Políticas sustentáveis de infraestrutura com planejamento e governança

 

Políticas sustentáveis de infraestrutura
Engenheira civil e secretária de Infraestrutura de São Paulo, Natália Resende, descreve as ações desenvolvidas pelo Estado nos últimos quatro anos para promover uma governança sustentável 

 

Aracaju, 16 de outubro de 2026.

A construção de novas modelagens de contratação de infraestrutura de São Paulo foi apresentada pela Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, eng. civ. e adv. Natália Resende, em uma das últimas das 180 palestras realizadas na 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), em Aracaju, até esta sexta-feira (16 /10). Apesar das mudanças, os investimentos do Estado também foram elevados, tanto em modais de transporte, como em saneamento e energia. E contam agora com um desafio extra, os eventos climáticos extremos, e também com um novo aliado: o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), comentado algumas vezes por Natália ao longo de sua apresentação, intitulada "O Papel da Engenharia na Construção de Políticas Públicas Eficientes".

“Quando a gente fala do sistema aquaviário, as travessias litorâneas eram um desafio que precisava de investimentos e de pensar a melhor forma de modelagem. Isso faz parte do planejamento. Precisamos colocar recursos do Estado. Com 2.5 bilhões durante 20 anos, amortizando nos próximos sete anos. Precisamos formar pessoas para resolver problemas e não para ficar enxugando gelo”, disse, após destacar a importância do planejamento e da governança para o sucesso da atuação dos profissionais da engenharia.
 

“Não enxugar gelo na infraestrutura” reitera a preocupação do governo paulista em promover uma “evolução das políticas públicas” com base no planejamento e na governança.  “A gente precisa de planejamento e governança. Em São Paulo, olhamos todas as políticas públicas setoriais e fizemos elas conversarem entre elas. Começamos a harmonizar as particularidades de cada um dos 645 municípios. Entendemos que é preciso gastar energia para planejar. Os planos hoje estão olhando o horizonte de 2050”. 

 

Políticas sustentáveis de infraestrutura
Papel dos profissionais de engenharia para o avanço das obras de infraestrutura de transportes, energia e sanamento do Estado de Sâo Paulo foi destacado por Natáia Resende



O que também envolve uma preocupação extra, decorrente do avanço dos eventos extremos em todo o mundo. Citando medidas para enfrentar os impactos do El Niño, a secretária comentou a necessidade de um preparo maior na infraestrutura de drenagem. “Traçamos 181 medidas para enfrentar esse fenômeno, para a gente começar a agir, mas agir com planejamento e governança. Em 2023, a gente estabeleceu um portfólio de infraestrutura com o valor de 220 bilhões e hoje a gente chega com 320 bilhões contratados. Para isso, a gente precisa de agências reguladoras que entendam a regulação para cada setor. Fortalecemos as agências para dar autonomia financeira, administrativa”. 

Para o sucesso da governança, Natália Resende considera válido “olhar de uma forma com que todo mundo caminhe junto. Vocês já fazem a diferença na vida das pessoas. Com um propósito maior do que a engenharia fria. A gente faz a diferença na vida das pessoas”, disse, conclamando ainda para buscar deixar o conhecimento no Brasil.

Infra-BR, modais e energia
A secretária de Infraestrutura de São Paulo destacou ainda a importância do Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR ). Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos (UnB) e Procuradora Federal, Natália parabenizou o presidente Vinicius Marchese por incrementar políticas públicas para enfrentar problemas de infraestrutura. “O Infra-BR é um mecanismo muito bom para melhorar as políticas públicas. No setor de transportes, temos um grande potencial que precisamos estimular no país, as hidrovias. É o modo mais sustentável e pouco explorado. Se tivermos planejamento e governança, podemos passar a ter infraestrutura junto com a sustentabilidade”, sugeriu.

Depois das hidrovias, o segundo modo mais sustentável, conforme Natália Resende, são as ferrovias. “Temos um potencial gigantesco no país. Somos um país continental. A gente precisa colocar mais trilhos no Brasil. Fizemos uma PPP para ter o trem de alta velocidade entre São Paulo e Campinas com recursos do Estado (R$ 8,9 bilhões em 39 anos) e vamos ter o primeiro trecho pronto até 2029. O outro até 2031.  No ministério da Infraestrutura, elaboramos a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) que reduz o frete e melhora o ambiente de integração do Brasil. A infraestrutura de rede é olhar essa infraestrutura de transporte e olhar os nós. Precisamos incorporar isso aos projetos de rodovia, a drenagem.  Isso é resiliência climática”.

Já em relação à  matriz energética do Brasil, Natália destacou que temos 50% de origem limpa. E, diferente de vários países, temos uma muito potencial de crescimento. “Em 2024, fizemos o primeiro plano subnacional voltado para a neutralidade de carbono com  o horizonte para 2050. “No final de 2022, uma produção de biometano de 5 mil metros cúbicos dia. Hoje estamos com 770 mil, com o resíduo da cana. Diferentemente do hidrogênio, ele se mistura com o gás, aproveitando a infraestrutura já instalada. Nosso potencial é de 6.4 milhões de metros cúbicos dia, vindos principalmente desse resíduo da cana e também dos resíduos sólidos”.
 

Saneamento e modelagens
A importância de discutir mais a solução do saneamento básico mereceu uma atenção especial da secretária Natália Resende. “Saneamento tem uma infraestrutura difícil, que precisa de muito investimento e é muito necessária ao Brasil. São Paulo recebe 43 mil toneladas dia de resíduos sólidos, mas a maioria dos municípios produz até cerca de 50 toneladas dia”.

Natália considera que  escala é necessária para contribuir para fazer a economia circular “de verdade”, após o devido planejamento e governança. “O planejamento tem que ser feito. Quem tem que dar escala é o estado ou a União. Do transbordo em diante, começamos a fazer modelagens de contratos de longo prazo para a gente valorizar o resíduo, como fonte de emprego e renda. Com subsídio do Estado, precisamos olhar a realidade de cada região do estado para ter uma produção sustentável”.

 

Políticas sustentáveis de infraestrutura
Secretária também destacou a importância de promover ajustes nas modelagens de contratação para promover padrões de entregas eficientes



Água, esgoto e drenagem foram identificados pela gestora com lógicas de modelagem diferentes. “Pegamos as mais de 3 mil auto bacias do Estado. A gente passa por uma escassez danada e no mesmo dia vem uma chuva e leva. Isso está acontecendo com cada vez mais frequência. Era mais prolongada e com uma intensidade menor. Isso está invertendo. A drenagem não tem uma forma de remuneração específica, e é enterrada, como o esgoto”. 

A secretária paulista registrou ainda que, na região metropolitana e na região administrativa de Campinas, é necessário fazer obras para reduzir a perda d’água, por exemplo. “E o Infra-BR nos ajuda a ter informação de qualidade. Não adianta furar poço e perder 60% na distribuição. Não vai funcionar diante dos eventos que a gente está vendo”.

 

Reportagem e ediçlão: Henrique Nunes
Gestão de imagens: Paula Moreira
Fotos: Dbrothers e Sto Rei
Equipe de Comunicação da 81ª Soea