Brasil tem papel importante no combate às mudanças climáticas
Brasil tem papel importante no combate às mudanças climáticas
Última atualização: 10/02/2009 às 21h14
Brasília, 10 de fevereiro de 2009.
“Por mais que a humanidade se esforce, os efeitos das mudanças climáticas serão irreversíveis até 2030”. A afirmativa do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) norteou as apresentações de dois especialistas em meio ambiente no Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, nesta terça-feira, em Brasília. O diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Antônio Divino Moura, e o jornalista Washington Novaes (Estado de São Paulo), expuseram as principais causas das mudanças climáticas e alertaram para o fato de o Brasil precisar ser mais ousado nas suas metas de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.
"Antônio Divino Moura" Moura comentou que existem variabilidades naturais do clima e que o efeito estufa natural é benéfico ao planeta, pois, caso não existisse, a temperatura na Terra teria menos 15°C, o que poderia inviabilizar a vida no planeta. Entretanto, o maior problema, segundo o meteorologista, é que o efeito das atividades humanas (efeito antropogênico) no clima global está muito acima do tolerável e já é detectado com facilidade em muitos estudos.
Moura acredita que a emissão de gás carbônico em taxas muito elevadas é um problema causado, entre outros fatores, pelo aumento populacional e pelos padrões de consumo da população mundial, que demanda cada vez mais energia proveniente de combustíveis fósseis. Essa demanda por energia gera efeitos sobre o desmatamento, sobre a agricultura e a sobre a pecuária.
O problema da escassez de água também foi analisado pelo diretor do Inmet, que citou pesquisas do Centro Haddley, na Inglaterra, que mostram uma diminuição de chuvas na Amazônia e no nordeste brasileiro. Outros dados mostram que, até 2050, a África e a Europa serão os continentes que mais sofrerão com a escassez.
Para solucionar o problema do aquecimento do planeta, Moura afirmou ser necessária uma ação global, pois os gases atingem vários países. “É preciso haver acordos. É preciso encontrar energias alternativas. Os países precisam criar serviços climáticos”, afirmou.
"Washington Novaes" O jornalista Washington Novaes iniciou sua palestra mostrando que todas as ações humanas têm impacto sobre os meios físicos e sobre outros seres vivos que alimentam os humanos. Lembrou que o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, declarou que o maior problema do mundo na atualidade são as mudanças climáticas e não o terrorismo.
Por isso, ressaltou que as conclusões do quarto relatório do IPCC devem ser divulgadas a todos os povos. O documento afirma que, em qualquer hipótese, até 2050, a temperatura da Terra aumentará entre 0,8°C e 2°C.
Novaes também citou estudos do economista inglês Nicholas Stern, que afirma que, se as emissões de gases causadores do efeito estufa não baixarem em 80%, a humanidade enfrentará a pior recessão econômica na história.
Outros dados apresentados pelo jornalista mostram que 211 milhões de pessoas foram afetadas por secas e inundações em 2008 e, principalmente as últimas, foram responsáveis por cerca de 235 mil mortes. Ele salientou que o Brasil já é o 13º país em número de vítimas de desastres naturais, lembrando das recentes tragédias no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro, onde aproximadamente 200 pessoas perderam suas vidas.
Essas tragédias naturais, segundo o jornalista, servem de alerta ao Brasil, que já é o quarto maior emissor de gases no mundo, ficando atrás da Rússia, EUA e China. A emissão brasileira decorre, principalmente, de mudanças no uso do solo, do desmatamento e das queimadas. “O Brasil deve ser um dos países que mais deve fazer esforço no campo das mudanças climáticas. Já deveria ter sido criado aqui o Ministério do Clima para tratar essa questão”, afirmou.
Em escala global, Washington Novaes acredita que ainda não há instrumentos nem regras capazes de mitigar os problemas. Estatísticas apresentadas pelo jornalista mostram que o consumo de combustíveis fósseis cairá muito pouco até 2030 (o petróleo de 38% para 33%, por exemplo), e que o consumo de combustíveis renováveis crescerá pouco (de 8% para 9%).
“O Protocolo de Kyoto não foi cumprido. Os compromissos de redução de emissão são tímidos. O seqüestro de carbono para o fundo da terra e para o fundo do mar divide ambientalistas. As células em combustível ainda estão em desenvolvimento. O degelo do ártico abre disputas entre países por rotas marítimas e campos de petróleo que antes estavam sob o gelo”, concluiu.