Brasília, 25 de fevereiro de 2026
O fortalecimento da atuação técnica do Sistema Confea/Crea diante das transformações do setor elétrico foi um dos eixos centrais discutidos pela Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica (CCEEE) durante o 15º Encontro de Líderes. Entre os temas debatidos estão a revisão das metas nacionais de fiscalização, a elaboração de manuais padronizados por tipo de empreendimento e a regulamentação de tecnologias emergentes, como sistemas de armazenamento de energia (BESS), cada vez mais presentes em áreas como geração distribuída, mobilidade elétrica e infraestrutura crítica.

Outro ponto destacado foi a necessidade de aproximar a engenharia das demandas sociais e dos novos profissionais. A coordenadoria defende iniciativas que ampliem a participação da engenharia na regulação do setor elétrico, como a presença obrigatória de engenheiros eletricistas nos Conselhos de Consumidores das concessionárias, além de ações voltadas à formação e atração de jovens talentos para a profissão. Nesta entrevista, o coordenador, Heverton Bacca, detalha as prioridades da modalidade para 2026 e o legado que pretende deixar para os profissionais e para o Sistema.
Quais foram os pontos principais discutidos pela coordenadoria ao longo do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea?
Durante o 15º Encontro de Líderes, estruturamos um plano de trabalho claro para 2026, orientado pela necessidade de fortalecer a unidade de ação do Sistema e aprimorar a capacidade de resposta da Engenharia Elétrica diante de desafios como a transição energética, a digitalização e o crescimento acelerado de sistemas complexos, como geração distribuída, mobilidade elétrica e data centers.
Tratamos do monitoramento das ações de fiscalização nos Creas e da elaboração de melhorias baseadas em evidências, conforme previsto na Resolução nº 1.012. Outro eixo importante foi a revisão das metas nacionais de fiscalização, um processo participativo que envolve avaliação de notas técnicas, indicadores de esforço e obstáculos operacionais. Também avançamos na definição da metodologia para elaboração dos Manuais de Fiscalização por Empreendimento, priorizando critérios como risco, impacto social e discrepâncias entre regionais — passo essencial para uniformizar a atuação do Sistema em setores como usinas fotovoltaicas e climatização hospitalar.
Por fim, debatemos pautas estratégicas para a segurança energética do país, como a regulamentação de sistemas BESS, a participação obrigatória de engenheiros eletricistas nos Conselhos de Consumidores da ANEEL e a construção de instrumentos para mitigar conflitos de atribuições com CFT e CAU, fortalecendo a segurança jurídica da atuação profissional.
A entrega de ações de fiscalização de alto valor e relevância, em âmbito nacional, é um propósito permanente do Sistema Confea/Crea. De que forma a coordenadoria pretende atuar para qualificar esses processos, incorporando novas tecnologias e soluções inovadoras à fiscalização?
A fiscalização é um dos pilares do Sistema e precisa acompanhar a crescente complexidade das instalações elétricas no Brasil. Por isso, nossa atuação para 2026 está estruturada na combinação entre padronização, tecnologia e análise de dados.
O Plano de Trabalho prevê o monitoramento estruturado das ações de fiscalização nos Creas, além da proposição de melhorias alinhadas às competências das Coordenadorias estabelecidas na Resolução nº 1.012. A revisão das metas nacionais de fiscalização também será fundamental.
Esse trabalho, inclui sugestões de novas metas, ajustes, análise de notas técnicas e indicadores de esforço, além da identificação de obstáculos técnicos que ainda dificultam a atuação em campo. Nosso entendimento é que a fiscalização precisa ser cada vez mais orientada por risco e por evidências.
Outro avanço relevante será a elaboração dos Manuais de Fiscalização por Empreendimento. Esses documentos trarão procedimentos operacionais padronizados, glossários, diagramas, matrizes SWOT e critérios claros baseados em risco e impacto social. Trata-se de um instrumento que permitirá ao fiscal atuar com maior precisão, eficiência e segurança técnica.
Além disso, a regulamentação dos sistemas BESS é fundamental para orientar o uso seguro das tecnologias de armazenamento de energia, cada vez mais presentes na geração distribuída e na mobilidade elétrica. A proposta de decisão normativa sobre o tema deverá ser apresentada até a quarta reunião. Com essas iniciativas, buscamos estabelecer um novo patamar de fiscalização, mais estruturado, tecnicamente robusto e preparado para acompanhar a rápida modernização do sistema elétrico.
A atual gestão do Confea tem incentivado a engenharia brasileira a se aproximar da realidade social do país, identificando nesse diálogo um caminho para aprimorar a infraestrutura nacional. De que forma a coordenadoria pretende atuar para contribuir efetivamente na mitigação dos problemas que afetam a população brasileira?
A Engenharia Elétrica está no centro dos serviços essenciais que sustentam a vida contemporânea — energia, telecomunicações, mobilidade, saúde, saneamento e abastecimento. Por isso, nossa atuação institucional precisa ir além da regulamentação e gerar impacto direto na vida das pessoas.
Uma das iniciativas mais relevantes do Plano de Trabalho é o Termo de Cooperação com a ANEEL, que busca garantir a presença obrigatória de engenheiros eletricistas nos Conselhos de Consumidores das concessionárias. Essa medida qualifica a participação social, amplia a capacidade técnica das análises e fortalece o olhar da engenharia sobre temas como continuidade e qualidade do fornecimento, perdas e eficiência energética.
Também está prevista a criação de um canal direto de comunicação entre concessionárias e profissionais, igualmente por meio da cooperação com a ANEEL. A proposta busca superar um gargalo histórico: a dificuldade de diálogo técnico entre quem executa projetos, obras e ARTs e quem opera a rede elétrica. Essa aproximação reduz retrabalhos, acelera soluções e melhora a prestação de serviços para a população, especialmente em situações relacionadas a ligações, expansões de rede, obras e geração distribuída.
Outro ponto relevante é a elaboração dos Manuais de Fiscalização por Empreendimento voltados a setores de alto impacto social, como usinas fotovoltaicas, climatização hospitalar e sistemas elétricos complexos. Esses instrumentos elevam o nível de segurança das instalações e reduzem riscos de acidentes e falhas que afetam diretamente a sociedade.
A decisão normativa sobre sistemas BESS também segue essa lógica: garantir que tecnologias emergentes sejam adotadas com segurança, responsabilidade técnica e critérios claros de atuação profissional, minimizando riscos e ampliando a confiabilidade das instalações.

Outro eixo prioritário do Confea tem sido a reconexão com os jovens estudantes, diante da queda acentuada do interesse pela engenharia. Na sua avaliação, que estratégias são essenciais para enfrentar esse cenário preocupante, que pode colocar em risco a execução de programas estratégicos para o Brasil?
Reconectar os jovens à engenharia passa, antes de tudo, por mostrar que a profissão voltou a ocupar um papel estratégico para o país. O 15º Encontro de Líderes reforçou essa mensagem ao colocar no centro do debate temas como cidades inteligentes, inovação, inteligência artificial, infraestrutura e transição energética.
No âmbito da CCEEE, pretendemos aproveitar esse movimento oferecendo conteúdo técnico atualizado, acessível e conectado à realidade, especialmente por meio das plataformas Confea Capacita e dos palcos Conexões, que ganharam destaque nesta edição do Encontro. A ideia é transformar esses espaços em trilhas contínuas de desenvolvimento em áreas como energias renováveis, armazenamento de energia, mobilidade elétrica, infraestrutura crítica e automação — setores em expansão e com grande impacto na vida cotidiana.
Também vejo um papel fundamental do Crea Jr, que pode aproximar os estudantes dos problemas reais das cidades. Projetos de extensão, hackathons e desafios propostos pelas Câmaras — como soluções para recarga de frotas públicas, eficiência energética em escolas e unidades básicas de saúde, iluminação pública inteligente ou microrredes resilientes — aproximam os jovens da aplicação prática da engenharia e ampliam a percepção de propósito, algo muito valorizado pelas novas gerações.
Além disso, é importante comunicar de forma clara as diversas possibilidades de carreira dentro da Engenharia Elétrica — de data centers à mobilidade elétrica, de geração distribuída com armazenamento à segurança elétrica, de infraestrutura crítica à transição energética. Mostrar essas oportunidades é essencial para atrair novos talentos e garantir que o país forme os profissionais de que realmente precisa.
Qual legado a coordenadoria pretende deixar para os profissionais e para o Sistema a partir do trabalho desenvolvido em 2026?
O legado que buscamos construir é o de um Sistema mais coordenado, mais técnico e mais preparado para enfrentar os desafios do setor elétrico brasileiro.
Entre as entregas previstas está a revisão das Metas Nacionais de Fiscalização, com indicadores atualizados e alinhados ao risco real das atividades da modalidade, cuja conclusão está prevista até a terceira reunião de 2026. Também pretendemos entregar um conjunto robusto de Manuais de Fiscalização por Empreendimento, que permitirá aos fiscais atuar com maior clareza, eficiência e uniformidade técnica em todo o país.
Outro marco importante será a Decisão Normativa sobre sistemas BESS, trazendo segurança jurídica, parâmetros técnicos e responsabilidades profissionais para uma tecnologia que já ocupa posição central no futuro energético do Brasil. A proposta deverá ser apresentada até a quarta reunião.
No campo institucional, buscamos concluir o Termo de Cooperação com a ANEEL para garantir a presença de engenheiros eletricistas nos Conselhos de Consumidores e estabelecer um canal direto entre concessionárias e profissionais. Essas medidas aproximam o Sistema da sociedade e fortalecem a qualidade dos serviços prestados ao consumidor.
Por fim, pretendemos consolidar uma proposta de resolução conjunta com CFT e CAU, com o objetivo de reduzir conflitos de atribuições e ampliar a segurança jurídica no exercício da Engenharia Elétrica. Se conseguirmos entregar esse conjunto de iniciativas, a CCEEE deixará um legado de modernização, integração e protagonismo técnico para o Sistema Confea/Crea e para os profissionais da modalidade em todo o país.
Beatriz Craveiro
Equipe de Comunicação do Confea
