normalizadas certas realidades - como a baixa expectativa de vida, ou a falta de banheiros - e a pessoa está submetida àquilo apenas por que, por acaso, nasceu naquele CEP".
André contou que há diversos engenheiros em Ipixuna, mas que eles acham comum encerrar a vida aos 58 anos de idade e não fazem questão de melhorar as condições de saneamento para mudar essa realidade. "Esses municípios podem usar muito bem o apoio do Crea e de políticas públicas. O investimento em infraestrutura que protege vidas dá retorno. Se isso fosse quantificado, haveria mais investimento nesses municípios que o Brasil não conhece".
"A gente precisa do engenheiro olhando para o próximo, a gente precisa olhar para o outro como igual", ponderou o secretário de Obras do Acre, Ítalo Lopes. Ao concordar com as pontuações dos colegas, acrescentou: "o que pensamos em nível nacional de engenharia muitas vezes não se aplica na região norte. Aqui, muitas vezes o material de construção não está para pronta entrega, como em outras partes do país, por exemplo".

Ítalo defendeu a participação do engenheiro no planejamento das políticas públicas. "É maçante, é cansativo, as coisas práticas do dia a dia tiram nosso olhar do todo. Mas as cidades que progridem são aquelas que conseguem avançar nos planos. Nosso papel na engenharia tem uma função social muito forte".
Participante da mesa, o diretor administrativo da Mútua-RR celebrou a produção da série "O Brasil que o Brasil não conhece". "É inadmissível você ter um lugar exuberante como o nosso Norte sem pontes o suficiente. Temos que ter soluções inteligentes para esse Brasil que está escondido lá. Mas o Confea está trazendo esse assunto para o palco".
Eliezer lamentou que a desigualdade social no país seja impressa na diferença regional entre as expectativas de vida. "Essa realidade podem ser melhorada".
O 15º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua se encerra nesta tarde.
Beatriz Leal
Equipe de Comunicação do Confea
