Florianópolis, 28 de setembro de 2011.
Ciência, Tecnologia e Inovação foi o tema dos painéis da tarde do dia 28.09 na 68ª SOEAA. O primeiro deles abordou a Pesquisa e Inovação Tecnológica para o Desenvolvimento Brasileiro. O palestrante principal, Eng. Mecânico Décio Silva, do Grupo WEG/SC, concentrou sua explanação em dois aspectos: a descrição do cenário de desenvolvimento de tecnologia e inovação no Brasil em relação aos demais países e como o grupo WEG está inserido neste processo.
Em 2009, por exemplo, países desenvolvidos como EUA, Alemanha, Japão e Coréia investiram cerca de 3% em pesquisa e inovação enquanto que o investimento brasileiro foi de apenas 1,2%. Outra diferença está no percentual de investimentos entre o setor público e privado. Nos países que tem a pesquisa e inovação como prioridade, cerca de 60% do investimento é da iniciativa privada, enquanto que no Brasil o investimento maior ainda continua sendo por parte do governo. “O crescimento do Brasil ainda é tímido em relação aos demais países”, afirmou Décio.
Segundo ele as empresas têm motivos para o baixo investimento na área – carga tributária alta, variação cambial, custo Brasil – mas correm riscos. “Quem não visualizar a pesquisa e a inovação como ferramenta de crescimento enfrentará sérios problemas num mercado competitivo onde o conhecimento é o principal diferencial entre as organizações.” Para ele, o número de mestres e doutores na iniciativa privada ainda é baixo no país.
O palestrante reconheceu que o Brasil tem avançado em alguns aspectos por meio de iniciativas relevantes como a Lei de Inovação e que é preciso uma mudança cultural. “É necessário maior engajamento das empresas neste processo. As organizações precisam investir mais nas coisas intangíveis. Investir em conhecimento é diferente do que investir em equipamentos.”
Citou como desafios à inovação no Brasil o aumento em investimentos, melhoria dos investimentos por parte do setor governamental, sobretudo buscando evitar desperdícios, além de maior interação entre as universidades e instituições de pesquisa com a iniciativa privada, principalmente entre as pequenas e médias empresas.
Por fim, Décio destacou como a WEG tem se colocado no cenário nacional e internacional da pesquisa e inovação tecnológica. Ressaltou o investimento de 2% a 3% em pesquisa e inovação nos últimos anos, crescimento médio de 25% a ano, investimento em profissionais capacitados, sobretudo em mestres e doutores e foco na sustentabilidade por meio de produtos com baixo consumo de energia elétrica, além de projetos de energia renovável.
Décio revelou-se preocupado com o desperdício de conhecimento, um bem que considera estratégico" para o desenvolvimento de qualquer país, "veja Japão, Suíça, Coreia, exemplos de que altos investimentos em tecnologia retornam em crescimento e boa qualidade de vida para a população". Ele também insistiu na necessidade do "governo convencer, principalmente as pequenas e médias empresas, que colocar recursos em tecnologia não significa gasto, mas investimento".
Janelas de oportunidades - O segundo palestrante do painel foi Celso Manzatto, chefe geral da Embrapa Meio Ambiente. Para ele, o grande desafio do século 21 é aumentar a produção de alimento sem aumentar a área ocupada hoje pelo setor agropecuário, e sem ameaçar o equilíbrio ambiental.
Ao demonstrar que o Brasil tem 851 milhões de hectares, dos quais 555 milhões (65%) são de terras agricultáveis, e 329,9 milhões de ha são de terras em uso, Manzatto indicou a tecnologia como a ferramenta para alcançar esses objetivos e atribuiu ao "empreendedorismo do produtor brasileiro o sucesso do agronegócio".
Para ele, "esses desafios abrem janelas de oportunidades para todo o agronegócio brasileiro", e destacou que o Brasil tem que se preparar para a economia verde e para a agricultura descarbonizada.”
*Qualidade* - Equilíbrio fiscal e controle da inflação são os maiores desafios do país, na opinião de Maurício Teixeira, chefe do Departamento de Tecnologias Sociais da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), o terceiro a falar na tarde de hoje sobre Ciência, Tecnologia e Inovação.
Disponilibilizando recursos para as áreas de Saúde, Comunicação e para empresas investirem em pesquisa e desenvolvimento - estes na ordem de 18 bi de reais de 2010 a 2014 -, Teixeira destacou a necessidade de investimentos em segurança e na elaboração de um modelo próprio de crescimento, além da priorização da Educação.
Por último, Teixeira falou da necessidade de inovação com investimentos públicos e privados baseados em princípios que elevem a qualidade dos serviços prestados à população.
O painel foi encerrado por David Canassa, gerente de sustentabilidade do Grupo Votorantin que tem o a sustentabilidade em seu planejamento estratégico, buscando maior eficiência energética, aspecto fundamental para uma empresa que extrai recursos naturais.
Por Adriano Comin e Maria Helena de Carvalho
