Brasília, 25 de setembro de 2026
Desde criança, em Salvador, o engenheiro Ademir Ferreira dos Santos tinha como lazer acompanhar de perto a construção de prédios, pontes e avenidas. A curiosidade tornou-se profissão: atua na área de Engenharia de Pontes há 55 anos. Em 2019, mudou-se para Portugal com a esposa, aprovado no Programa de Doutorado em Engenharia Civil da Universidade do Minho, na área de Gestão de Pontes. Agora, Ademir soma outro marco à trajetória. Ele é o primeiro engenheiro brasileiro registrado na Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP) pelo Termo de Reciprocidade com o Confea a receber o Título de Engenheiro Sênior, outorga oficializada e comunicada ao profissional neste mês.

O caminho até lá passou pelo Termo Complementar nº 003 ao Termo de Reciprocidade Confea-OEP, que estabelece as regras para o reconhecimento do Acervo Técnico e para a atribuição do título a engenheiros brasileiros. Entre os requisitos: mais de dez anos de registro no Sistema Confea/Crea, registro na OEP há mais de dois anos, residência e exercício profissional em Portugal por igual período, além de documentação que comprove experiência, maturidade, autonomia e capacidade de chefia ou coordenação.
O requerimento de Ademir foi encaminhado pelo Confea à OEP em 13 de março de 2026 e concluído em cerca de seis meses. Antes disso, o processo teve outro capítulo: durante quase dois anos, o engenheiro tentou obter o título sozinho, sem sucesso. "O acompanhamento do Confea foi decisivo e responsável pela conquista. Desde o recebimento da minha documentação e de seu envio à Ordem dos Engenheiros de Portugal até a conclusão do processo, este acompanhamento foi imprescindível para o êxito do processo", afirma Ademir.
O que muda na prática
O Título de Engenheiro Sênior é pré-requisito para o exercício pleno da profissão em Portugal e obrigatório para determinados atos profissionais. Para Ademir, o documento representa a possibilidade de atuar no país da mesma forma como já atua no Brasil. "Objetivamente, o Título de Engenheiro Sênior me permitirá exercer, em Portugal, a atividade que já desenvolvo no Brasil há muito tempo, a Coordenação de Projetos de Pontes de alta complexidade", explica.
Exportação de engenharia
Ademir também vê no reconhecimento uma oportunidade de aproximar as duas tradições de engenharia. Ele lembra que o Brasil tem cerca de 115 mil pontes rodoviárias, das quais mais de 40 mil têm mais de 50 anos, e que a segurança dessas estruturas é hoje um tema de pesquisa intensa em Portugal. "Penso que este aspecto seria de muita valia para uma cooperação entre as engenharias portuguesa e brasileira", afirma.
Para o Confea, o caso de Ademir é a aplicação concreta de um mecanismo construído em conjunto com a OEP para reconhecer a experiência dos engenheiros brasileiros e ampliar sua mobilidade profissional entre os dois países. Resume o próprio Ademir, em uma frase, o significado da conquista: "A Engenharia de Pontes do Brasil está apta a compartilhar a experiência brasileira no exterior".
Beatriz Leal Craveiro
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: acervo
