Brasília, 20 de janeiro de 2026
Quando criança, o maranhense Luis Plécio teve sua atenção atraída pela palavra "engenheiro". Esse fato, aliado à sua facilidade com matemática, física e química, o levou à formação em engenharia civil. Hoje é empresário: tem uma construtora e uma consultoria, com contratos de manutenção, obras públicas e privadas. Atua em construção de casas para venda, manutenção predial e obras institucionais, como delegacias. "É gratificante ver um terreno vazio se transformar em um prédio", comenta o recém-eleito conselheiro federal, que já foi presidente do Crea-MA, entre 2021 e 2023.

Confira a entrevista de Luís Plécio, concedida ao site do Confea durante o Workshop Novos Conselheiros 2026:
Como se deu a formação da chapa com o suplente (eng. civ. Vanessa Oliveira da Silva) e quais princípios orientam essa atuação conjunta no plenário do Confea?
Nossa atuação é orientada, primeiro de tudo, pela ética. Buscamos a valorização dos profissionais com transparência, responsabilidade e agilidade nos processos. O mandato passa muito rápido — são três anos — e, por isso, é fundamental otimizar o tempo.
Qual a importância de representar os profissionais da sua modalidade no plenário do Confea?
Já fui presidente por três anos e agora assumo a missão de conselheiro federal por mais três. Representar o Maranhão no plenário, especialmente a engenharia civil, é muito significativo, já que essa modalidade corresponde a cerca de 70% dos profissionais do sistema. Ainda assim, entendemos que nossa representação não é apenas de uma modalidade, mas de todo o sistema, em nível nacional, sempre com atenção especial às demandas do Maranhão.
Quais são as principais prioridades do seu mandato para a valorização e o fortalecimento da atuação profissional no Sistema Confea/Crea?
Entre as principais prioridades estão a valorização e o fortalecimento da atuação profissional. Durante minha gestão como presidente, trabalhamos fortemente a questão do piso salarial e do reconhecimento profissional em todas as áreas do Sistema Confea/Crea e Mútua.
Defendemos a consolidação de um sistema operacional único. Hoje, cerca de 50% a 60% dos Creas já utilizam o mesmo sistema, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A unificação fortalece a voz dos profissionais e facilita a mobilidade. Não faz sentido que um engenheiro precise lidar com sistemas diferentes para atuar em estados distintos.
Avançamos muito na desburocratização. Antes, processos simples, como o registro de uma empresa, podiam levar meses. Delegamos poderes aos setores técnicos, sempre com transparência e responsabilidade, para garantir mais agilidade sem abrir mão da legalidade.
Também buscamos equilibrar rigor técnico e facilitação. Áreas como a construção civil impactam diversas modalidades — elétrica, mecânica, agronomia — e precisam ser tratadas de forma integrada.
De que forma pretende incentivar a inovação e a modernização da engenharia, ampliando a competitividade e a inserção tecnológica dos profissionais?
Inovação não está ligada à idade, mas à capacidade de se adaptar. O sistema reúne profissionais jovens, experientes e mais antigos. É preciso dialogar com todos. Enquanto alguns se comunicam melhor por WhatsApp, outros ainda preferem o e-mail.
A inovação passa pela modernização das leis, como a Lei nº 5.194, que é antiga, e pela atualização de normas internas, processos de registro e inclusão de profissionais em empresas.
A digitalização foi um grande avanço. No Maranhão, por exemplo, a adoção do sistema digital trouxe mais rapidez e eficiência, impactando diretamente o profissional que está na ponta.
Medidas no Crea-Júnior e a unificação dos sistemas operacionais também aumentam a competitividade e facilitam a atuação em nível nacional. A oxigenação do sistema, com a entrada e saída de pessoas, traz novas ideias e fortalece a gestão.
Em um cenário de eleições no Brasil (municipais e gerais) em que energia, infraestrutura e transição energética ganham destaque nas políticas públicas, como o senhor avalia o papel do Confea na defesa e valorização dos engenheiros?
Os períodos eleitorais influenciam diretamente debates sobre infraestrutura, energia e desenvolvimento. O Sistema Confea/Crea precisa dialogar com o poder público, reforçando a importância de que cargos técnicos — como Secretarias de Infraestrutura — sejam ocupados por engenheiros.
Participamos ativamente da defesa de pautas como a Lei de Inspeção Predial, especialmente em São Luís. Tragédias estruturais mostram a importância da atuação técnica qualificada. O sistema precisa estar presente nessas discussões, dialogando com prefeitos, vereadores e governadores.
Ao concluir seu mandato como conselheiro, que legado pretende deixar para os profissionais e para o Sistema?
Fui eleito presidente aos 28 anos, o mais jovem da história do Crea, e enfrentei muitas críticas por suposta falta de experiência. No entanto, eu era funcionário do Conselho e conhecia profundamente o Sistema. Deixei um legado de modernização, inovação e gestão responsável.
Como conselheiro federal, meu objetivo é fortalecer o sistema único. Hoje há Conselhos com sobra de recursos e outros que mal conseguem pagar a folha de pessoal. Precisamos de mecanismos mais solidários. Não represento apenas o Maranhão ou a engenharia civil, mas todo o Sistema.
Quero deixar como legado a conscientização de que não existe “Crea Maranhão” isolado, mas um sistema nacional, integrado, envolvendo engenharias, agronomia e geociências. Se um Conselho avança, todo o sistema avança.
Beatriz Leal
Equipe de Comunicação do Confea
