Da uniformização ao Sistema Integrado de Processos Éticos

 

Coordenador Nacional das Comissões de Ética dos Creas, eng. quim. seg. trab. Marino Greco, entre colega da CNCE e a nova coordenadora adjunta eng. civ. Cynthia Freitas: experiência e planos para promover a ética no Sistema
Coordenador Nacional das Comissões de Ética dos Creas, eng. quim. seg. trab. Marino Greco, entre colega da CNCE e a nova coordenadora adjunta eng. civ. Cynthia Freitas: experiência e planos para promover a ética no Sistema

 

Brasília, 6 de março de 2026.

O fazer ético desafia todas as coordenadorias de câmaras especializadas do Sistema, mas é na Coordenadoria Nacional de Comissões de Ética dos Creas que são sistematizadas todas as preocupações com o devido fazer legal, legítimo, coerente e identificado com as premissas humanitárias do exercício profissional da Engenharia, da Agronomia e das Geociências. Eleitos durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua, realizado em janeiro, os novos coordenadores nacionais da área são o eng. quim. e seg. trab. Marino Greco (Crea-RS) e eng. civ. Cynthia Freitas (Crea-SE).

Para o titular, “a ética profissional não é apenas uma obrigação, mas uma oportunidade de demonstrar o valor e a importância da nossa profissão. Ao seguir os princípios éticos, protegemos a sociedade de riscos e danos, e também fortalecemos a confiança e a credibilidade da nossa profissão”.

Ainda na entrevista abaixo, Marino Greco considera ainda que a uniformização de procedimentos com base no código de ética e manual de aplicação; implementação de sistema digital nacional para acompanhamento de processos éticos e a implantação de banco de jurisprudências de ética profissional estão entre as principais metas da Coordenadoria para este mandato. Ele também informa que deseja iniciar a operacionalização do Sistema Integrado de Processos Éticos - SIPE, “tendo em vista sua utilidade como ferramenta estratégica para a centralização e o tratamento eficiente dos dados das comissões de ética profissional dos 27 Crea”.

O coordenador possui uma vasta carreira acadêmica e institucional. Professor há 34 anos nas áreas da Engenharia Química e da Segurança do Trabalho, coordenou na Ulbra/RS os cursos de Engenharia Química, Engenharia de Plásticos, Tecnólogo em Segurança do Trabalho e Engenharia de Segurança do Trabalho. Por esta universidade, é mestre em Engenharia de Energia, Ambiente e Materiais. Engenheiro de Segurança do Trabalho pela PUC-RS, onde se formou em 1985, ele também tem mestrado em Administração e Marketing Estratégico pela Universidad de Ciencias Empresariales Y Sociales – UCES (Argentina, 2002). Marino atua como professor convidado dos cursos de Engenharia de Segurança do Trabalho na Universidade de Caxias do Sul – UCS; Centro Universitário Metodista-IPA e Unijuí.

No Sistema Confea/Crea, atua como diretor técnico em empresa de consultoria nas áreas da Engenharia Química e de Segurança e Saúde do Trabalho – SST e ainda como vice-presidente da Associação Profissional dos Engenheiros Químicos do Rio Grande do Sul – APEQ/RS para Gestão 2026-2028. No Crea-RS, é coordenador da Comissão de Ética - CEP desde o ano passado e foi coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química em 2006, 2010, 2021 e 2022; 1º diretor administrativo, em 2011, 2024 e 2025; 1º vice-presidente, em 2012, e
gerente de Fiscalização entre 2013 e 2018. Já no Confea, Marino Greco foi coordenador nacional adjunto da Coordenadoria das Câmaras Especializadas de Engenharia Química – CCEEQ, em 2006 e 2010; membro da Delegação Brasileira da CIAM- Comissão de Integração de Agrimensura, Agronomia, Arquitetura, Geologia e Engenharia para o Mercosul, representando a modalidade Engenharia Química do Sistema Confea/Crea, em 2006 e 2010; coordenador nacional da Coordenadoria das Câmaras Especializadas de Engenharia Química – CCEEQ em 2021 e 2022, além de representante das Coordenadorias Nacionais das Câmaras Especializadas de Engenharia do Confea no Comitê Gestor do Programa Mulher do Sistema Confea, Crea e Mútua em 2022 e 2023. É com toda essa experiência que Marino Greco nos fala agora sobre seus planos à frente da CNCE.

 

Marino Greco já atuou em várias frentes no Sistema, mas esta é sua primeira experiência na liderança da CNCE
Marino Greco já atuou em várias frentes no Sistema, mas esta é sua primeira experiência na liderança da CNCE


 

Confea – Quais foram os pontos principais discutidos pela coordenadoria ao longo do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea?

Eng. quim. seg. trab. Marino Greco – Ao longo do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea, a CNCE discutiu vários assuntos, ressaltando seu plano de trabalho em alinhamento com o Plano Plurianual do Confea, e o elaborado pela CNCE 2025 para o período do 2026 a 2028. Neste sentido, a CNCE 2026 amplia seu foco na integração e monitoramento de processos éticos entre os Creas e na capacitação de procedimentos para agentes fiscais, conselheiros, funcionários, profissionais e estudantes, objetivando: 
•    uniformização de procedimentos com base no código de ética e manual de aplicação;
•    implementação de sistema digital nacional para acompanhamento de processos éticos;
•    implantação de banco de jurisprudências de ética profissional;
•    realização de programas contínuos de capacitação e fóruns de discussão anuais;
•    definição de indicadores nacionais para monitoramento da celeridade e uniformidade processual;
•    publicação periódica de Relatórios Nacionais de Ética Profissional para o Plenário do Confea.
•    promover a celeridade, a uniformidade de procedimentos e a unicidade de ação na condução dos processos ético-disciplinares;
•    criar um Protocolo Nacional de Aplicação da Resolução nº 1.004/2003, assegurando adoção uniforme pelos Creas.

Confea – A entrega de ações de fiscalização de alto valor e relevância, em âmbito nacional, é um propósito permanente do Sistema Confea/Crea. De que forma a coordenadoria pretende atuar para qualificar esses processos, incorporando novas tecnologias e soluções inovadoras à fiscalização?

Eng. quim. seg. trab. Marino Greco – A CNCE pretende estar próxima das fiscalizações dos Creas, através das coordenações de  Ética dos 27 Creas; bem como da gerência de Fiscalização, comissão de Ética e Exercício Profissional, plenária e coordenadorias nacionais das Modalidades do Confea e, principalmente, na proposição de programas contínuos de capacitação e fóruns de discussão anuais, envolvendo as parcerias existentes e a serem feitas com órgãos públicos e privados, bem como universidades pelos 27 Creas e Confea. Nesse sentido, são possíveis a adoção de soluções inovadoras para capacitação de agentes fiscais da engenharia que podem tornar os treinamentos mais eficientes e atraentes.  Através de parcerias com instituições de ensino para desenvolvimento de programas de capacitação personalizados, como tecnologia de simulação, IA, plataformas de aprendizado online e gamificação. Destaque-se que: o uso de realidade virtual e aumentada para simular cenários de fiscalização, pode permitir que os agentes pratiquem em ambientes controlados; a implementação de IA para análise de dados e identificação de riscos, pode auxiliar os agentes fiscais a priorizar suas ações; o desenvolvimento de plataformas interativas que ofereçam cursos, vídeos e quizzes para capacitação contínua e o uso de jogos e desafios para motivar os agentes a aprenderem e aplicarem conhecimentos, pode ser  uma ótima abordagem para treinar ética em  fiscalização da engenharia citando temas como: 
•    criação de cenários que apresentem dilemas éticos comuns na fiscalização, e os agentes precisam tomar decisões;
•    atribuição de pontos ou recompensas quando os agentes tomam decisões éticas ou identificam problemas de ética;
•    simulações de conflito de interesse, através de situações em que os agentes precisam lidar com conflitos de interesse ou pressões para tomar decisões antiéticas;
•    treinamentos em equipe, estimulando os agentes fiscais a trabalharem em equipes para resolver problemas éticos, promovendo a discussão e o aprendizado colaborativo; e
•    feedback e reflexão sobre as decisões tomadas, incentivando os agentes a refletirem sobre suas escolhas.

 

Novos coordenadores regionais reunidos durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua
Novos coordenadores regionais reunidos durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua

 

Confea – A atual gestão do Confea tem incentivado a engenharia brasileira a se aproximar da realidade social do país, identificando nesse diálogo um caminho para aprimorar a infraestrutura nacional. De que forma a coordenadoria pretende atuar para contribuir efetivamente na mitigação dos problemas que afetam a população brasileira?

Eng. quim. seg. trab. Marino Greco – O trabalho da CNCE pode e deve influenciar a engenharia de diversas formas, ou seja, demonstrando a importância do direcionamento de investimentos e projetos de infraestrutura, garantindo que atendam às necessidades do país de forma ética e sustentável; bem como fomentando, entre os profissionais e áreas diretivas dos órgãos públicos e privados, o cumprimento do Código de Ética Profissional, o que impacta diretamente a forma como os projetos são conduzidos, priorizando segurança, saúde e bem-estar da sociedade. O código de ética da engenharia enfatiza o desenvolvimento sustentável, o que significa que os projetos devem considerar impactos ambientais e sociais a longo prazo.
 

Confea – Outro eixo prioritário do Confea tem sido a reconexão com os jovens estudantes, diante da queda acentuada do interesse pela engenharia. Na sua avaliação, que estratégias são essenciais para enfrentar esse cenário preocupante, que pode colocar em risco a execução de programas estratégicos para o Brasil?
 

Eng. quim. seg. trab. Marino Greco – Esse tema, igualmente conduz à realização de programas contínuos de capacitação e fóruns de discussão anuais em parceria com as universidades e instituições de ensino. Fundamental os futuros engenheiros estarem cientes de seus deveres ante o ser humano e seus valores, quais sejam: oferecer seu saber para o bem da humanidade; harmonizar os interesses pessoais aos coletivos; contribuir para a preservação da incolumidade pública; divulgar os conhecimentos científicos, artísticos e tecnológicos inerentes à profissão.  A CNCE pode e deve se aproximar dos estudantes, de várias maneiras, atuando em seus estados, através das parcerias com universidades e instituições de ensino firmadas entre os 27 Creas, incentivando:
•    realização de palestras e workshops em universidades e instituições de ensino  técnico para apresentar o código de ética e discutir sua importância;
•    desenvolvimento de materiais educativos, como vídeos, infografias e folhetos, que expliquem o código de ética de forma clara e acessível;
•    promoção de concursos e desafios que incentivem os estudantes a aprenderem e aplicarem o código de ética em projetos e casos práticos;
•    trabalho, através de parcerias com entidades de classe e com associações estudantis de engenharia e cursos da área tecnológica para disseminação de informações e promoção de atividades sobre ética profissional;
•    oferta de programas de mentoria onde profissionais experientes possam orientar os estudantes sobre questões éticas e profissionais.

Confea – Qual legado a coordenadoria pretende deixar para os profissionais e para o Sistema a partir do trabalho desenvolvido em 2026?

Eng. quim. seg. trab. Marino Greco – O Confea, a partir de junho de 2025, passou a implementar plano plurianual de atuação da Coordenadoria Nacional de Comissões de Ética, com definição de objetivos estratégicos, metas, indicadores e cronograma. Apesar desse avanço institucional, ainda persistem algumas lacunas práticas na aplicação da Resolução nº 1.004, de 2003, como desigualdade na implementação entre Creas, ausência de indicadores nacionais de monitoramento e dificuldade de sistematização e transparência na comunicação dos resultados ao Plenário do Confea e à sociedade. Nesse sentido, a CNCE pretende deixar seu legado, trabalhando em conjunto com o Confea para iniciar em 2026 a operacionalização do Sistema Integrado de Processos Éticos - SIPE, tendo em vista sua utilidade como ferramenta estratégica para a centralização e o tratamento eficiente dos dados das comissões de ética profissional dos 27 Creas. A Ética Profissional é fundamental para o bom exercício das profissões de Engenharia, Agronomia e Geociências. Como profissionais, temos a responsabilidade de proteger a sociedade e dignificar a profissão. Isso significa atuar com transparência, responsabilidade e respeito, garantindo que nossas ações contribuam para o bem-estar social e a sustentabilidade. A ética profissional não é apenas uma obrigação, mas uma oportunidade de demonstrar o valor e a importância da nossa profissão. Ao seguir os princípios éticos, protegemos a sociedade de riscos e danos, e também fortalecemos a confiança e a credibilidade da nossa profissão. Vamos trabalhar, todos juntos, para promover uma cultura de ética e responsabilidade, garantindo que a Engenharia, Agronomia e Geociências sejam forças positivas para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da sociedade.

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea

Fotos: Sto Rei Produtora/Confea