Brasília, 22 de agosto de 2011
Discutir os desafios de alimentar 9 bilhões de pessoas em uma agricultura de baixo carbono. Esse é o objetivo da realização do Feed 2011: Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com quatro temas principais – “Agricultura e Florestas”, “Pecuária de Baixo Carbono: um novo paradigma produtivo para o Brasil”, “A produção de Lácteos e os desafios de reduzir emissões” e “Oportunidades para a agricultura na economia do clima” – o evento ocorrerá nos dias 5 e 6 de setembro, no Centro de Convenções da Fecomércio, em São Paulo.
Em sua segunda edição, a Feed 2011 também tem o intuito de se posicionar a respeito das negociações da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima – COP, que neste ano será realizada em Durban, África do Sul, de 28 de novembro a 9 de dezembro.
Inscrições para o Feed 2011 podem ser feitas até 30 de agosto.
A pecuária e a indústria leiteira em uma economia de baixa emissão de carbono
Ações para redução de emissões de metano na pecuária de corte ou de leite dependem da disseminação de boas práticas amparadas por programas com o apoio governamental e de entidades representativas do setor, o que já vem acontecendo no Brasil. Entre essas ações estão: a melhoria da dieta, o uso de animais com maior potencial genético, a redução na idade de abate, o manejo adequado das pastagens, o uso de vacinas, além do melhoramento genético de forrageiras, o uso de confinamentos estratégicos e a busca de alternativas técnicas.
O Feed 2011, de acordo com a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, é uma das iniciativas da Confederação para sistematizar as discussões sobre iniciativas nesse sentido, de forma que possam resultar em medidas que garantam a produção de alimentos com rentabilidade econômica em um contexto de responsabilidade ambiental.
As discussões, no âmbito do Feed 2011, contribuirão para posicionamentos da CNA em outros eventos internacionais como o Summilk, a Cúpula Mundial Dairy (Lácteos), que a Federação Internacional de Laticínios promoverá de 15 a 19 de outubro, em Parma, Itália.
Economia do clima
A agricultura é uma das atividades econômicas que mais serão impactadas com os efeitos do aquecimento global. Mas o setor também se coloca em posição de destaque entre as oportunidades da chamada “economia do clima”. Segundo Carolina Dubeux, pesquisadora do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudança Climática - Centro Clima / COPPE / UFRJ, para aproveitar essas oportunidades, é preciso que se definam políticas de mitigação, que terão custo menor em relação ao custo da inércia. “A agricultura tem uma relação absolutamente estreita com o clima, seja com relação aos impactos que causa, seja porque dele depende como nenhuma outra atividade econômica. Assim, no seu próprio interesse, o setor não pode prescindir de adotar práticas que reduzam sua emissão de gases de efeito estufa bem como que garantam produtividade em face da mudança do clima que está por vir”, avalia. A pesquisadora falará sobre o tema no Feed 2011.
Produção de alimentos
Um dos grandes desafios já explicitados nos debates acadêmicos, assim como nos derivados da construção de políticas governamentais, em parceria com o setor privado, é a produção de alimentos que abasteça adequadamente um planeta que caminha para 9 bilhões de habitantes, no contexto da Economia de Baixo Carbono. Para a presidente da CNA, o setor agropecuário brasileiro tem propostas para o desenvolvimento ambientalmente sustentável, que permitem a obtenção das metas acertadas pelo Brasil com seus parceiros internacionais de redução das emissões de carbono. “Estamos falando de um setor responsável por 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB), que emprega um terço da força de trabalho e cujas exportações ultrapassam 37% do total; de um setor que produz alimentos, energia, biomassa e fibras. Estamos preparados para o desafio. A adoção de tecnologias e práticas ambientalmente corretas agrega valor à produção e garante mercados ao Brasil”, ressalta a presidente da CNA.
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