Rafael Bitencourt - Valor, 23 de novembro de 2010 | 20h09
BRASÍLIA - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) informou hoje que foi enviada, no fim desta tarde, uma carta endereçada ao governo com o pedido de prorrogação dos prazos da licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV), trem-bala que interligará Rio, São Paulo e Campinas.
A menos de uma semana para a entrega das propostas econômicas dos consórcios internacionais, o presidente da Abifer, Vicente Abate, acredita que a Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) ainda pode ceder aos apelos dos empreendedores de adiar o leilão para o próximo ano.
Abate considera que, se houver adiamento do leilão, o governo poderá ficar ainda mais satisfeito como o resultado da licitação. Segundo ele, ao mesmo tempo em que as propostas poderão ser aperfeiçoadas pelos grupos, o que poderia provocar até uma redução da tarifa econômica, a previsão inicial para a conclusão do empreendimento não seria comprometida.
“Não se trata aqui de qualquer ação de confronto ao governo. Esse adiamento não levaria a um prejuízo do prazo final das obras. Não se perderá estes seis meses, que podem ser recuperados se forem adotadas ações paralelas”, afirmou Abate ao se referir ao empenho do governo para dar celeridade ao processo de licenciamento ambiental e desapropriação de áreas de execução do projeto.
O presidente da Abifer garante que não tem acompanhado decisões técnicas dos consórcios, nem as negociações das empresas associadas à entidade. Por isso, justifica a necessidade de adiamento do leilão apenas pelo argumento da “complexidade” do projeto.
Segundo Abate, as condições para fechamento das propostas econômicas mudaram nos últimos 20 dias em razão de medidas tomadas pelo próprio governo. Ele ressaltou que as questões financeiras tiveram que ser equacionadas novamente, depois da publicação da medida provisória 511 que garante o subsídio do governo para baixar os juros do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), caso a receita bruta nos dez primeiros anos de operação fique abaixo do estimado pelos estudos da ANTT.
Por outro lado, houve nas últimas semanas a confirmação do interesse de fundos de pensão e investimento, ligados a instituições públicas, em participarem do projeto. Abate afirmou que a atual fase de negociação dos grupos também envolve os fundos privados, a poucos dias do leilão.
A assessoria de imprensa da ANTT informou que, até este momento, não recebeu a carta. O documento também foi assinado pelos presidentes do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e do Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Sindimaq). (Rafael Bitencourt | Valor)
