
Brasília, 24 de fevereiro de 2026.
A construção de uma agronomia mais moderna, conectada à sociedade e aos setores produtivos, alinhada à formação acadêmica e próxima dos novos profissionais é a meta da Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Agronomia (CCEAGRO) para 2026. “A coordenadoria pretende atuar fortalecendo o papel técnico do engenheiro agrônomo em políticas públicas relacionadas a segurança alimentar e nutricional; gestão sustentável dos recursos naturais; infraestrutura rural; mitigação de riscos climáticos e ambientais”, destaca o coordenador nacional, eng. agr. Odair Lacerda Lemos (Crea-BA).
Especialista em geotecnologia aplicada, mestre em agronomia e doutor em sistema de produção agrícola e florestal, Odair atua nas áreas de monitoramento ambiental, agricultura de precisão, avaliação de imóveis rurais, avaliações ambientais e perícias judiciais e extrajudiciais. Ao longo deste ano, ele coordenará os trabalhos da CCEAGRO ao lado do adjunto, eng. agr. Cleiton Lourenço de Oliveira (Crea-MG). Confira, a seguir, a entrevista concedida pelo titular ao site do Confea.

Confea – Quais foram os pontos principais discutidos pela coordenadoria ao longo do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea?
Eng. agr. Odair Lacerda Lemos – Durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea, a Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Agronomia concentrou seus debates nos seguinte eixos estruturantes: revisão do cumprimento no plano plurianual apresentado e aprovado pela Comissão de Ética e Exercício Profissional (Ceep); valorização profissional, revisão das metas nacionais de fiscalização e implementação do programa de modernização da fiscalização inteligente na agronomia; e fortalecimento da formação em agronomia tendo em vista a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de agronomia. Foram discutidas propostas para uniformização de entendimentos entre os Regionais, especialmente em temas relacionados às atribuições profissionais, segurança jurídica e qualidade da prestação de serviços técnicos à sociedade. Também avançamos no debate sobre fiscalização orientativa e inteligente, com foco em impacto social e prevenção de riscos. Outro ponto central foi o alinhamento da atuação da agronomia às agendas estratégicas do país, como segurança alimentar, sustentabilidade, infraestrutura hídrica e adaptação às mudanças climáticas.
Confea – A entrega de ações de fiscalização de alto valor e relevância, em âmbito nacional, é um propósito permanente do Sistema Confea/Crea. De que forma a coordenadoria pretende atuar para qualificar esses processos, incorporando novas tecnologias e soluções inovadoras à fiscalização?
Eng. agr. Odair Lacerda Lemos – A coordenadoria entende que a fiscalização precisa evoluir de um modelo predominantemente reativo para um modelo estratégico, orientado por dados e inteligência territorial. Defendemos a incorporação de tecnologias como: georreferenciamento de atividades técnicas; sensoriamento remoto e imagens de satélite; drones para apoio à fiscalização de grandes áreas rurais; integração de bases de dados públicas; uso de Analytics e cruzamento automatizado de informações. Essas ferramentas permitem priorizar ações de maior relevância social e econômica, especialmente em áreas com uso de agrotóxicos, crédito rural, barragens, irrigação, segurança alimentar, sustentabilidade e regularização fundiária e ambiental. A proposta é estruturar diretrizes nacionais que orientem os Creas na adoção dessas soluções, promovendo padronização, eficiência e maior transparência.

Confea – A atual gestão do Confea tem incentivado a engenharia brasileira a se aproximar da realidade social do país, identificando nesse diálogo um caminho para aprimorar a infraestrutura nacional. De que forma a coordenadoria pretende atuar para contribuir efetivamente na mitigação dos problemas que afetam a população brasileira?
Eng. agr. Odair Lacerda Lemos – A agronomia está diretamente ligada a temas estruturantes da sociedade brasileira: produção de alimentos, segurança hídrica, preservação ambiental e desenvolvimento rural. A coordenadoria pretende atuar fortalecendo o papel técnico do engenheiro agrônomo em políticas públicas relacionadas a: segurança alimentar e nutricional; gestão sustentável dos recursos naturais; infraestrutura rural; mitigação de riscos climáticos e ambientais. Também buscamos ampliar o diálogo com instituições públicas e privadas para que decisões estratégicas contem com respaldo técnico qualificado. A engenharia e a agronomia precisam estar no centro das soluções para os desafios sociais do país.
Confea – Outro eixo prioritário do Confea tem sido a reconexão com os jovens estudantes, diante da queda acentuada do interesse pela engenharia. Na sua avaliação, que estratégias são essenciais para enfrentar esse cenário preocupante, que pode colocar em risco a execução de programas estratégicos para o Brasil?
Eng. agr. Odair Lacerda Lemos – A reconexão com os jovens exige três movimentos simultâneos: primeiro, aproximar o Sistema Confea/Crea das universidades, promovendo diálogo permanente com coordenadores de curso, centros acadêmicos e estudantes; segundo, modernizar a imagem da engenharia e da agronomia, evidenciando seu papel em áreas inovadoras como agricultura digital, inteligência artificial, energias renováveis e sustentabilidade; terceiro, fortalecer a identidade profissional desde a graduação, demonstrando que o Sistema é parceiro do desenvolvimento de carreira, da ética e da valorização profissional. Precisamos mostrar que a engenharia e a agronomia são protagonistas na transformação do Brasil e que há espaço para inovação, empreendedorismo e impacto social.

Confea – Qual legado a coordenadoria pretende deixar para os profissionais e para o Sistema a partir do trabalho desenvolvido em 2026?
Eng. agr. Odair Lacerda Lemos – O legado que buscamos construir em 2026 é o de uma agronomia mais integrada nacionalmente, mais moderna em seus processos de decisão, mais próxima da sociedade e dos setores de produção, mais conectada à formação acadêmica e acompanhamentos dos novos agrônomos, e que a agronomia seja mais valorizada institucionalmente. Queremos consolidar diretrizes que tragam maior segurança jurídica aos profissionais, qualifiquem a fiscalização e reforcem o protagonismo da agronomia no desenvolvimento sustentável do país. Nosso compromisso é deixar bases sólidas para que o Sistema continue evoluindo, sempre com foco na proteção da sociedade e na valorização dos profissionais.
Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
