Foz do Iguaçu, 4 de agosto de 2015.

Em sua 29ª edição, o Congresso Brasileiro de Agronomia (CBA) teve início na noite desta terça-feira (4), em Foz do Iguaçu (PR). O evento, promovido pela Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), acontece a cada dois anos e é realizado paralelamente ao II Encontro Nacional da Agronomia (confira aqui a programação), este promovido pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) de hoje até a próxima sexta-feira (7), no Rafain Palace Hotel.
O tema “Desafios e oportunidades profissionais” foi destaque no pronunciamento das lideranças durante a solenidade de abertura. Em seu discurso, o presidente do Confea, eng. civ. José Tadeu da Silva, chamou atenção do público para o importante papel que os engenheiros agrônomos têm neste momento de crise, pelo qual passa o Brasil. “Esse desafio é grande para os agrônomos. Nós, profissionais e instituições, continuamos lutando. E a agronomia é a grande locomotiva que continua projetando nosso País no cenário mundial. Brilhamos graças à agronomia”, enfatizou.

Diante dos mais de dois mil participantes, o presidente do Confea reforçou o compromisso de continuar defendendo as atribuições e atividades desempenhadas pelos 186 mil registrados na modalidade agronomia no Sistema. “Vamos combater firmemente projetos maléficos que tentam tirar as prerrogativas de nossos profissionais”, garantiu José Tadeu, referindo-se ao Projeto de Lei nº 1016/2015, que define as atribuições do zootecnista, causando sombreamento de competências com engenheiros agrônomos. O assunto está na agenda parlamentar do Confea e tem sido acompanhado de perto pelas lideranças do Sistema. Entre elas, o presidente da Caixa de Assistência dos Profissionais dos Creas (Mútua). “Precisamos lutar pelo nosso espaço. Por isso é tão importante a nossa mobilização junto aos deputados e senadores”, pontuou o presidente da entidade, eng. agr. Cláudio Calheiros.

A defesa da profissão é também um compromisso da Associação Pan-Americana de Engenheiros Agrônomos, como afirmou o presidente da instituição, eng. agr. Alejandro Bonadeo. “Devemos defender a agronomia e esse deve ser um compromisso em todos os países das Américas. Todos devem estar unidos para promover ações concretas para o bem da nossa profissão.”

Já o coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Agronomia do Sistema e diretor de Política Profissional da Confaeab, eng. agr. Kleber Santos, destacou a importância de profissionais, fóruns do Sistema e entidades atuarem em parceria objetivando avanços no setor agronômico. “Precisamos trabalhar em conjunto com outras profissões, como a engenharia civil, por exemplo. E estar no Paraná, um Estado que entoa o fulgor em seu hino, nos inspira a trabalhar ainda mais”, convocou o coordenador.

Neste mesmo espírito de parceria, a acadêmica Steffani Dobrovoski, da Universidade Federal do Paraná e representando as mulheres, à mesa, conclamou os estudantes a seguirem unidos. “Juntos somos muito melhores e podemos construir uma agronomia muito melhor”, vibrou a futura agrônoma. “É uma honra estar representando todos os estudantes, especialmente as mulheres, para as quais eu digo: força, não desistam”, completou a universitária.
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Sobre os desafios da profissão, Angelo Petto Neto, engenheiro agrônomo e presidente da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab), entidade promotora do CBA, adiantou aos participantes que a programação reserva momentos de grande relevância, em que serão debatidos os principais eixos temáticos do segmento. “Discutiremos assuntos importantes da área de exercício e da formação profissional. Teremos como motivação os exemplos de pujança e desenvolvimento do Estado do Paraná”, comentou Petto, que teve seu discurso reforçado pelo presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná, eng. civ. Joel Krüger. “Devemos reconhecer a importância da realização deste congresso, que acontece exatamente neste momento em que passamos por tantas instabilidades econômicas. Mais uma vez buscamos soluções no agronegócio para lidar com a crise”, disse o presidente do Crea local.

A agenda de debates do evento foi o ponto alto da fala de Luiz Antônio Luchesi, representante da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná (Feap), instituição organizadora do congresso. “Que possamos discutir e definir nosso posicionamento sobre as questões que mais afligem a categoria agronômica, especialmente neste momento de incertezas pelo qual passa o Brasil”, comentou o anfitrião do evento, que aproveitou a ocasião para dar as boas-vindas aos congressistas que ficarão o restante desta semana em Foz do Iguaçu. “Sejam bem-vindos ao Paraná, um Estado que, embora represente apenas 2,3% do território nacional, destaca-se por sua agricultura diversificada. E isso se deve à diversidade de climas, solos, biomas e, principalmente, à diversidade de gente que torna esta uma das melhores terras para praticar a agronomia”, afirmou Luchesi.

O receptivo aos congressistas também foi feito pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, eng. agr. Norberto Ortigara, que apresentou a vocação do Estado aos participantes. “O Paraná tem muitas competências na área da agronomia. Ele é bom em produção de grãos, frutas, hortaliças, animais, tabaco. Está sempre gerando empregos e movimentando a economia. No último ano, por exemplo, o Paraná teve sua maior produção de grãos de todos os tempos. Foram 36 milhões de toneladas”, afirmou o engenheiro agrônomo que está à frente da pasta da Agricultura. Apesar desse desenvolvimento expressivo, para Ortigara é essencial que os profissionais da agronomia continuem dando sua contribuição para os produtores rurais. “Devemos levar conhecimento para o agricultor. Temos um papel fundamental: gerar, desenvolver e transferir tecnologia para eles. Devemos cada vez mais contribuir para isso, especialmente agora neste momento de crise”, ressaltou o secretário estadual que, na ocasião, estava representando o governador do Paraná.

Conhecimento e inserção do engenheiro agrônomo
A preocupação das lideranças da engenharia agronômica com as perspectivas para o setor foi pauta da primeira conferência do CBA ainda na noite de estreia do evento. O tema “Conhecimento produtivo e a inserção do engenheiro agrônomo” foi apresentado pelo superintendente adjunto do Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), eng. agr. Nelson Costa, que explicou a relação entre geração de conhecimento e progresso financeiro de uma sociedade. “Desenvolvimento econômico significa ser capaz de produzir produtos mais complexos”, pontuou. Para ele, um país deve ter como objetivo aumentar sua complexidade econômica, o que tem a ver com acumulação de conhecimento produtivo convertido em produtos complexos.
No âmbito da agronomia, a cápsula do conhecimento abrange, entre outros temas, o meio ambiente, energia, gestão e logística, botânica, física, alimentos, fisiologia genética, pecuária e floresta. A partir desses eixos temáticos, são gerados conhecimentos relativos, por exemplo, ao controle de pragas e doenças, correção de solos, técnicas de manejo e empreendedorismo dos agricultores. Com o resultado desse conhecimento gerado e transferido pelo engenheiro agrônomo, é possível incrementar as exportações do País. “Em 2014, oito dos dez principais produtos da pauta de exportação brasileira foram do agronegócio”, comprovou o especialista.
O evento
Até a próxima sexta-feira, o CBA reúne mais de dois mil participantes em debates sobre projetos integrados e sustentabilidade, inovações biotecnológicas, formação do engenheiro agrônomo e as reivindicações da categoria, as perspectivas da engenharia agronômica no Brasil e aspectos legais na emissão do receituário agronômico, além de outros temas atuais do segmento.
VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO CBA
Entre os palestrantes, destaque para o diretor-geral da Itaipu Binacional, eng. agr. Jorge Samek, que irá compartilhar no dia 5, às 16h30, sua experiência pessoal mencionando as fases e o futuro da agronomia no Brasil. No dia 6, às 17h30, conselheiros do Confea representantes das instituições de ensino superior de agronomia, José Geraldo Baracuhy e Daniel Salati, irão pautar assuntos em voga no Conselho Profissional, como educação à distância. Já o deputado federal, eng. agr. Valdir Colatto, irá debater no dia 7, às 8h, os principais projetos de lei conflitantes com as atribuições profissionais do engenheiro agrônomo.
Na programação também estão previstas visitas técnicas ao Parque Tecnológico Itaipu, e a locais onde serão analisadas a produção de leite, silagem, confinamento, compostagem e biogás e também a produção agroecológica, agroflorestal, agroindustrialização e turismo rural.

Além da participação de lideranças, o Confea marca presença na feira de exposição da Confaeab com estande, onde será divulgado o trabalho desenvolvido pelo Conselho, esclarecidas dúvidas de visitantes e distribuído material informativo de interesse dos profissionais e da sociedade. Também participam da Expo Agro outras entidades do Sistema, empresas do setor agronômico que prestem serviços aos profissionais da agronomia ou que possuam bens de serviço para apresentar a estes profissionais.
Confaeab
A Confederação das Federações de Engenheiros Agrônomos do Brasil é uma entidade que atua junto ao Sistema Confea/Crea e Mútua. Criada em 14 de maio de 1999, a instituição tem entre suas finalidades: congregar e representar, no âmbito nacional e internacional, os engenheiros agrônomos e as entidades de engenheiros agrônomos, filiadas de cada Estado, Território e Distrito Federal; promover a valorização profissional; propugnar pela elevação do nível cultural, social e técnico do engenheiro agrônomo e da população brasileira, com a amplitude que lhe confere sua condição de entidade privada, com atuação livre, quer no âmbito da categoria, quer no âmbito político.
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Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: Vandré Dubiela
