Bahia, 27 de maio de 2015.
Pesquisa divulgada pelo Núcleo de Educação à Distância (Nead), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), aponta que cerca de 84% dos agricultores brasileiros não trocariam a vida rural por uma oportunidade de trabalho nas grandes cidades. Dados do Ministério indicam que o Brasil possui atualmente mais de 4,8 milhões de famílias de pequenos agricultores. Os números chamam atenção para a existência de uma nova realidade no país onde o êxodo rural convive com uma geração que valoriza o trabalho agrícola e busca a melhoria das condições de subsistência no campo.
Para o engenheiro agrônomo e coordenador da assessoria técnica do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), Eduardo Rode, a agricultura fixa o homem ao campo, gera renda e emprego evitando o deslocamento de populações rurais para os centros urbanos. Por isso, pensando a realidade regional, Rode afirma ser fundamental investir no desenvolvimento agrícola nas inúmeras regiões da Bahia. “É importante aproveitar a diversidade climática do nosso estado que permite a diversificação de culturas, possibilitando estratégias de produção e reduzindo o risco de insucesso do produtor. Para que o agricultor tenha êxito, deve contar com crédito agrícola, assistência técnica realizada por profissionais habilitados, centros de comercialização que reduzam o papel do atravessador e possibilitem o aumento da renda do produtor”, defende.
Feiras regionais, com o apoio das secretarias municipais de agricultura, que possibilitem a organização e comercialização direta do produtor ao consumidor também podem contribuir para o desenvolvimento agrícola de acordo com o coordenador do Crea. Ele destaca ainda a participação de profissionais como o engenheiro agrônomo e o técnico agrícola no acompanhamento da produção. “Entendemos ser necessário que a propriedade rural conte com um profissional como responsável técnico, contribuindo para aumentar a sustentabilidade ambiental da unidade produtora, tão almejada, cada vez mais exigida pelos mercados consumidores nacionais e mundiais e que possibilitará ao país manter-se entre os maiores produtores de alimentos”, ressalta.
Incentivo
O desenvolvimento de políticas públicas e o acesso a elas neste contexto é fundamental para o crescimento do pequeno produtor. Segundo o secretário Nacional da Agricultura Familiar do MDA, Onaur Ruano, “as ações desenvolvidas pelo MDA são ajustadas às necessidades dos agricultores e empreendimentos familiares, de acordo com o seu perfil socioeconômico, desde a elaboração de diagnósticos, planos e projetos, até um conjunto de atividades para apoiar as famílias rurais em todo o sistema de produção e gestão do estabelecimento”, explica.
De acordo com o Ministério, com o último Plano Safra 2014/2015, o crédito para o setor saltou de R$ 2,3 bilhões, em 2002/2003, para R$ 24,1 bilhões, o maior volume da história. No dia 21 de maio, a presidente Dilma Rousseff esteve com representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) em Brasília e afirmou que o Plano Safra 2015/2016 terá no mínimo R$ 25 bilhões. O plano será anunciado em junho pelo governo.
Fernando Barros (Crea-BA)
Com informações do Portal Brasil
