Atingir metas de redução de carbono é inimaginável sem desenvolvimento tecnológico
Atingir metas de redução de carbono é inimaginável sem desenvolvimento tecnológico
Última atualização: 21/02/2011 às 15h22
Brasília, 21 de fevereiro de 2011.
"Ronaldo Seroa Motta"Desafios mundiais para a sustentabilidade. Esse foi o tema da segunda palestra proferida na manhã de hoje, no Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, Mútua e Entidades. O economista Ronaldo Seroa Motta, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) fez um resgate histórico de como surgiu e se desenvolveu o termo “sustentabilidade”, desde a primeira conferência sobre o ambiente humano das Nações Unidas, realizadas em Estocolmo, em 1972 até as últimas conferências sobre o Clima.
Segundo o Relatório Brundtland, Sustentabilidade é “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitat naturais”.
Relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostram que, para reverter o aquecimento global, é preciso reduzir em 80%, nos próximos 50 anos, a emissão de carbono no mundo. Para Motta, esse objetivo é “inimaginável sem desenvolvimento tecnológico”. Isso significa que é preciso modificar o “capital natural” da economia, hoje baseada numa economia de alto carbono. “De alguma maneira isso deverá ser inserido nas economias do mundo, que hoje relutam em investir em energia limpa”.
""Metas de redução de carbono requerem des. tecnológico""Segundo Motta, é preciso haver incentivo à cooperação entre os povos, por meio de um acordo global. “Hoje, no orçamento de carbono, cada país quer fazer o esforço menor. Falta cooperação. É o que as convenções sobre o clima têm tentado fazer, sem sucesso”. Ou seja, além de uma radical transformação na base produtiva e de consumo, a sustentabilidade exige regulação para estimular a eficiência ambiental e incentivar a cooperação.
Outros pontos importantes são também o uso de instrumentos de mercado que reduzam os custos de controle ambiental e incentivem o desenvolvimento tecnológico; o avanço no conhecimento ecológico (riscos e danos físicos e biológicos); e a inserção do risco e da incerteza climática em todo planejamento setorial.
O Encontro de Lideranças continua, na tarde de hoje, com as palestras “Combate à Corrupção no Brasil e no mundo”, às 14h15 e “Cenário Agroflorestal Nacional e Internacional (Ameaças e Oportunidades)”, às 17h.