Campeões Samuel Bortolin e Kaike Amorim falam sobre superação na Soea

 

Campeões Samuel Bortolin e Kaike Amorim falam sobre superação na Soea
Kaike Amorim e Samuel Bortolin: histórias que mudam histórias na Soea

 

Aracaju, 15 de outubro de 2026.

Dois campeões da vida apresentaram, com muita descontração, suas trajetórias, na abertura da programação do auditório principal da Soea, na manhã desta quinta-feira (1510), em Aracaju. Especialista em comportamento e alta performance, Samuel Bortolin nasceu com paralisia cerebral e se tornou a primeira pessoa no mundo, com seu grau de deficiência, a completar um triathlon e uma meia maratona. “Eu e o Kaike nos alinhamos em considerar que se a gente fizer o melhor, com recursos disponíveis, a gente é muito forte”, diz, em referência ao outro palestrante, o atleta paralímpico Kaike Amorim. “Histórias que mudam histórias” foi o nome da programação.

O irmão gêmeo, Felipe, veio a óbito com quatro dias de vida. Samuel considera que “a gente sempre tem controle da nossa reação, do que a gente vai fazer com que a vida nos deu. O que fez diferença na minha vida foi o ‘time’ de mudança. O inconformismo da minha mãe mudou o meu mundo”. Entre outros diagnósticos incorretos, sua expectativa de vida era de 30 anos para sua deficiência cerebral. 
 

O tratamento no Sarah Kubitschek de Brasília era compartilhado com a dedicação materna. “Minha mãe fazia sessões de fisioterapia duas vezes por dia. Com cinco anos, comecei a falar. Meu pai construiu um andador, comecei a andar, aos sete anos. Degrau por degrau, minha mãe chegou a oito médicos, até o doutor Paulo chegar à conclusão que precisava ser feito um trabalho de motivação por toda a família, durante a reabilitação da cirurgia”.
 

Campeões Samuel Bortolin e Kaike Amorim falam sobre superação na Soea
Com bom-humor, Samuel Bortolin apresentou a superação de uma paralisia cerebral congênita


Com um vídeo de 7 de março de 1996, Samuel, hoje com 38 anos, mostrou quando começou a andar sem o andador. “Agradeço todos os dias eu poder andar. Além de agradecer com palavras, temos que agradecer com ações e comportamentos”. Na adolescência, ainda fazendo 200 sessões de fisioterapia por ano, teve frustrações por preconceito, entrou em depressão por seis meses, até “construir” sua “confiança”, sempre com o apoio da mãe, Ariane Bortolin. “Sempre criei ele para acreditar que tudo é possível”, comentou, em outro vídeo que conta também com o depoimento do pai, José Alípio, que também fala da sua dedicação.

“A excelência exige disciplina, repetição”.  Após 10 anos de treinamento diário, chegou a andar 30 metros, com auxílio. Dez anos depois, Samuel fazia sua primeira maratona em menos de três horas. “Precisei de pessoas a todo momento, que tinham conhecimento técnico da minha mecânica. Sozinho a gente não consegue nada”. E agradeceu a presença dos tios, presentes ao evento. “Poder encontrá-los aqui é uma satisfação imensa”.

Depois da meia-maratona, veio o triathlon, cuja preparação é registrada no vídeo. Carolina, a esposa, diz que tem um aprendizado diário com ele, não só para o atletismo, para a vida”. Samuel é graduado em Direito e Educação Física e autor do livro “Sem desculpas”. 


Simplicidade e superação
“Simplicidade é o combustível para os nossos resultados. Determinação”. No seu caso, Kaike já buscava a quinta participação em um mundial de jiu-jitsu, em Abu-Dhabi. No calor de Cuiabá, por 38 dias, ele pediu ajuda para ir ao campeonato. “Quando lutamos, por todas as forças, dá certo”. Ele se tornou campeão mundial, em 2019. 

 

Campeões Samuel Bortolin e Kaike Amorim falam sobre superação na Soea
Também paratleta e também fera na superação, Kaike Amorim descreveu sua vida nos últimos três anos, após uma paralisia decorrente de um acidente de trânsito



“Só que a vida é feita de altos e baixos”.  Lutou entre a vida e a morte, enquanto sua primeira filha nascia. Exatamente, no mesmo dia. Uma conversão em lugar proibido, a 20 km por hora, no ano de 2023. “O acidente não estava no meu controle, mas a minha reação, sim. Entre a vida e a morte, a batalha é outra". Considerando hoje o título mundial uma vaidade, ele passou a recomeçar. Após perdoar a pessoa que causou o acidente, Kaike se classificou para o campeonato mundial do ano seguinte. Novamente em Abu-Dhabi. 

Hoje, tendo que subir os dois lances de escada de acesso à casa sem qualquer auxílio e sem o movimento das pernas, ele considera que aprendeu a “insistir, persistir para que os nossos sonhos se tornem”. Cinco anos depois do primeiro título, em 2024, foi vice-campeão mundial de para jiu-jitsu. 

Graduando em Educação Física e formado em Marketing, Kaike é paratleta da seleção brasileira de jiu-jitsu e diretor de comunicação da AMTJJP. Além de palestrante motivacional.

Os dois campeões foram aplaudidos de pé pelo público que lotou o auditório.

Reportagem: Henrique Nunes
Edição: Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
Fotos: Sto. Rei e Dbrothers/Confea
Gestão de imagens: Paula Moreira