Brasília, 1 de setembro de 2014.
“Na verdade, o seminário se estende ainda para outras vertentes, além dos condomínios residenciais, industriais e comerciais, abordando também as configurações utilizadas nos centros das cidades”, ressaltou Ternes. O evento foi aberto por uma palestra do assessor da presidência do Confea, engenheiro eletricista Edison Flávio Macedo, a respeito do tema da Engenharia Pública, sob o prisma do projeto de lei 13/2013, relativo à integração da Engenharia e da Agronomia no rol de carreiras essenciais e exclusivas do Estado. “A chancela de carreiras essenciais de Estado para a Engenharia e a Agronomia representará uma conquista da sociedade brasileira”, afirmou Macedo. “A retomada do desenvolvimento repercute intensamente na demanda de serviços de engenharia, nas áreas de transporte, energia, telecomunicações, desenvolvimento e inovação industrial, agrícola, científico e na área da meteorologia, geografia e geologia, entre outras”. E argumentou, enfaticamente: “Apenas os engenheiros fazem Anotações de Responsabilidade Técnica, garantindo, em toda a sua extensão, o serviço contratado”, justificando sua expectativa pela aprovação do projeto, diante de profissões capacitadas ao tratamento destes conteúdos e carreiras habilitadas com níveis remuneratórios compatíveis. “Estamos correndo a fim de gastar energia para o reconhecimento das carreiras dos profissionais do Sistema”, ressaltou.
Nos dois dias seguintes, os painéis e palestras apresentaram uma amostra do avanço apontado pela indústria e pelas pesquisas sobre as redes subterrâneas de energia para condomínios residenciais, industriais, comerciais e ainda para as cidades - da produção de novos equipamentos ao planejamento para a melhor eficácia de seu uso. Palestrantes e painelistas receberam exemplares das obras “Discutindo o papel da Engenharia Pública”, do assessor da presidência do Confea, e “Tempo de Construir”, que marca os 80 anos da Associação Catarinense de Engenheiros.
A atuação do Confea no seminário foi intensa. A distribuição do livro de Edison Macedo ocorreu durante todo o seminário. Os participantes também preencheram cerca de 100 questionários de avaliação, e o estande do Confea obteve mais de 70 visitas diárias. A contribuição do engenheiro eletricista Sérgio Cequinel, coordenador da Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica (CCEEE), também encontrou receptividade pelos profissionais, na manhã do segundo dia da programação. “Faz parte do nosso plano de ação nos aproximarmos das entidades de classe, órgãos e empresas”, destacou Cequinel, em entrevista ao Confea.
O coordenador da câmara de Engenharia Elétrica do Mato Grosso, Lauro Leocádio da Rosa, destacou que “a valorização profissional é fundamental para que o Sistema esteja mais próximo da comunidade, propondo soluções para conflitos urbanos. Cuiabá, por exemplo, não foi planejada e sofre com esse problema da rede aérea. Este seminário trouxe palestras excelentes para ajudar a reverter este quadro”. Na visão do coordenador da câmara de Engenharia Elétrica do Crea-SC, Raimundo Nonato Robert Gonçalves, o seminário envolve “uma discussão específica com soluções, legislações, planejamento. Tem tudo a ver com a valorização profissional”.
Ao responder ao questionamento da engenheira eletricista Tatiane Haepers, da Cooperativa Fumacense de Eletricidade (Cermosul-SC), sobre sombreamentos com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Cequinel apontou que “arquiteto não faz projeto elétrico, sua tarefa é apenas acompanhar este procedimento exclusivo dos engenheiros. A modalidade elétrica pertence à modalidade elétrica”. “E em caso de dúvida, só pode ser resolvido consensualmente com o Confea”, lembrou o conselheiro da câmara de Engenharia Elétrica do Crea-SC, Nahor Cardozo Júnior.
Cequinel considerou ainda a possibilidade de que o próximo Seminário discuta problemas que atingem diretamente o segmento de redes subterrâneas, como a resolução 581 da Aneel. “Vou sugerir que o próximo evento debata a questão da resolução 581 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) porque as empresas em condições de brigar por este mercado não vão poder, pois ele está sendo monopolizado pelas concessionárias. Precisamos que a Aneel participe deste seminário”, informou Cequinel, em entrevista ao Confea, sugerindo ainda que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também seja convidada.
Cenários e soluções
< O pesquisador sustenta que a rede subterrânea “já nasce com custo maior”. E destacou a importância do planejamento tático para as empresas adequarem-se a um mercado com perspectivas de evolução. “É preciso um diagnóstico ano a ano e continuamente ver como resolver as demandas”. Ainda sobre planejamento, ele ressalvou as mudanças na economia, planos diretores e operações urbanas como fatores que permitem mudar o “gabarito”. Outro aspecto considerado por ele é a maior previsibilidade das redes em condomínios, em relação às redes urbanas, com exceções como alguns tipos de galpões industriais. “Existe sobredimensionamento por não se avaliarem as demandas dos consumidores. As redes subterrâneas urbanas também exigem negociações com outros agentes, considerando que a redução de escavações interfere nas obras civis”. A automação da rede e o monitoramento da sua condição, como a atenção às sobretensões recebidas pela rede aérea, nos casos em que não são 100% subterrâneas, são outros fatores a ampliar a complexidade deste sistema. “Falar que isso é cinco vezes mais caro é uma pobreza de espírito”, acrescentou, falando, em seguida, da necessidade de adequar o uso de dutos às normas vigentes, tema também levantado pelo engenheiro e consultor Hilton Moreno, em relação à Portaria n. 51 do Inmetro sobre Certificação de Instalações Elétricas em Condomínios. “Por enquanto, essa certificação é voluntária, mas, em breve, a instalação elétrica de baixa tensão deverá ser certificada pela Aneel, como já acontece com parte dos produtos. A responsabilidade é da Aneel, mas não há vontade política. A melhor rede do mundo não adianta sem a melhor instalação, que precisa, primeiro, ser segura”. Já o gerente comercial da S & C, Fábio Pfeiffer, falou sobre “Proteção e manobra em redes subterrâneas – cases e perspectivas”. Ao representar “a empresa norte-americana centenária especialista em excelência na chave de manobra”, Pfeiffer destacou vantagens como a segurança para a população e os operadores, a diminuição de custos e padrões estéticos otimizados. “É preciso que a chave seja submersível, com uso adaptado a ambientes agressivos. A chave pode ficar até três metros submersa”. Modelos norte-americanos As dificuldades dos cenários brasileiros para o aterramento das redes de energia foram contextualizadas em relação ao cenário mundial, na palestra“Enterramento de Redes: Políticas Públicas para Conversão de Redes Aéreas”, da economista Teresa Duclos, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em um rigoroso levantamento, ela analisou alguns dos modelos de gestão norte-americanos e australianos, em uma pesquisa que inclui ainda modelos europeus. “Nos Estados Unidos, isso começou no final da década de 60. E tudo o que fosse construído, seria aterrado. Tem cidades com 75% aterrados. A regulação não é federal, as comissões reguladoras de serviços públicos favorecem o compartilhamento com outras atividades de serviços públicos. Em Massachusetts, o financiamento é feito por contribuintes e consumidores, inicialmente, os próprios beneficiários do serviço. Já na Austrália, em geral, se repassa por tarifas e impostos locais". Confiabilidade, segurança pública, redução de custos com uso de novas tecnologias e estética e valor da propriedade são as principais vantagens desta lógica que ainda representa um grande desafio para as capitais e médias cidades brasileiras. “Além desses aspectos, o aterramento distribui a carga de forma mais econômica”. A pesquisadora considera também que os custos variam conforme premissas como solo, gestão, número de fornecedores do serviço, densidade da população, tipo de serviço da concessionária, usos subterrâneos conflitantes com outros serviços como água, esgoto e gás, custos de escavação e engenharia e conversão de equipamentos para reconectá-los ao sistema subterrâneo. “Em geral, quem decide onde vai haver a obra é o município. Na Califórnia, os equipamentos como transformadores foram mantidos acima do solo por ser mais fácil, rápido, seguro e mais barato”. Normas As distribuidoras também foram diretamente representadas no seminário. Enquanto o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que reúne 42 concessionárias, estatais e privadas, engenheiro Nelson Fonseca Leite tratou da “Situação das Distribuidoras de Energia Elétrica no Brasil”, o presidente do Grupo Celesc, engenheiro Cleverson Siewert, tratou do “crescimento do mercado catarinense”, ao passo que o presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), engenheiro Vlademir Santo Daleffe, abordou “A crise no setor elétrico e o impacto nos consumidores do Paraná”. “Empresa responsável pela maior rede de distribuição subterrânea da América Latina”, a concessionária Cemig editou norma para as redes de distribuição subterrâneas para condomínios em Minas Gerais. Segundo o engenheiro Edmilson José Dias, “a norma diz que o atendimento de cargas é de dez anos para evitar retrabalhos”. Ela também proíbe a energização da rede por etapas. Ele destacou ainda um dos obstáculos para o avanço do segmento de redes subterrâneas de energia: a mão de obra especializada. Henrique Nunes Equipe de Comunicação do Confea Fotos: Elis Pereira - Imagem e Arte
