Brasília, 21 de agosto de 2026.
A instalação de um dos supercomputadores mais potentes do mundo em Macaíba (RN) pode ampliar a capacidade brasileira de pesquisa em inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho e, ao mesmo tempo, impulsionar a formação de profissionais especializados.
A novidade foi anunciada pelo governo federal, nesta quinta-feira (20), no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, na Região Metropolitana de Natal (RN). A iniciativa visa ao fortalecimento da soberania digital brasileira, segundo as autoridades. “Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui”, ressaltou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a engenheira eletricista Luciana Santos.

O novo cérebro eletrônico terá mais de 50 mil núcleos de processamento, capacidade de 7.200 petaflops - o equivalente a 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo - e figurar entre os computadores de maior desempenho do mundo. A ideia é que seja utilizado principalmente no treinamento de modelos brasileiros de inteligência artificial, com acesso compartilhado entre órgãos públicos, universidades e empresas, de modo que atenda diversas demandas de inovação e pesquisa. “O supercomputador não serve apenas para fazer conta mais rápido (...) Ele serve para transformar problemas que levariam décadas para resolver em coisas do dia a dia do povo brasileiro”, exemplificou a ministra Luciana Santos, ao citar resultados concretos como melhoria da produção agrícola, criação de vacinas e previsão de chuvas.
Pesquisa e inovação
O assunto foi abordado na reunião do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea e Mútua, que acontece nesta semana em Natal. A presidente em exercício do Confea, a engenheira civil Ana Adalgisa Paulino, natural do Rio Grande do Norte, e o secretário de Infraestrutura do Governo do Estado, Gustavo Coelho, também engenheiro civil, destacaram o potencial energético, sustentável e tecnológico da localidade. “Em 2025, o Rio Grande do Norte alcançou o maior percentual do país de geração de energia a partir de fontes renováveis, com 99% da produção oriunda de vento e sol. Além de se destacar pela geração limpa, o estado produz mais energia do que consome, o que amplia seu potencial para abrigar novas infraestruturas e aproveitar essa oferta abundante de energia renovável”, afirmou Ana Adalgisa.
Nesse contexto, o secretário Gustavo Coelho comentou que Macaíba, na Região Metropolitana de Natal, desponta como ambiente favorável para receber a infraestrutura de computação de alto desempenho, especialmente pelas condições energéticas e pelo ecossistema de inovação já existente no município.
Localizado na Região Metropolitana de Natal, o município conta com ampla oferta de energia de fontes renováveis, característica estratégica para atender uma estrutura que poderá demandar entre 10 e 15 megawatts de potência de forma contínua.

Somado a isso, Macaíba abriga um ecossistema tecnológico que aproxima instituições de ensino e pesquisa, governo e iniciativa privada. A proposta é que o supercomputador seja implantado no Parque Tecnológico Metrópole Digital, que reúne 38 empresas e startups, além de instituições dedicadas à pesquisa e à formação profissional.
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial
A instalação do supercomputador no Rio Grande do Norte é uma das ações que integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). A previsão é que o equipamento entre em funcionamento a partir de 2027 e se some ao ecossistema do Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo que já reúne pesquisa em saúde, neurociência e políticas de cidades inteligentes.
O acesso compartilhado ao supercomputador poderá ampliar a capacidade para desenvolver modelos de IA, criar produtos e serviços de maior valor agregado e outras aplicações que exigem grande capacidade de processamento. “Pesquisas sobre moléculas, por exemplo, demoram até cinco anos e poderemos reduzir isso para semanas com o supercomputador”, pontuou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, em entrevista à Folha de S.Paulo, em 12 de agosto.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028, distribuídos entre pesquisa e desenvolvimento, infraestrutura tecnológica, formação de talentos e apoio a empresas inovadoras. Entre as ações já em andamento, está a criação de 202 novos cursos superiores ligados à área.
Supercomputação
Atualmente, o Brasil possui dez supercomputadores e ocupa o 16º lugar no ranking global de capacidade de processamento em computação de alto desempenho. Estados Unidos, China e Japão lideram a lista.
Conhecidos também como computadores de alto desempenho, os supercomputadores são capazes de processar um número extraordinário de dados e solucionar cálculos difíceis em uma velocidade muito maior do que os computadores tradicionais. Auxiliam principalmente no desenvolvimento de pesquisas científicas, industriais e de custo alto em áreas como climatologia, biomedicina, aeronáutica e energia renovável.
No Brasil, seis dos dez supercomputadores estão na Petrobras. Eles são utilizados em atividades de exploração e produção de petróleo e gás, como no processamento de dados sísmicos brutos para transformação em imagens detalhadas do subsolo ou simulação de comportamento de reservatórios. “É como criar um mapa 3D das camadas rochosas abaixo da superfície, com imagens muito mais nítidas e precisas das estruturas geológicas, essenciais para identificar o sistema petrolífero e potenciais reservatórios de petróleo e gás”, explica a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, a geóloga Sylvia Anjos.

O supercomputador Harpia, por exemplo, equivale a 10 milhões de celulares ou 200 mil notebooks. Colocado em operação em 2025, ele contribui para que a Petrobras mantenha a liderança em capacidade de processamento na América Latina. “Obter imagens sísmicas mais detalhadas da subsuperfície nos permite refinar a simulação do comportamento dos reservatórios, possibilitando uma produção mais eficiente. Além disso, grandes capacidades computacionais permitem à Petrobras competir globalmente, atrair parcerias e oportunidades de negócios”, acrescenta Clarice Coppetti, diretora de Assuntos Corporativos.
Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea, com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Petrobras e Folha de S.Paulo
