
Brasília, 29 de janeiro de 2026.
O futuro da engenharia vai além da formação técnica. Ele também passa por liderança, gestão e responsabilidade social. Esse foi o mote do Painel Programa Mulher, promovido durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua. Realizada na manhã desta quinta-feira (28), a agenda debateu os caminhos que conectam formação, carreira e liderança, preparando gestoras para os desafios do presente e do futuro.
Com mediação da vice-presidente do Confea, eng. civ. Ana Adalgisa, o painel reuniu mulheres que atuam em posições-chave da engenharia, da indústria e da gestão pública para compartilhar experiências, trajetórias e visões sobre liderança, inclusão e tomada de decisão em ambientes complexos. Foram elas: Maruska Lima, eng. civ. e ex-diretora de Obras Especiais da Novacap e ex-presidente da Terracap; Ana Cláudia Gomes, presidente da Comissão de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); e Marcela Passamani, secretária de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal.

Ao falar sobre a importância de a graduação preparar engenheiras para cargos de liderança, Ana Cláudia salientou que a rotina de trabalho exige um conjunto amplo de competências, especialmente para gerir e coordenar não apenas projetos, mas, sobretudo, pessoas. Maruska complementou ao afirmar que o cotidiano no canteiro de obras vai muito além do que o diploma formal entrega à profissional. “Por isso, precisamos buscar capacitação para liderar, acolher pessoas ou exercitar autoridade”, frisou. Já Marcela chamou atenção para a necessidade de uma postura empática e estratégica: “A maneira como as pessoas veem você conta muito. O resultado começa a partir da sua fala e do seu posicionamento”.

Na sequência, a vice-presidente do Confea relatou que, nos seis anos à frente do Crea-RN, vivenciou inúmeros momentos de solitute, considerados por ela como “necessários para fazer reflexões durante a liderança”, bem como para tomar decisões diante de desafios. Nessa mesma linha, Adalgisa convidou as painelistas a refletirem sobre como enfrentar os desafios do mercado de trabalho, considerando que, se liderar já é por si só uma tarefa complexa, o desafio se intensifica quando a liderança é exercida por uma mulher.
As respostas convergiram para os cuidados com saúde mental. A secretária de Estado Marcela pontuou a importância de se fazer escolhas com equilíbrio e consciência: “O grande segredo deste mundo tão acelerado é se preocupar com a saúde emocional”. Ana Cláudia complementou ao reforçar o peso desse cuidado na atuação profissional: “Saúde mental conta muito. Em alguns momentos precisamos ser fortes sem ser arrogantes, e atuar com criatividade, escuta e empatia. É fundamental também definir quais são os nossos pontos inegociáveis”.

No debate sobre liderança, as painelistas foram unânimes ao destacar que a participação em grupos e entidades é um caminho estratégico para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão e de fala. A representante da CBIC convidou as engenheiras a integrarem iniciativas da instituição, como o Elas Constroem e o Elas no Conselho, que preparam mulheres para liderar e oferecem oportunidades de desenvolvimento de soft skills. “Se inspirem nas mulheres que estão ao redor de vocês e encontrem espaços nas entidades, pois o associativismo é muito importante para se abrir para o novo, para o mercado de trabalho e enfrentar desafios”, motivou Ana Cláudia.
No debate sobre como ser líder, as painelistas foram unanimes ao destacar que a participação em grupos e entidades é um caminho estratégico para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão e de fala. A representante da CBIC convidou as engenheiras a integrarem as iniciativas da instituição, como o Elas Constroem e Elas no Conselho, que preparam mulheres para liderar e oferecem oportunidades de desenvolvimento de soft skills. “Se inspirem nas mulheres que estão ao redor de vocês e encontrem espaços nas entidades, pois o associativismo é muito importante para se abrir para o novo, para o mercado de trabalho e enfrentar desafios”, motivou Ana Cláudia. A engenheira Maruska reforçou a sugestão: “É nas entidades que se entende o espectro da liderança e se exercita o papel de sintonizar todos os integrantes da equipe. Se isso acontecer, você será uma excelente líder”.
Marcela, por sua vez, incentivou o público — formado majoritariamente por mulheres — a fortalecer a união como estratégia para a construção de espaços mais seguros. “Se juntem para abrir caminhos para outras mulheres que estão vindo atrás, pois as políticas públicas só vão mudar se tiver mulheres em espaços de fala e decisão”, afirmou, ao encorajar a adoção de posturas democráticas como forma de enfrentamento à sociedade patriarcal.

Ao encerrar o painel, a vice-presidente Ana Adalgisa e integrante do Comitê Gestor do Programa Mulher do Confea convocou engenheiras, agrônomas e geocientistas a assumirem um papel ativo na transformação social. “Se tiverem oportunidade para subir no palanque, usem essa chance para sair do papel de figurante para protagonista. Se nos unirmos e dermos o recado, vamos cada vez mais ter mulheres liderando empresas e entidades, e, acima de tudo, construindo uma nova sociedade”, afirmou.
Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea
