Brasília, 24 de maio de 2011.
“Os compromissos governamentais – planos de governo e matriz de responsabilidade da Fifa” foi o tema do primeiro painel da audiência pública que está sendo realizada hoje, em Fortaleza (CE), pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), em parceria com o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Ceará (Crea-CE).
O secretário especial da Copa 2014 do governo do Estado do Ceará, Ferrúcio Feitosa, primeiro palestrante, falou sobre a matriz de responsabilidade e o projeto da reforma do estádio Castelão. Ele conta que em 2009 foram escolhidas as doze cidades-sede, porém, antes mesmo de a capital ser escolhida, um grupo de trabalho foi criado e a partir dele nasceu uma série de projetos para a cidade. Entretanto, segundo ele, apesar de as obras da Copa não resolverem todos os problemas, o evento veio antecipar uma série de obras que não seriam feitas caso ele não ocorresse.
Feitosa fez uma breve apresentação da relação de projetos sob a responsabilidade do governo municipal, estadual e federal. Sob os cuidados do governo do Estado do Ceará, destacou a reforma do Castelão, uma obra iniciada em 2010 com previsão de término para 2012 e o acréscimo de duas estações da linha sul do metrô de Fortaleza. Segundo ele, as obras sob a responsabilidade estadual somam a quantia de R$ 819 milhões.
As obras da Prefeitura de Fortaleza são: o corredor norte-sul (via expressa), que deve ser concluído em julho de 2013, os BRTs (bus rapid transit) na avenida Dedé Brasil e Raul Barbosa , o alargamento da Alberto Craveiro e as melhorias da avenida Paulindo Rocha. “São cinco obras no valor total de R$ 261,5 milhões”.
O governo federal, por sua vez, é responsável pela reforma do aeroporto Pinto Martins e pela obra do terminal de passageiros do porto de Mucuripe, com previsão de término em outubro e dezembro de 2013, respectivamente. O total dessas obras atinge o montante de R$ 444,3 milhões.
Quanto às obras sob responsabilidade do Estado, Ferrúcio afirmou que a linha do VLT terá uma extensão de 13km e com previsão do tempo do percurso em torno de 20 minutos para todo o trajeto. Segundo ele, 20% da população reside em 22 bairros nas áreas próximas à linha do VLT e cerca de 60% das empresas também estão próximas à área que irá transitar o VLT.
Em relação à reforma do estádio Castelão, ele falou sobre algumas alterações que vão beneficiar os torcedores: a obra permitirá que os torcedores fiquem a apenas 10 metros dos jogos, com visão desimpedida, ou seja, tendo 100% de visibilidade de qualquer lugar. Haverá, ainda 2.200 vagas de estacionamento e 19 acessos, fazendo com que haja mais rapidez na entrada do estádio. “Isso também permitirá atender às normas da Fifa de evacuar, em caso de algum problema, todo o estádio em 8 minutos”.
Por último, falando sobre a questão ambiental, o secretário destacou que todo o concreto que está sendo retirado com a reforma, está sendo reciclado em uma usina de reciclagem na própria obra, que transforma o material em brita e vai ser utilizado na base do estacionamento.
O aeroporto Pinto Martins
O superintendente de estudos e projetos da Empresa Brasileiro de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Jonas Maurício, falou sobre a execução das obras e serviços de engenharia para reforma, ampliação e modernização do terminal de passageiros (TPS), adequação do sistema viário de acesso e ampliação do pátio de estacionamento de aeronaves do aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza. “A preocupação maior da Infraero não está relacionada com o evento pontual, mas reside, gradativamente, em curto, médio e longo prazos. Envolve planejamentos que vão chegar a 2015, 2020, 2025”...
Sobre alguns problemas que envolvem a utilização dos aeroportos, Jonas comentou que a Copa do Mundo é fortemente marcada pela visita de convidados, chamados VIPs. “Tanto na Alemanha, que estava mais preparada, quanto na África do Sul, uma das preocupações era o que fazer com as aeronaves dessas pessoas”, ressaltou. De acordo com ele, com o pátio lotado, torcedores que estavam em dois ou três voos perdiam a oportunidade de entrar no estádio porque a aeronave tinha de ficar circulando no espaço aéreo, sem poder pousar. Em sua opinião, é necessária a coordenação entre diversas entidades para planejar como o país lidará com essa questão, não somente a Infraero, mas a Prefeitura, o Estado, o Decea, a Anac, e outros órgãos. “Esse trabalho não pode recair em apenas uma entidade, deve ser uma conjugação de esforços.”, frisou.
Jonas contou ainda que esse empreendimento, que está beirando os R$ 400 milhões, abrange a reforma, ampliação e execução de obras complementares - por exemplo, a construção de um edifício-garagem. De acordo com ele, o aeroporto possui hoje 38 mil metros2, e, em 2014, essa área deverá ser ampliada para 116 mil m2 e, em 2016, 135,7 mil m2. Em relação ao licenciamento ambiental, afirmou que foi encaminhado um relatório complementar para o órgão responsável pela liberação da licença de instalação e, em breve, ela deverá estar liberada.
“Por coincidência, ainda hoje teremos a audiência pública de licitação do edital da obra”, lembrou. Assim, daqui 15 dias úteis, segundo ele, o edital já deverá estar publicado. O superintendente também ressalta que o edital está sendo feito com base nas recomendações do Tribunal de Contas da União para o aeroporto de Cofins. “Estamos tendo todos esses entendimentos para evitar problemas burocráticos posteriores”.
Uma grande transformação do aeroporto, segundo Jonas, será a definição do meio fio em nível operacional. Ele explica: “de modo bem geral, sobre o sistema viário do aeroporto de Fortaleza, temos uma metodologia de definição do meio fio em nível operacional. A partir de 2014, vamos transformar o aeroporto em dois níveis operacionais: o passageiro que for embarcar vai pegar o meio fio de cima e o que for desembarcar, o de baixo. Essa talvez seja a principal transformação do aeroporto”, disse. Ao concluir, afirma: “Fortaleza, seguramente, vai ficar com um dos aeroportos mais qualificados da região nordeste”.
Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea
