Brasília, 08 de dezembro de 2009.



Camapum aponta que “hoje existem vários métodos para conter erosão e o insucesso da maioria deles se deve à ausência da Engenharia, no sentido em que os mesmos são adotados com características de receituário, e isso é negar a própria Engenharia”. Segundo ele, em princípio, a nova técnica pode ser utilizada em qualquer solo desde que existam as bactérias que geram a biomineralização. “Mas é importante que fique claro que o uso da técnica encontrada não prescinde de estudos e projetos de Engenharia, ou seja, não é receita”. Gonzales acrescenta, ainda, que este é um trabalho multidisciplinar, envolvendo profissionais da Biologia, Geologia, Medicina Veterinária, entre outros. A técnica também pode ter diversas aplicações: fundação, obra rodoviária, barragem, entre outras.
Os resultados benéficos da pesquisa estão ainda relacionados com a questão ambiental e com o baixo custo. Para Camapum, “os métodos atuais para prevenção, controle e recuperação de processos erosivos são frutos do desequilíbrio ambiental gerado pelo homem e marcam uma resposta da natureza”. Ambos afirmam que a nova técnica é considerada uma tecnologia limpa, possibilitando o reequilíbrio sem a geração de danos ambientais. “Como usamos bactérias nativas, há mais vantagens do que problemas. Estamos enriquecendo um solo pobre, aumentando sua resistência em até 20% e diminuindo sua deformação em até 50%”, comenta Gonzales.
Em relação ao custo, Yamile Gonzales informa que biomineralização pode reduzir em até 40% o custo em comparação às técnicas tradicionais de recuperação de áreas erosivas. Explicando sobre os métodos convencionais, que podem ser de dois tipos preventivos e de controle , Camapum explica que “os preventivos são infinitamente os de menor custo, mas infelizmente quase nunca utilizados, seja devido a falhas na educação ambiental da população, seja por deficiência na formação dos engenheiros, geólogos e arquitetos”.
Os métodos preventivos compreendem desde a definição dos planos de ocupação urbana e rural até a execução das obras de engenharia e devem focar a busca da manutenção do equilíbrio ambiental. Para os de controle, existem as técnicas mais comuns que consistem em eliminar ou reduzir o fluxo superficial de água, implantar barramentos nas ravinas e voçorocas e fazer o retaludamento das laterais da erosão. E, nos métodos de recuperação, existe a drenagem e o reaterro, por exemplo. Mesmo com a existência de todas essas técnicas, a tese de Yamile Gonzales é pioneira e representa um grande avanço no combate à erosão de forma sustentável. Assim, Camapum conclui que: “os resultados positivos obtidos com a pesquisa representam um grande avanço para a Engenharia e uma grande contribuição para o desenvolvimento técnico-científico do Brasil e do mundo”.
Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea
