Colégio de Presidentes inicia discutindo o semiárido brasileiro
Colégio de Presidentes inicia discutindo o semiárido brasileiro
Última atualização: 13/09/2010 às 13h38
Fortaleza, 13 de setembro de 2010.
Na primeira palestra de abertura da 4a reunião do Colégio de Presidentes, que acontece até quarta-feira (15), em Fortaleza-CE, o engenheiro agrônomo Alberício de Andrade, diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), falou sobre o semiárido brasileiro. Segundo ele, uma região ainda desconhecida dos brasileiros. “Todas as questões abordadas sobre o semiárido sempre são com um viés assistencial, e não como uma região detentora de um grande potencial econômico”, salientou.
De acordo com o palestrante, 55% das terras do mundo são semiáridas. Juntas produzem 22% da produção mundial de alimentos e onde vivem 42% da população do planeta. “No Brasil são 1.133 municípios e algo em torno de 23 milhões de pessoas vivendo em regiões que já estão com 57% da sua área degradada e com somente 2% de área irrigável”, expôs Alberício.
“Ainda estamos devendo uma forma de olhar diferente o semiárido. Ainda não aprendemos a ver as potencialidades dessa região brasileira. Temos que descobrir todas as vocações do semiárido. É um ecossistema complexo que precisa ser entendido. Não podemos reproduzir as soluções de outras regiões. Temos que desenvolver trabalhos inovadores. Precisamos nos afastar do discurso de que a única solução dessa região é a água”, defendeu Alberício de Andrade, afirmando que “não há vinculação nenhuma entre clima e miséria e que a raiz do problema é o desequilíbrio social. E isso é o resultado de vontade política”.
Sobre o semiárido brasileiro, o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, frisou a iniciativa dos presidentes do Creas do Nordeste, do Crea-PE e do Clube de Engenharia de Pernambuco. “Vejo com muito bons olhos a realização de reuniões para discutir o nível de importância do interior para o país, como a feita até este sábado (11) no semiárido brasileiro, nas cidades de Araripina e Salgueiro no sertão de Pernambuco. Na primeira, na Rodada do Araripe para discutir os desafios da região e seu enorme potencial, como a exploração de gipsita. 95% da produção do país estão naquela região. Na última, para discutir a Transposição do Rio São Francisco, o Pacto Federativo e a Transnordestina”.
"Alberício de Andrade"O presidente do Crea-BA e coordenador do Colégio de Presidentes, Jonas Dantas, frisou que todos precisam ter claro que o objetivo dessas discussões deve prever um novo cenário, com um Brasil alcançando um papel diferenciado, saindo do papel secundarizado.
O palestrante frisou que a desertificação das regiões semiáridas já é grave e muito acentuada no Brasil. “Precisamos ter manejos adequados para a preservação do ecossistema. Também falta-nos um modelo de gestão hídrical para que possamos fazer uma previsão de futuro. É possível encontrar alternativas dentro das regiões”.
Sobre ações de futuro e projetos estruturantes, Alberício informou que o INSA pretende criar o Fórum do Semiárido Brasileiro (com um papel político) e o Observatório do Semiárido Brasileiro (com um papel científico).
Ondine Bezerra Assessoria de Comunicação do Confea