Crea-CE e UFC acompanham situação de subestação após explosão

Subestação da Universidade Federal do Ceará: explosão segue sendo acompanhada pelo Crea-CE e pela superintendência de infraestrutura da universidade
Subestação da Universidade Federal do Ceará: explosão segue sendo acompanhada pelo Crea-CE e pela superintendência de infraestrutura da universidade

 

Brasília, 21 de julho de 2025.

Um incidente, ainda em perícia, provocou a explosão de uma subestação de grande porte, que atende ao Campus do Pici, da Universidade Federal do Ceará (UFC), em 25 de junho. Com a rede, de responsabilidade da Universidade, logo integrada à concessionária Enel, o caso está sendo acompanhado pelo Crea-CE e pela superintendência de infraestrutura da universidade, responsável pela estrutura e por sua operação, desde 2019. 

O Crea-CE promoveu fiscalização, em torno de contrato de 2023, constatando que a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) anteriormente emitida havia expirado, não sendo emitida nova ART para o aditivo contratual. “Diante disso, o Crea realizou os devidos procedimentos de fiscalização, elaborando o devido relatório de fiscalização”, segundo informa o vice-presidente do Crea-CE, eng. eletric. eng. seg. trab. Jamil Kerbage. 

Segundo o superintendente de infraestrutura da UFC, eng. eletric. Renato Guerreiro, o contrato com a ART inicial foi prorrogado e foi solicitada à empresa a emissão da ART complementar, por conta do prazo. “Estamos no aguardo. Possivelmente, o Crea tenha fiscalizado diretamente a empresa, e como fiscal do contrato, a UFC fez a notificação para a regularização da situação”.
 

Porte 
Esse tipo de subestação, de 69 mil volts (69 kV), é considerado de grande porte e “alimenta uma cidade de pequeno porte, com cerca de 10 mil habitantes, sendo utilizadas, geralmente, por indústrias em áreas mais isoladas para evitar problemas”. Kerbage acrescenta que, geralmente não há necessidade de um operador, porque ela funciona de forma automática ou remota. “Em alguns casos há um operador, em uma sala de controle, mais afastada dos transformadores”, complementa a liderança. 

Vice-presidente do Crea-CE, eng. eletric. Jamil Kerbage
Vice-presidente do Crea-CE, eng. eletric. Jamil Kerbage

O superintendente de infraestrutura da UFC esclarece que o porte da subestação se deve à carga do Campus do Pici, que, de fato, corresponde a uma pequena cidade. “Dela, deriva-se uma rede de média tensão, e nós temos vários transformadores, geradores, na rede interna. Por conta disso, nós vamos iniciar esta semana a manutenção da subestação. Vamos iniciar pelo transformador reserva, o retificador e o barramento de 13.8. Nos próximos dias, a gente vai iniciar esse serviço e, enquanto isso, nós reativamos o antigo ramal de 13.8 que, hoje, em conversa com a Enel, está basicamente exclusivo para a universidade. Então, já foi instalado o novo sistema de medição nessa nova linha de entrega de 13.8 e nós estamos alimentados exclusivamente por este ramal da rede da Enel, pelo menos nesse período emergencial, até a gente fazer a recomposição da subestação toda, voltando para a antiga configuração”, ressalta Renato Guerreiro.
 

Primeiros diagnósticos e medidas

Em relação às possíveis causas do evento na subestação da UFC, Jamil Kerbage pondera que, geralmente, esse tipo de situação é ocasionado por uma falha em alguns componentes. “Parece um curto circuito nos alimentadores. Muito provavelmente, houve falha das proteções contra curtos circuitos na corrente”, diz, reforçando que, em caso de falhas, as proteções costumam ser desencadeadas automaticamente, em conformidade com normas e padrões. “Há uma proteção da Enel, que atuou, e não desliga só a área, desliga a região toda”, complementa.

Hipótese confirmada pelas primeiras informações obtidas pela análise conduzida pela UFC. Um curto circuito teria se iniciado no barramento de 13.8 kV da subestação. “O curto se manteve, a proteção não atuou, e a situação tendeu a piorar. Iniciou o monofásico, foi se expandindo para as outras fases, causando essa sobrecarga do transformador e a explosão. Temos observado, portanto, que foi uma falha do sistema de proteção e agora estamos buscando a causa específica”, comenta o superintendente, informando que os contratos de manutenção estão vigentes, com a última manutenção sendo realizada pouco antes do evento.
 

Superintendente de infraestrutura da UFC, eng. eletric. Renato Guerreiro
Superintendente de infraestrutura da UFC, eng. eletric. Renato Guerreiro


Kerbage aponta ainda que esse tipo de subestação passa por manutenções anuais, que devem incluir prevenções quanto a roedores e outros animais que podem comprometer a estrutura, incluindo o controle da vegetação. “O técnico em eletrotécnica só pode fazer a prevenção até 800 kVA. Onde há alto nível de tensão, precisa-se do acompanhamento de pelo menos um engenheiro eletricista e de um grupo de técnicos, o que depende do tamanho da subestação, da periodicidade do serviço e do tempo do serviço”.

Também engenheiro de segurança do trabalho, o vice-presidente do Crea-CE aponta ainda que os riscos para os profissionais, mesmo habilitados, são mínimos, considerando que os serviços devem seguir as normas regulamentadoras do ministério do Trabalho, prevendo o desligamento da subestação, sempre que possível. “Uma de 69 mil volts, sempre deve ser desligada, com alguns locais sendo alimentados por gerador”.  Guerreiro confirma a informação, dizendo que toda a manutenção será feita com a subestação desenergizada. “Qualquer intervenção é feita com os procedimentos de segurança, desligamentos, aterramento das linhas, seccionamentos. Agora, a subestação está desativada, seccionada dos dois lados para a gente poder fazer essa operação de recomposição”.

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea