Profissionais e representantes da Engenharia Química reúnem-se no Confea

Brasília, 2 de junho de 2014.

"Coordenador do Cden, eng. alim Gumercindo Ferreira; vice-presidente do Confea, eng. mec. Julio Fialkoski; coordenador da CNCCEQ, Carlos Alberto Anjos, e superintendente de Integração do Sistema Confea/Crea e Mútua, eng. civ. José Gilberto Campos na mesa de abertura do Encontro Nacional da Engenharia Química"
Soluções para problemas como sombreamentos internos e externos da modalidade Engenharia Química começaram a ser desenhadas, com mais intensidade, desde a manhã desta segunda-feira (02/06), no plenário do Conselho Federal de Engenharia Química, onde teve início, o Seminário Nacional da Engenharia Química  - Reunião dos Conselheiros Regionais e Federais e entidades do Sistema Confea/Crea e Mútua. Cerca de 70 participantes de todo o país, devem fornecer, até amanhã, uma carta de proposições a partir do atual contexto enfrentado pela modalidade.

Na primeira palestra do evento, o professor e coordenador do curso de Engenharia Química da Universidade de Brasília (UnB), engenheiro químico Fabrício Machado, descreveu os desafios para a implementação do curso, há dois anos. Ao lado do coordenador da Coordenadoria Nacional das Câmaras de Engenharia Química, Carlos Alberto Rodrigues Anjos, ele considerou a necessidade de o Crea-DF estabelecer um maior contato com o curso. “Temos que estreitar os laços. Existe isso, mas para mim isso foi tardio”. 

"Palestrante Fabrício Machado, coordenador do curso de Engenharia Química da UnB: aproximação com o Crea"
Com base em dados de Fabrício, o coordenador do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), engenheiro de alimentos Gumercindo Ferreira da Silva, abordou a necessidade de o governo federal ter uma participação maior no mercado de universidades e questionou a iminente possibilidade de o curso contar com a modalidade de ensino a distância. “Sou pessimista em relação aos novos cursos, principalmente os cursos a distância. Ainda não temos cultura para isso. Somos paternalistas ao extremo na universidade, isso não funciona. Exigem uma dedicação diferenciada no órgão, não acredito que isso vai funcionar, sequer os semipresenciais funcionam. Ainda não estamos preparados para isso”, argumentou o coordenador do curso de Engenharia Química da UnB.

Conflitos e sombreamento

No período da tarde, o presidente do Confea, engenheiro civil José Tadeu da Silva, abriu a retomada dos trabalhos, desdobrando-se entre o Encontro da Engenharia Química e a reunião extraordinária do Colégio de Presidentes, que também está sendo realizada em Brasília. José Tadeu compôs a mesa em que era debatido o tema “Fiscalização profissional da Engenharia da Modalidade Química e a questão Confea/Crea x CFQ/CRQ”, com as participações do advogado do Confea, João Augusto de Lima, e do procurador jurídico do Crea-RJ, Renato Luiz Csaszar. Neste debate, mantendo a tônica das discussões matutinas, foram levantados vários pontos em relação aos sombreamentos com o Conselho Federal de Química.

"Engenheiro civil José Tadeu da Silva, presidente do Confea, ao lado do advogado do Confea, João Augusto Lima, e do procurador jurídico do Crea-RJ, Renato Luiz Csaszar"
O presidente do Confea chamou atenção para a forma democrática e participativa com que o Confea está tratando as questões das modalidades. “Aprendi, em 30 anos de Sistema, que toda vez que colocamos todos juntos, dá uma confusão danada, cada um puxa a sardinha para a sua brasa. Temos demandas que não foram resolvidas no passado. Aqui tem uma questão histórica do Conselho de Química e Confea, que já vinha de longa data. A única saída que considero mais plausível seria promover os encontros das modalidades. Se reunimos todas as pessoas da Engenharia Química e vocês passam aqui dois dias discutindo, certamente o produto que sairá daqui será levado ao plenário do Federal. Daí vamos encontrar saídas para esses embates. Levamos para Cuiabá os conselheiros regionais e outras lideranças da Agronomia. Recentemente, fizemos esse tipo de encontro em Maceió, reunindo Conselheiros e lideranças da Engenharia Civil. Tanto o pessoal da Agronomia como o da Civil elogiou bastante, não tenho dúvidas de que isso também será assim aqui”.

O presidente do Confea lembrou que as discussões são feitas no plenário, normalmente, sobre o tema, mas ainda são necessários mais subsídios. “Os conflitos existem, mas nós também existimos para resolver problemas para a sociedade, e vamos resolvê-los. Temos que esmiuçar as questões, propondo caminhos. Para que isso ocorra temos que fazer esse encontro, discutindo os problemas. Quero me colocar à disposição de vocês, sabemos esses problemas sérios do sombreamento. O que a sociedade espera de nós? Que exerçamos nossas missões para atender à demanda da sociedade. Assim, temos que pautar nossas discussões da melhor maneira possível, para que a gente possa conduzir nosso Conselho da melhor maneira possível”. Em seguida, José Tadeu desejo que este fosse o início de outros encontros para avançar e conseguir os objetivos de todos. “Agora é hora de nos unirmos para ter força para sermos vitoriosos. Quem vai ganhar com tudo isso é a sociedade e a engenharia química do país”, ressaltou.

"Coordenador da Coordenadoria Nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Química, Carlos Alberto Rodrigues Anjos"
Confira a seguir entrevista com o engenheiro de alimentos Carlos Alberto Rodrigues Anjos, coordenador da Coordenadoria Nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Química.

Como o senhor avalia a importância desse Encontro para a modalidade?

Esse encontro de âmbito nacional traz para a Engenharia Química uma importante contribuição para o relacionamento com as instituições de ensino, para a revitalização das câmaras especializadas de Engenharia Química em todos os Creas e principalmente avançar com a fiscalização da modalidade. A ideia da fiscalização é focar o profissional da Engenharia Química. Nesses dois dias, a gente deve discutir não só assuntos relevantes para a modalidade, mas também produzir uma carta de definições e desejos do que a Engenharia Química tem no sentido de avançar. 

Em que sentido, um evento como esse fortalece a modalidade?

Esse evento, se a gente conseguir perenizá-lo no Sistema Confea/Crea, ele vem trazer avanços muito importantes na discussão dos problemas nacionais, principalmente, na formação dos egressos. Estamos vendo que está havendo uma mudança muito grande dos cursos da modalidade Engenharia Química, que inclui a Engenharia de Alimentos, Engenharia Têxtil, Engenharia de Petróleo e Engenharia de Materiais. Sabemos que os currículos mudam, as grades mudam e as competências mudam, e, certamente, o Sistema Confea/Crea não pode ficar distante disso. Esses encontros vêm trazer uma atualização muito interessante para a discussão destes assuntos para a evolução da modalidade.

Qual seria sua expectativa para esses dois de trabalho?

Nossa expectativa é muito grande, no sentido de integrar os conselheiros regionais com os conselheiros federais, de maneira a avançar principalmente na problemática que envolve o atual registro dos engenheiros no Sistema, e o conflito de interesses com outros conselhos de classe. Certamente, os egressos das universidades se sentirão muito mais seguros na formação desses alunos e alunas.

Essa reunião contribui para a integração do Sistema Confea/Crea e Mútua?

Não tenha dúvida, se a gente conseguir perenizar essas reuniões, anualmente, elas serão muito úteis, no sentido de atualizar e avançar. Isso só vem a engrandecer a categoria, e o Sistema Confea/Crea fica muito envolvido. Não temos outra maneira de fazer, senão agradecer toda essa evolução que estamos tendo, principalmente o apoio dos conselheiros federais.

O que deve ser priorizado na Carta que vai ser apresentada amanhã?

A Carta vai versar, principalmente, sobre as principais demandas que ora afetam a modalidade da Engenharia Química, que são a aproximação com instituições de ensino, melhorar o sistema de fiscalização da modalidade e, principalmente, uma tentativa de aproximação com o Ministério da Educação para que a gente consiga trabalhar em sintonia na formação dos egressos.

Nesse primeiro dia, o debate sobre sombreamentos foi bastante intenso. Essa deve ser a tônica do Encontro?

No período da tarde do primeiro dia, esse tema deverá ser aprofundado, nós vamos ter apresentações da área jurídica, que vai abordar com bastante propriedade este tema, e no período da manhã deste primeiro dia, a gente viu que as manifestações já foram intensas, no sentido de trazer ações, trazer planos de como trabalhar a situação de conflito. Eu acho que o segundo dia vai ser bem mais intenso em discussões, e tirar as dúvidas dos conselheiros regionais.

Henrique Nunes

Equipe de Comunicação do Confea