Valor, 15 de fevereiro de 2011 | 16h33
SÃO PAULO - O aumento global dos preços dos alimentos jogou 44 milhões de pessoas em pobreza "extrema" nos países em desenvolvimento desde junho, estima o Banco Mundial (Bird).
A instituição disse que o índice de preços de alimentos saltou 15% entre outubro e janeiro, puxado pelo custo do trigo. O indicador está agora 3% abaixo do pico registrado em 2008, quando a escassez de comida gerou revoltas em mais de uma dúzia de países.
"Os preços dos alimentos estão subindo a níveis perigosos e ameaçam dezenas de milhões de pobres em todo o mundo", disse o presidente do Bird, Robert Zoellick, em um comunicado. "O rali de preços já está empurrando milhões de pessoas na pobreza e pressionando os mais vulneráveis, que gastam mais da metade da renda com alimentação."
O trigo e o milho ampliaram o ganho nesta semana na bolsa de Chicago, depois de ter avançado pelo menos 47% em 2010. Secas e enchentes destruíram plantações da Rússia à Argentina. O maior custo dos alimentos contribuiu para os protestos na Tunísia e no Egito, que expulsaram os presidentes Zine El Abidine Ben Ali e Hosni Mubarak.
Embora o preço da comida não seja a "causa principal" da agitação política na África e no Oriente Médio, ele é um "fator agravante", afirmou Zoellick em uma teleconferência. As conclusões do Bird mostram que "não há espaço para complacência", acrescentou.
Diferentemente de 2008, os preços do arroz tiveram avanço mais moderado e "boas colheitas em muitos países africanos" evitou que "ainda mais pessoas caíssem na pobreza", diz relatório do Banco.
As perspectivas para o arroz, o alimento básico para metade do mundo, "parecem estáveis", segundo o Bird. Embora os contratos futuros negociados em Chicago tenham subido cerca de 57% desde o final de junho, eles estão cerca de 39% abaixo do recorde de US$ 25,07 por 100 libras alcançado em abril de 2008.
O Banco define "pobreza extrema", como viver com menos de US$ 1,25 por dia. Durante a crise alimentar de 2008, o banco alertou que 100 milhões de pessoas poderiam mergulhar na pobreza.
"É importante assegurar que mais aumentos na pobreza sejam abreviados por medidas que acalmem os mercados nervosos e pela intensificação das redes de segurança e programas de nutrição", concluiu o Banco Mundial. (Bloomberg)
