A universalização do saneamento básico

Miguel Bahiense Neto – DCI, 11 de abril de 2011 | 00h00
 
O Brasil é um país com 80% da população vivendo nos centros urbanos. O crescimento demográfico e o aumento do consumo pessoal originaram problemas ambientais e de cunho sustentável. O grande desafio passou a ser a conciliação de toda essa crescente: maior poder econômico da população brasileira, maior capacidade de consumo, descarte correto e tratamento adequado de resíduos. Por esse motivo, a nova gestão do Ministério do Meio Ambiente (MMA), na pessoa de Izabella Teixeira, afirmou que voltará atenção especial para as questões urbanas, com foco prioritário nas problemáticas do lixo e do saneamento básico. Os dois pontos estão diretamente ligados ao desenvolvimento sustentável, ou seja, o bem-estar, qualidade de vida, saúde e conforto da sociedade, além da preservação ambiental, baseada na economia.

A questão do lixo, que esbarra no consumo e no descarte responsável, assim como na destinação adequada dos resíduos (que inclui reutilização e reciclagem), terá sustentação com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, legislação que entra em vigor no Brasil. Trata-se de um trabalho calçado na responsabilidade compartilhada entre população, indústria e poder público para que a questão do lixo deixe de ser um problema para o país.

Já o saneamento básico é uma lacuna a espera de solução. A proposta do MMA de universalização deste serviço, em especial da coleta e tratamento de esgoto, é urgente para poder alterar o panorama da saúde no país.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil, mais de 67 mil crianças menores de cinco anos foram internadas por diarréias nos 81 municípios analisados. Mais de 50% desses casos acontecem em função de doenças relacionadas à falta de saneamento básico adequado. Ações de saneamento são consideradas preventivas para a saúde, quando garantem a qualidade da água de abastecimento e também da coleta, do tratamento e da disposição adequada de dejetos humanos. Além disso, o saneamento básico promove redução de custos para a máquina pública: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para cada 1 real investido em saneamento básico, é possível se economizar 4 reais em tratamentos de saúde.

A cadeia produtiva do PVC tem feito o seu papel na contribuição para o tripé do desenvolvimento sustentável, promovendo a qualidade de vida da população, a preservação do meio ambiente e a economia. O PVC é o principal material utilizado nos processos de saneamento, no tratamento de esgoto, na reutilização de água e na revitalização de municípios, já que é o plástico de maior vocação social por atender estas carências imediatas da sociedade. O PVC é o principal produto utilizado no saneamento básico, assim como na área médica. Isso porque o custo-benefício que oferece é vantajoso: o produto oferece resistência e eficiência técnica na aplicação e, ainda, proporciona economia frente a outros materiais, como menor custo de manutenção. Além disso, apesar de ser um dos três plásticos mais utilizados do mundo, o PVC é também um dos que estão menos presentes nos aterros sanitários. Isso porque a maioria dos produtos de PVC é de longa vida útil (os tubos de PVC, por exemplo, chegam a durar mais de 50 anos).

O produto também é 100% reciclável e é reciclado. Em 2007, 17% do PVC descartado em aplicações como embalagens, fios e cabos, por exemplo, foram reciclados e transformados em novos produtos. O número é bastante significativo considerando que na União Européia, o índice de reciclagem mecânica de todos os plásticos foi de 18,6%, no mesmo período. O PVC é o único plástico que não é totalmente originado do petróleo, já que 57% de seu peso têm como matéria-prima o sal marinho, um recurso inesgotável na natureza. Adicione-se a isso o fato de que a cadeia produtiva do PVC investe pesado em inovações. O Brasil detém hoje, por exemplo, tecnologia de ponta para substituir os 43% de petróleo que o compõe por cana-de-açúcar, ou seja, o PVC 100% derivado de recursos naturais inesgotáveis, atendendo o lado ambiental do desenvolvimento urbano.

O futuro é de oportunidades e desafios. A cadeia produtiva do PVC vem fazendo a sua parte no que diz respeito a promover ações e tecnologias sustentáveis e que atendam às necessidades do Brasil atual, tanto em questões como a do lixo e do saneamento, mas também em outras funções como na construção e arquitetura, na medicina, agricultura, e em outros setores fundamentais da economia. Se os desafios estão presentes, devemos encará-los como parte do esforço para que o país possa crescer de forma responsável e se firmar cada dia mais como um país de ponta no mundo global.

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