
Brasília, 27 de agosto de 2026
O Plenário do Confea aprovou, nesta quinta-feira (27/8), a continuidade dos trabalhos da Comissão Temática Financiamento Rural e Gestão de Risco (CTFRGR) para o exercício de 2026. A comissão atuou ao longo de 2025 e teve a extensão recomendada pela Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Agronomia (CCEAGRO), que reconheceu a relevância da agenda para o fortalecimento do crédito agrícola.
Objetivos e composição
Entre os objetivos da CTFRGR estão o desenvolvimento de ferramentas de fiscalização do exercício profissional ligado ao crédito rural, a construção de parâmetros padronizados para essa fiscalização, com orientação jurídica do Sistema Confea/Crea, a continuidade das tratativas com órgãos como Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis, e a realização de reuniões com atores do setor, como Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastacimento, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, visando à apresentação de propostas do Confea para o Plano Safra 2026/2027.
A comissão será coordenada pelo conselheiro federal Álvaro João Bridi, com Leonardo Duarte Pimentel como coordenador adjunto. Completam a composição os especialistas Guilherme Sá Abrantes de Sena, Paulo Affonso Leiro Baqueiro e Odair Lacerda. Serão realizadas três reuniões de até dois dias, em Brasília, com os trabalhos previstos para se encerrar em dezembro.

"Um assunto muito importante"
Para o conselheiro federal Leonardo Duarte Pimentel, o tema tem peso econômico e social. "É um assunto muito importante. O Brasil distribui R$ 500 bilhões em crédito rural subsidiado por ano, e não sabemos quanto disso tem responsabilidade técnica atrelada", afirmou. Segundo ele, em Mato Grosso do Sul, 40% das ARTs emitidas são de crédito rural, o que reforça a necessidade de regulamentação, em sua avaliação.
O agrônomo reconheceu haver resistência do setor financeiro, que teme o encarecimento do crédito com a exigência de responsável técnico. "Nós entendemos que o responsável técnico reduz o risco, o que barateia o crédito na ponta. Mas não é assim que o mercado entende. É uma construção complexa", disse.

Pimentel destacou ainda que, mesmo com a comissão se encerrando no fim do ano passado, o Confea seguiu em tratativas com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). "Mesmo que já estejamos praticamente em setembro, achamos que é melhor abrir a comissão, para fechar esses acordos e participarmos efetivamente das políticas públicas", afirmou, citando como exemplo o acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que permite ao Confea participar das decisões sobre o decreto que regulamenta a Lei de Agrotóxicos. "Precisamos levar mais qualidade técnica. Se não abrirmos, não valorizaremos o esforço do ano passado. Estamos agindo por interesse da sociedade", concluiu.
A conselheira federal Giucélia Figueiredo reforçou a dimensão social do tema. "Isso é política pública na veia. Os recursos destinados a crédito rural são exorbitantes e absolutamente necessários: fortalecem a agricultura familiar, geram emprego e fixam o trabalhador rural no campo", disse.

Outros assuntos
Ainda nesta quinta-feira, os conselheiros aprovaram a participação de representantes da presidência do Confea no II Congresso de Engenharia, Agronomia e Tecnologia do Amazonas (Cenatec), de 24 a 26 de setembro, em Manaus, e no 52º Congresso Brasileiro de Geologia, de 1º a 5 de novembro, em Fortaleza.
Também encaminhadas pela Comissão de Articulação Institucional do Sistema (Cais), foram aprovadas as revisões de recredenciamento de oito entidades: Federação Nacional das Associações de Engenharia Ambiental e Sanitária (Fneas), Instituto Nacional de Engenharia Civil (Inec), Associação Brasileira de Engenheiros Agrícolas (Abeag), Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), Associação Nacional de Engenharia de Segurança do Trabalho (Anest), Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc) e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes).

Na quarta-feira, a presidente em exercício do Confea, engenheira civil Ana Adalgisa, entregou aos conselheiros federais a Agenda Infra-BR: Diagnóstico e Prioridades, publicação elaborada a partir do Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR). O documento reúne uma leitura técnica dos principais gargalos, potencialidades e desigualdades regionais do país, com o objetivo de orientar gestores públicos e lideranças políticas nos próximos ciclos de desenvolvimento.
"A ideia é que a gente consiga entregar essa agenda aos candidatos como uma forma de difundir nossas ideias e mostrar como podemos ajudar no futuro governo. Pretendemos contemplar, além dos presidenciáveis, os candidatos a governadores, deputados e senadores", destacou a presidente.
Leia também:
Confea incentiva acesso da agricultura familiar à assistência técnica
Beatriz Leal
Equipe de Comunicação do Confea
