Brasil precisa investir em estudos estratégicos

Brasília, 20 de maio de 2009

 Lucia Melo, presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE)  organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia  apresentou, nesta quarta-feira (20), na reunião extraordinária do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), no plenário do Confea, em Brasília, a ideia de que o Brasil precisa investir em estudos estratégicos que subsidiem a produção de ciência, tecnologia e inovação em setores produtivos se quiser se desenvolver.

A engenheira criticou a atual referência adotada para medir a produção científica. “Número de artigos publicados em revistas indexadas não representa a totalidade do conhecimento. Produção acadêmica é apenas uma fatia da produção de conhecimento. O Brasil é o 13º maior produtor de artigos, mas isso não é tudo”, disse.

Lucia enfatizou que é preciso verificar a produção de conhecimento nas empresas inovadoras, pois são elas que concentram a maioria de profissionais. São nas empresas que os desafios da inovação se mostram mais claros. “O modo de produção muda com as pressões sobre o meio ambiente, o crescimento demográfico, a energia, a produção de alimentos e as migrações”, argumentou.

A especialista lembrou que, no momento do estudo estratégico, é necessário avaliar os competidores. E o Brasil precisa avaliar o crescimento dos países asiáticos, que investiram nas últimas duas décadas em ciência e tecnologia.

“Essa análise faz parte de um estudo maior, chamado de estudo prospectivo, estratégico, em que a melhor decisão é tomada. A União Européia realiza estudos prospectivos que levam em consideração as mudanças climáticas e a consciência social, isto é, o engajamento da população no projeto. São novos paradigmas”.

Os estudos, segundo Lucia, têm o objetivo de explorar os futuros incertos, conhecendo as incertezas, ambiguidades e descontinuidades. O fruto desse processo são políticas robustas e eficazes.

Um dos estudos citados, preparado para o setor aeronáutico, por exemplo, foi o do cenário comercial para a Europa nos próximos anos, em que a União Européia comprará aviões menos poluentes.

Thiago Tibúrcio
Assessoria de Comunicação do Confea