Profissionais da geologia discutem os avanços da gestão integrada de áreas de risco

Salvador (BA), 26 de setembro de 2014.

"Géologos debatem soluções para áreas de risco"

A preocupação com a gestão integrada de áreas de risco motivou a participação dos geólogos e engenheiros no debate “Planejamento urbano, rural e obras de engenharia”, promovido durante o 47º Congresso Brasileiro de Geologia, evento realizado em Salvador (BA) até esta sexta-feira (26/9), e que tem a participação do Sistema Confea/Crea e Mútua, em parceria com o Crea-BA.

As ações adotadas pelo setor público no monitoramento dos desastres foram apresentadas na palestra do geólogo Jorge Pimentel, que atua no CPRM – Serviço Geológico do Brasil, empresa vinculada ao Ministério de Minas e Energia. O especialista detalhou o planejamento do setor para o período 2012-2015 que, segundo ele, já resultou em relevantes soluções para o problema. “Tivemos grandes avanços na área de legislação, com a criação da Lei 12.608/2012 e alterações na Lei 12.340/2010, e estamos conseguindo integrar órgãos públicos no gerenciamento de riscos. Também fizemos uma revolução na cartografia, com mapeamento de 821 municípios prioritários, além do que avançamos na construção de metodologias”, destacou o especialista.

Pimentel defende a continuidade deste planejamento. “Nesse setor, há necessidade de constante progresso para que não haja descontinuidade das ações. Por isso, é fundamental que a iniciativa seja adotada em um plano de Estado”, afirmou.

"Geólogo Jorge Pimentel"

Apesar dos inúmeros avanços, o geólogo pontuou que ainda há desafios a serem superados. “Há necessidade de respostas rápidas para os problemas; o conhecimento ainda está em construção; temos que lidar com possíveis sobreposições de ações; e algumas atividades são incompatíveis com competências funcionais”, observou Jorge Pimentel. 

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Durante toda esta semana, o 47º Congresso Brasileiro de Geologia promoveu debates sobre temas de relevância mundial, como mapeamento geológico, prospecção mineral, geoestatística e sensoriamento remoto. Foram divulgados mais de dois mil trabalhos, divididos entre 30 simpósios, 13 sessões temáticas, dos quais 700 trabalhos foram apresentados na forma oral.

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Intercâmbio Brasil-Japão


O projeto Gestão Integrada de Riscos de Desastres Naturais (Gides) foi uma das ações detalhadas durante o fórum, que teve continuidade com a palestra de Toshiya Takeshi, representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão, órgão conveniado ao Brasil para o fortalecimento da estratégia de monitoramento de desastres no País.

"Palestrante Toshiya Takeshi"

A iniciativa, adotada em julho de 2013 e que tem duração de quatro anos, envolve diversos órgãos do governo brasileiro, como os ministérios da Integração, Cidades, Ciência e Tecnologia, Minas e Energia, além de instituições públicas estaduais. No momento, o projeto está em fase experimental em Blumenau (SC), Petrópolis e Nova Friburgo (RJ), onde são adotadas melhorias de metodologia e práticas de monitoramento. “A partir daí será possível avaliar resultados a fim de que sejam adotados em todo o Brasil”, explicou Takeshi.

Segundo o representante do governo japonês, são inúmeros os benefícios da gestão integrada. “Entre os resultados esperados estão a elaboração de manuais de análise de risco para uso no planejamento da expansão urbana e reconstrução de áreas; fortalecimento da cultura de prevenção; sensibilização de gestores, das comunidades expostas a riscos e da população por meio de campanhas educativas e matérias de divulgação; compartilhamento de experiências e tecnologia de monitoramento, prevenção e alerta, gerando transferência de conhecimento entre os profissionais e pesquisadores do Brasil e Japão; além do fortalecimento da cooperação entre órgãos públicos”, afirmou Takeshi. 

"Geólogo Álvaro Rodrigues"

Papel dos geólogos


A rodada de debates teve ainda a participação do geólogo e consultor Álvaro Rodrigues dos Santos, que defendeu o uso da carta geotécnica na prevenção de riscos e desastres. “Elaborar esse instrumento que auxilia no planejamento urbano, evitando a ocupação desordenada causadora de acidentes, é responsabilidade dos profissionais da geologia”, afirmou o consultor e autor de várias publicações sobre o tema.

Ainda sobre o assunto, Álvaro ressaltou a importância do diálogo entre geólogos e engenheiros no sentido de evitar desastres. “É o profissional da geologia que tem a capacidade de enxergar o movimento. Por isso, ele tem a responsabilidade de informar aos engenheiros o quadro completo dos fenômenos geológico-geotécnicos que podem ser esperados da interação entre as solicitações típicas do empreendimento que foi ou será implantado e as características geológicas [materiais e processos] dos terrenos por ele afetados”, finalizou.

Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: Cláudia Macedo