Ausência de candidatos à presidência da República não prejudica discussões da 67ª Soeaa
Ausência de candidatos à presidência da República não prejudica discussões da 67ª Soeaa
Última atualização: 24/08/2010 às 18h24
Cuiabá, 24 de agosto de 2010.
Os participantes da 67ª Soeaa discutiram na manhã dessa terça-feira (24) projetos para o desenvolvimento sustentável brasileiro. A discussão se deu com apresentação de propostas que serão encaminhadas aos candidatos à presidência da República.
Cerca de 3 mil pessoas acompanharam o painel coordenado pelo presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, o coordenador do Colégio de Presidentes do Sistema Confea/Crea, Jonas Dantas, e o coordenador do Colégio de Entidades, Renê Bayma.
Durante o evento, os profissionais presentes demonstraram indignação com os três principais candidatos à Presidência da República. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PDSB) e Marina Silva (PV) que não compareceram ao debate, apesar de terem sido convidados há meses e, apesar da insistente procura da coordenação do Soeaa.
“Esse é um debate da maior importância para o país e a contribuição da nossa categoria é fundamental. Gostaríamos que os candidatos estivessem presentes porque poderíamos aprofundar a discussão sobre o futuro do país que queremos”, afirmou Marcos Túlio.
O presidente do Colégio de Presidentes, Jonas Dantas, lamentou a ausência dos candidatos e foi aplaudido pelos presentes. A mesma postura adotou Renê Bayma.
Apesar das ausências, a discussão sobre o desenvolvimento sustentável brasileiro foi produtiva. Ao todo, 38 pessoas, entre engenheiros, arquitetos, geólogos, estudantes de vários estados apresentaram propostas para finalização do projeto que deverá ser encaminhado até novembro aos governadores e presidente eleitos em 3 de outubro.
Até o momento, as propostas consistem num amplo estudo dividido em vários temas. No caso do pré-sal, o mote é a soberania e financiamento da sustentabilidade. No transporte, a racionalização das matrizes para evitar a dependência excessiva do sistema rodoviário. Na questão do espaço urbano, o setor é dividido em três áreas: espaço urbano, que deve assegurar a função social da terra urbana, a mobilidade urbana, com priorização do transporte coletivo para garantir o direito pleno às cidades, e o saneamento básico, com vista à universalização do serviço de água, coleta de lixo, tratamento esgoto e resíduos sólidos no prazo de 20 anos.
No espaço rural, a sugestão é para o fortalecimento da reforma agrária e incentivo à pesquisa. Em relação ao meio ambiente, há sugestões para desenvolvimento com sustentabilidade, proteção aos recursos hídricos, entre outros. Na infraestrutura continental, é a integração da América do Sul, assim como incentivo à ciência, tecnologia e inovação, o que deve ser feito com independência e autonomia.
Durante o painel, os profissionais fizeram também propostas a serem defendidas pelo Sistema Confea/Crea. O engenheiro Nelson Guedes, conselheiro do Crea/RJ, defendeu que a seja proposto que os cargos comissionados nas áreas técnicas sejam ocupados através de concurso público para profissionais da área. O engenheiro Joel Mauro, do Crea/RJ, defendeu também a elaboração de um estudo para reduzir a burocracia para que propriedades rurais sejam beneficiadas com a proposta de remuneração para seqüestro de carbono. “Grande parte das propriedades do Amazonas, por exemplo, não estão regularizadas. Por isso, deveria ser mais fácil o atendimento dessas exigências”.