81ª Soea está localizada na origem do pré-sal

Aracaju, 15 de outubro de 2026

A produção de petróleo no Brasil bateu recorde em agosto deste ano, com 6 milhões de barris de óleo por dia. Os dados foram apresentados, nesta terça-feira (14), no painel Exploração, tecnologia e mercado: o novo cenário do pré-sal e do gás natural, da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), em Sergipe. Esta é a primeira vez que o país atinge o índice.

O painel teve início com a apresentação do geólogo Wendel Barbosa Araújo, que explicou sobre a descoberta do pré-sal, os principais poços e o desenvolvimento de petróleo no Brasil. De acordo com o geólogo, 82,6% da produção brasileira vem do pré-sal.

A procura pelo pré-sal começou entre 2001 e 2003, quando a Petrobrás estava sendo pressionada a descobrir novos poços de petróleo no país. Historicamente, o estado de Sergipe teve grande importância na retirada de petróleo, principalmente, em 1962 com a descoberta do poço de Carmópolis que virou símbolo da exploração petrolífera na unidade federativa.

Geólogo Wendel Barbosa Araújo

Em 1969, foi a descoberta do poço Guaricema. Também se tornou marco histórico da primeira descoberta de petróleo no mar no Brasil. O poço fica de 9 a 10 quilômetros da costa do estado de Sergipe. Com isso, o estado foi o primeiro local em que o pré-sal foi desenvolvido.

O geólogo também destacou as tecnologias utilizadas para a retirada do petróleo e o fluxo da cadeia petrolífera. “A viabilidade do pré-sal depende da integração perfeita do sistema, como as decisões de drenagem no reservatório que condicionam o arranjo submarino, o processamento de plantas no FPSO, a logística e a eficiência capital”, finalizou.

Engenheiro mecânico Silvio Leonardo Valença

Para explicar sobre o mercado e as projeções do pré-sal para os próximos anos, o engenheiro mecânico Silvio Leonardo Valença, assumiu o painel. Com passagem pela Petrobrás, Valença iniciou a apresentação mostrando dados da exploração de petróleo nos últimos anos. Segundo o engenheiro mecânico, o pré-sal ainda alcançará o pico em 2030. Atualmente, o Brasil oscila entre a sétima e nona posição no mundo em produção de petróleo.

Para que o país continue no ranking, é preciso descobrir e perfurar novos poços. De acordo com o engenheiro, o Brasil descobriu uma nova fronteira exploratória chamada de Margem Equatorial, que está localizada em toda a extensão do Amapá até o Rio Grande do Norte. A reserva possui cerca de 2,2 mil km.

Em setembro deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou três novos poços no Maranhão que começarão a ser perfurados em 2027.

“Não se encontra petróleo sem perfurar. O papel da engenharia é formar hoje quem vai operar energia amanhã. Para isso, é preciso fazer parcerias entre indústrias e ensino, qualificar e ter novos profissionais”, disse.

Para finalizar o painel, o engenheiro Alisson Santos explicou sobre a distribuição do gás natural no Brasil. Como ele é distribuído e chega de forma segura ao consumidor final. Conforme o engenheiro, a cadeia do gás canalizado no país consiste na produção, escoamento, processamento, transporte e distribuição.

Engenheiro Alisson Santos

A malha total de gás possui cerca de 47 mil quilômetros com 516 municípios atendidos e 5 milhões de clientes conectados. Apenas três estados do Brasil não possuem distribuição: Acre, Roraima e Tocantins.

O gás natural pode ser utilizado de forma industrial, transformado em energia; veicular, com o GNV, que é uma alternativa econômica e de baixo impacto ambiental e residencial, que possui baixa pressão e é utilizado nos lares brasileiros.

“Toda essa rede também possui riscos à vida, com a quebra de tubos, ocasionando vazamentos. Quando há a quebra, é preciso interromper o fornecimento gerando desabastecimento para as residências e hospitais”, disse Santos.

Reportagem: Caroline Mesquita (Crea-MT)
Edição: Beatriz Leal Craveiro (Confea)
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Sto Rei e DBrothers/Confea