Fortaleza, 15 de abril de 2013
Compuseram a mesa no Plenário 13 de Maio, ainda, a deputada estadual Rachel Marques, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Educação Superior; e os deputados federais Chico Lopes, Ilário Marques e Gorete Pereira. Na representação das categorias profissionais envolvidas no debate, estavam presentes o presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva; o presidente da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), Angelo Petto; o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Ceará (Aeac), Ésio do Nascimento e Silva; o presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ), Walter Motta Ferreira; o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, José Maria dos Santos Filho; e o diretor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, Luiz Antônio Maciel de Paula.
A deputada Rachel Marques, que também se manifestou contrária ao PL, defendeu uma atuação multidisciplinar das categorias. “Hoje, os engenheiros-agrônomos e os médicos veterinários têm plena competência para exercer atividades ligadas à produção animal. Não queremos, com isso, nos manifestar contra a profissão de zootecnista, mas nos colocar em favor de uma atuação multidisciplinar, já que o número de profissionais da Zootecnia não atende ao mercado cearense”, defendeu.
Inconstitucionalidade
Para o presidente do Confea, engenheiro civil José Tadeu da Silva, o PL n° 2.824-A afronta a Constituição Federal, que aponta, em seu artigo 5°, a liberdade de trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. “O conhecimento é o que qualifica o cidadão para o que ele pode ou não exercer”, defendeu o engenheiro, lembrando que os cursos de Zootecnia autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) credenciam profissionais da engenharia agronômica e da medicina veterinária a ensinarem. “Se o projeto passar, o Confea irá arguir sua inconstitucionalidade”, completou.
Contraponto
Para o presidente da Associação Brasileira de Zootenistas (ABZ), Walter Motta, não haveria problema na convivência mútua das profissões na atividade econômica da produção animal. “O que defendemos é que a profissão de zootecnista deve ser atribuída somente aos profissionais que nessa profissão se formem”, afirmou. “Entendo, portanto, que o projeto de lei precisa ser aperfeiçoado”, completou.
Consenso
Para a deputada federal Gorete Pereira, a discussão deve direcionar para um consenso. “Lei nenhuma pode retroagir para prejudicar profissional de formação nenhuma. Por isso, esse projeto pode ter dois finais: ou arquivamento ou esclarecimento”, apontou.
O deputado Ilário Marques, também da Câmara Federal, defendeu o cuidado com a legislação e apontou a audiência pública como um momento esclarecedor. O parlamentar se mostrou contrário ao PL. “O projeto é fora do tempo e da realidade brasileira, pois estamos vivendo uma carência de técnicos e qualquer restrição hoje é inoportuna”, avaliou.
Ésio do Nascimento e Silva, presidente da Aeac, compartilhou a opinião dos que se mostraram a favor do exercício da profissão de zootecnista por engenheiros-agrônomos e médicos veterinários e fez um apelo para que “o Legislativo do Ceará ateste contra o projeto de lei”.
Manifestações
Ao final dos debates, a audiência pública abriu espaço para a manifestação do público presente ao Plenário 13 de Maio. A participação do professor Ribamar Furtado, da Universidade Federal do Ceará, teve destaque. Para o acadêmico, a preocupação não deve ser voltada para o campo de atuação, mas para o tipo de profissional que as universidades estão formando.
Alessandra Vital
Assessoria de Imprensa do Crea-CE
