Confea adere à campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica

Brasília, 23 de setembro de 2026.

Os índices de violência de gênero ainda revelam um cenário preocupante no país. Em 2025, cerca de 3,7 milhões de mulheres declararam ao Instituto DataSenado ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar. O levantamento, que ouviu mais de 21 mil mulheres em todo o país, também revelou que, em 71% dos casos, as agressões ocorreram na presença de outras pessoas, muitas delas crianças, principalmente filhos ou filhas das vítimas. 

Os dados reforçam a necessidade de ampliar as redes de prevenção e acolhimento. Nesse sentido, o Confea inicia, nesta quarta-feira (23), a utilização da campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, iniciativa que possibilita à mulher em situação de violência pedir ajuda de maneira silenciosa e discreta, por meio de um “X” vermelho desenhado na palma da mão.

Da esq. p/ dir.: Giucélia Figueiredo, Ana Adalgisa, Camilla Liporaci e Andreia Conduru


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Durante a Sessão Plenária nº 1.758, o Confea renovou a parceria com o Instituto Nós Por Elas, dando continuidade ao trabalho conjunto em ações de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. “Precisamos ser um Conselho que acolhe, defende e protege as mulheres. Esse é um trabalho que fazemos com os conselheiros, os presidentes de Creas e em nossa legislação que, em 2025, estabeleceu que a violência doméstica passou a ser critério de inelegibilidade no Sistema Confea/Crea e Mútua”, pontuou a vice-presidente no exercício da Presidência do Confea, eng. civ. Ana Adalgisa.

Vice-presidente no exercício da Presidência do Confea, eng. civ. Ana Adalgisa

A campanha Sinal Vermelho se soma a outras ações institucionais voltadas à conscientização e à promoção de uma cultura de respeito e enfrentamento à violência contra as mulheres, como salientou a conselheira federal, eng. agr. Giucélia Figueiredo. “Precisamos ter cada vez mais atores sociais e políticos compromissados com essa temática porque, enquanto país, não podemos conviver com esses números assustadores e absurdos de feminicídio”, disse, ao lembrar que em 2025 foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Giucélia também destacou que a violência contra as mulheres se manifesta de diferentes formas e está presente no cotidiano profissional. “É penoso atuar em nosso Sistema Profissional que vem de uma sociedade machista; e o machismo gera violência nas mais diversas nuances: violência política, intelectual e de gênero, além de discriminação salarial. E nós mulheres enfrentamos essas manifestações de violência diariamente. Por isso, somos solidárias a essa campanha, entregamos muita coragem e ninguém vai nos tirar dessa luta”, assegurou.

Após a assinatura de renovação da parceria, a presidente do Instituto Nós Por Elas destacou o papel relevante do Confea na construção de ambientes mais seguros e inclusivos. “Entendemos que combater a violência não é responsabilidade somente do estado brasileiro, mas, sim, de toda a população. E esta instituição tem o poder de capilarizar essa conscientização. Espero, então, que vocês sejam as vozes no combate à violência para toda a sociedade”, afirmou Camilla Liporaci. 

Presidente do Instituto Nós Por Elas, Camilla Liporaci

Com renovação da parceria e divulgação da campanha Sinal Vermelho, o Confea passa a reunir condições para concorrer ao Selo Platina de Boas Práticas no Combate à Violência Contra as Mulheres, que é o nível máximo da certificação prevista na ABNT PR 1019/2023, desenvolvida em parceria com o Instituto Nós Por Elas. Atualmente, o Confea detém o Selo Ouro, conquistado em outubro do ano passado. 


Saiba como ajudar a vítima 
Criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a campanha Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica estabelece um protocolo para que o sinal seja reconhecido e a vítima receba o encaminhamento adequado. A iniciativa foi transformada em política nacional pela Lei nº 14.188/2021.

    - O sinal “X” feito com batom vermelho (ou qualquer outro material) na palma da mão ou em um pedaço de papel, o que for mais fácil, permitirá que a pessoa que atende reconheça que aquela mulher foi vítima de violência doméstica e, assim, promova o acionamento da Polícia Militar.
    - Atendentes recebem cartilha e tutorial em formato visual, em que são explicados os fluxos que deverão seguir, com as orientações necessárias ao atendimento da vítima e ao acionamento da Polícia Militar, de acordo com protocolo preestabelecido.
    - Quando a pessoa mostrar o “X”, o atendente, de forma reservada, usando os meios à sua disposição, registra o nome, o telefone e o endereço da suposta vítima, e liga para o 190 para acionar a Polícia Militar. Em seguida, se possível, conduz a vítima a um espaço reservado, para aguardar a chegada da polícia. Se a vítima disser que não quer a polícia naquele momento, entenda. Após a saída dela, transmita as informações pelo telefone 190. Para a segurança de todos e o sucesso da operação, sigilo e discrição são muito importantes. A pessoa atendente não será chamada à delegacia para servir de testemunha.
    - Se houver flagrante, a Polícia Militar encaminha a vítima e o agressor para a delegacia de polícia. Caso contrário, o fato será informado à delegacia de polícia por meio de sistema próprio para dar os encaminhamentos necessários – boletim de ocorrência e pedido de medida protetiva.



Julianna Curado 
Equipe de Comunicação do Confea, com informações da Agência Senado, CNJ e Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Fotos: Thiago Sousa/Confea