Saiba um pouco mais sobre outros projetos premiados no Contecc

Brasília, 07 de agosto de 2014.

Nesta quinta-feira (7/8), o Confea continua a divulgar mais 10 dos 21 trabalhos vencedores,  conforme critérios estabelecidos pelo regulamento do Congresso Técnico e Científico da Engenharia e da Agronomia (Contecc). Na quarta-feira (6/8), foi produzida uma matéria com outros sete trabalhos selecionados. Na medida em que os pesquisadores atendam à solicitação da Gerência de Comunicação do Confea, relativa a detalhamentos de seus trabalhos, será dado prosseguimento à sua divulgação. Vale lembrar que a classificação não ranqueia os trabalhos, apenas os separa por áreas temáticas. Os 21 trabalhos destacados serão apresentados diretamente pelos autores.

Um dos trabalhos é sobre “manejo de cultivo do pirarucu no centro de pesquisa em aquicultura Rodolpho Von Ihering Pentecoste (CE)”, que teve como finalidade esclarecer a base da metodologia do cultivo do pirarucu em cativeiro, aplicada no centro de pesquisa. De acordo com a autora e graduanda em Engenharia Agrícola, Daniele Ferreira de Melo Costa, quando se refere à produção e à relação do cenário econômico, pode-se destacar que o pirarucu criado em cativeiro possui uma relação custo/benefício favorável à sua produção e grande valorização da espécie no mercado nacional e internacional. “Concluímos que o cultivo do pirarucu em cativeiro tem um grande potencial comercial, porém necessita de investimentos em suas pesquisas para obter sucesso no mercado”, adverte Costa.

A degradação ambiental da bacia hidráulica do açude de Bodocongó, em Campina Gande (PB), foi objeto de estudo do mestre em Engenharia Agrícola e doutor em Recursos Naturais, João Miguel de Moraes Neto.  Segundo o pesquisador, o açude de Bodocongó vem sofrendo degradações devido à invasão de áreas de proteção permanente, desmatamento de matas ciliares e à pressão da urbanização. “Para o estudo foram utilizadas técnicas de geoprocessamento e processamento digital de imagens de satélite. Foi realizado o estudo espaço-temporal da degradação ambiental em toda área da bacia entre o período de 1989 e 2013, buscando-se compreender toda a dinâmica da degradação ocorrida na bacia ao longo destes anos”, explicou Neto, que, durante o Contecc, apresentará oralmente esta pesquisa.

Pimenta, coberta e arado

As pimentas são uma alternativa para aumentar a vida útil do queijo. Essa foi a conclusão do trabalho de pesquisa da professora e doutoranda Letícia Fleury Viana,  "O efeito de antimicrobianos naturais sobre a contaminação in vitro de Escherichia coli em queijos minas frescal”. Viana avaliou o queijo minas frescal com adição de diferentes pimentas para o estudo do efeito antimicrobiano nos alimentos durante o período de armazenamento. “Apesar das pimentas não apresentarem diferenças significativas entre si, estas apresentaram comportamentos diferentes. A dedo-de-moça foi mais eficiente. A malagueta foi eficaz durante o prolongamento do tempo de armazenamento”, esclarece Letícia.

O comportamento térmico da envoltória em habitação de interesse social teve como objetivo avaliar esta tipologia de coberta diferenciada, quando da manipulação das aberturas de ventilação, a fim de auxiliar a tomada de decisões quanto às intervenções projetuais necessárias para melhor adequação desta tipologia residencial às especificidades climáticas de um fragmento do semiárido paraibano. A arquiteta e urbanista Gisele Caldas de Araújo Cunha explica que por meio dessa pesquisa concluiu-se que as propriedades térmicas dos materiais foram mais influentes sobre o comportamento térmico da envoltória que a ventilação natural. “As temperaturas superficiais internas das paredes indicam necessidade de aumento da inércia térmica; já as temperaturas superficiais internas da cobertura, indicam inadequação do sistema adotado”, descreve a pesquisadora.

Já “Desenvolvimento de um arado de discos em miniatura para auxílio no ensino de suas regulagens”  foi o tema do doutor em Agronomia Rogério Almeida. Segundo o pesquisador, o trabalho objetivou o desenvolvimento de um arado de discos com finalidade didática, para auxiliar os alunos na aprendizagem prática de suas regulagens. “O arado foi testado em aulas práticas da disciplina de Mecanização Agrícola, proporcionando aos alunos a simulação das regulagens, de forma simples, rápida e segura, e em ambiente protegido (laboratório)”, disse o doutor.

Energia e saúde


O EECONOMAX foi desenvolvido para redução de energia em eletrodomésticos resistivos, com aquecimento por cocção, controlados por termostato. O estudo procura demonstrar como eletrodomésticos como o ferro de passar podem contribuir com a matriz de redução de consumo de energia nacional em proporções significativas. “O EECONOMAX chega para revolucionar o mercado. Com uma tecnologia sustentável e eficiente, ele garante 40% de economia de energia elétrica em aparelhos resistivos, além de aumentar a vida útil do seu aparelho”, explica o engenheiro eletricista Evandro Franco Tiziano.

As graduandas em Engenharia Elétrica Lígia da Silva e Stephanie Pinto desenvolveram um trabalho sobre “carregador de baterias de baixo custo para módulos fotovoltaicos aplicados na região amazônica ocidental”. Segundo elas, o artigo enviado para o Contecc está relacionado a fontes alternativas de energia e tem como principal foco o desenvolvimento de um carregador para baterias de chumbo ácido, de forma que seja aplicável para energizar módulos e equipamentos de monitoramento remoto, possibilitando, assim, as pesquisas que precisam do levantamento de dados em localidades onde o acesso à rede elétrica por linhas de transmissão se torna inviável ou não aplicável às regiões isoladas. “Sendo assim, o sistema de carregamento possui também um conversor CC-CC, que aumenta a eficiência do carregamento das baterias, possibilitando um melhor resultado em todo o conjunto de obtenção de energia, de maneira que os equipamentos de monitoramento possam ser sustentados pela bateria na ausência da energia fornecida pelo sol durante o dia”, esclarecem as pesquisadoras.

Outra pesquisa se refere ao aproveitamento do óleo residual vegetal para produção de biodiesel: uma estratégia tecnológica e sustentável.  Segundo Gabriel Araújo Nascimento, o trabalho teve como objetivo realizar o processo de produção do biodiesel por meio da reação de transesterificação como uma estratégia a fim de aproveitar o óleo vegetal residual, proveniente do uso doméstico. Basicamente, obteve-se o biodiesel a partir da reação entre o óleo vegetal e o álcool metílico, sendo a reação acelerada pelo catalisador hidróxido de sódio. Após obtenção do biocombustível, realizaram-se as análises de rendimento, testes  de combustão e pH. “Os resultados obtidos foram satisfatórios, sendo o rendimento total de 95%, pH 7 e a combustão marcada por uma chama amarelada, duradoura e rica em fuligem negra. Os resultados configuram o grande potencial do óleo residual como insumo para produção do biodiesel, o que deve encorajar uma produção em proporções maiores que as atuais” ,sinaliza o pesquisador.

Testes experimentais em um secador solar de exposição indireta usado para produção de abacaxi desidratado foi o tema do trabalho desenvolvido pelo mestrando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica Ítalo de Andrade Gomes. Ele explica que a expansão da utilização de novas tecnologias no processo de secagem de frutas visa ao desenvolvimento da comercialização desses produtos pelo aumento da sua rentabilidade. “Demonstrando a viabilidade da secagem solar para produtores de pequeno e médio porte, foi desenvolvido um equipamento de fácil construção, manutenção, operação e baixo custo, e que responde pelas demandas típicas de nosso desenvolvimento. Obteve-se um produto de boa qualidade com os parâmetros de secagem compatíveis com os encontrados na literatura, o que justifica a eficiência e a viabilidade técnica do equipamento testado”, defende o engenheiro.

Estudante de Engenharia de Produção e fisioterapeuta Aline Suelen Rosa de Souza resolveu aplicar o ciclo PDCA - Plan, Do, Check, Adjust, centrado na resolução de problemas, identificação da causa e na procura da melhor solução - para o “Tratamento de hidroterapia viável pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”. Segundo Aline, a proposta do trabalho foi utilizar de uma ferramenta da engenharia de produção, o PDCA, para otimizar o processo de atendimento hidroterápico em um município da região metropolitana de Belo Horizonte, aumentando a abrangência e  a eficiência no atendimento. “A lei que regulamenta o funcionamento do SUS no Brasil garante o direito ao cidadão de qualquer tratamento de saúde, incluindo as reabilitações físicas, e entre elas a hidroterapia. Porém, muitas vezes, a verba destinada aos municípios para este tipo de atenção à saúde não consegue englobar um atendimento de qualidade e eficiência aos pacientes”, diz a pesquisadora.

Fernanda Pimentel
Equipe de Comunicação do Confea