Plano de prevenção de incêndio é destaque da Plenária do Confea

Brasília, 26 de junho de 2015.

Em alguns Estados – entre eles Rio de Janeiro e Mato Grosso - as corporações do corpo de bombeiro estão aceitando somente projetos de preventivo de incêndio elaborados por engenheiros que tenham especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho. Preocupados com essa realidade, a Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Civil (CCEEC) propôs que os Creas informassem às corporações de bombeiros, por meio de ofício, que engenheiros civis sem a especialização também possuem atribuições para elaboração de projeto de sistema de prevenção contra incêndio. Após passar pela Comissão de Ética e Exercício Profissional (Ceep), a proposta da CCEEC chegou ao plenário do Confea.

Após intensa discussão entre os conselheiros federais, por dez votos - dos 17 conselheiros presentes - a proposta da CCEEC não foi acatada, porém ainda tramitará nas Comissões de Educação e Atribuição Profissional (Ceap) e de Organização, Normas e Procedimentos (Conp). O maior ponto levantado para a rejeição da proposta foi a existência da Lei nº. 7.410/1985, que dispõe sobre a especialização em Segurança do Trabalho e a profissão de técnico de segurança do trabalho. “Existe uma lei que exige essa especialidade. Estamos batendo de frente com uma lei que devemos cumprir. Desde 1985 essa questão está decidida e muito clara, a Lei diz o que pode e o que não pode”, defendeu o conselheiro federal e engenheiro agrônomo Daniel Salati. Da mesma opinião partilha a vice-presidente do Confea, eng. eletric. Ana Constantina Sarmento, que lembrou que não cabe ao Confea regulamentar sobre uma lei já estabelecida.

"Jovanilson Faleiro defende que proteção de vidas é atribuição da Segurança do Trabalho"

Participando da Sessão Plenária com direito a voz, o coordenador nacional das Comissões de Ética dos Creas, eng. eletric. seg. trab. Jovanilson Faleiro, questionou por que o ofício seria encaminhado esclarecendo apenas sobre a posição dos engenheiros civis. “Não existe construir um prédio sem envolver todos os profissionais: civil, mecânico, eletricista, segurança do trabalho etc. Somos uma equipe, somos engenheiros, cada um com sua formação e especialização”, disse, após explicar a diferença entre o dimensionamento de um projeto e projetos de proteção de vidas. “Quando fazemos a especialização em Segurança do Trabalho, aprendemos a lidar com vidas dentro de ambientes. Mas, no momento de fazer um projeto, precisamos do engenheiro civil e do engenheiro mecânico, pois são quem têm a capacidade de dimensionar aquele projeto de combate a incêndio”, esclareceu.

"Alfredo Diniz lembrou do papel do engenheiro eletricista nos sistemas de prevenção contra descargas elétricas"

Coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica (CCEEE), o engenheiro eletricista Alfredo Diniz também defendeu que a proposta da CCEEC não deveria ser específica apenas para a Engenharia Civil. “Quando faço uma proposta que afete a todos os profissionais do Sistema, eu tiro a palavra ‘eletricista’, pois vai atingir a Engenharia como um todo, como acredito ser o caso desta matéria”. Diniz aproveitou a oportunidade, ainda, para lembrar que os engenheiros eletricistas participam de projetos de prevenção nos sistemas de proteção contra cargas atmosféricas (para-raios) e de circuitos elétricos.

Por outro lado, os conselheiros federais e engenheiros civis Marcos Motta e Leonides Alves lembraram que a proposta da CCEEC não estabelece a defesa da execução dos projetos de prevenção exclusivamente para a Engenharia Civil, mas também para a Engenharia Civil. “A ideia não é impedir que outros engenheiros também façam os projetos”, disse Leonides, mas lembrou que antes da criação do curso de especialização em Segurança do Trabalho, a atribuição dos projetos de prevenção contra incêndio era do engenheiro civil. “Por que o surgimento de um curso resulta na exclusão de um conhecimento que o engenheiro civil sempre teve?”, questionou. “A engenharia civil está sendo impedida de fazer projetos de combate a incêndio! A ideia não é tomar atribuição das outras modalidades, mas apenas que os engenheiros civis possam continuar fazendo os projetos”, defendeu Marcos Motta.

"Conselheiro federal Marcos Motta teme que Engenharia Civil perca atribuições"

Coordenador da Comissão de Ética e Exercício Profissional (Ceep) – que se posicionou em não acatar a proposta da CCEEC -, o eng. mec. Paulo Roberto Viana explicou que, para consolidar seu posicionamento, a Ceep ouviu as Coordenadorias de Civil e de Segurança do Trabalho. “Após a criação do curso de especialização em Segurança do Trabalho, as tecnologias de prevenção evoluíram muito. Essa evolução tecnológica dá o diferencial e isso levou a Ceep a se posicionar dessa forma”, explicou.

De acordo com a Decisão Plenária aprovada, embora os Creas não oficiem os corpos de bombeiros quanto à atuação dos engenheiros civis nos projetos de prevenção de incêndio, a proposta da CCEEC subsidiará o processo em tramitação no Confea que propõe uma decisão normativa acerca das atribuições em sistemas de proteção contra incêndio, explosões e pânico.

Beatriz Leal
Equipe de Comunicação do Confea