Brasília, 10 de março de 2011.
O presidente do Conselho Mundial de Engenheiros Civis (WCCE), Emilio Colón, esteve em Brasília (DF), para participar do 6º Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, de 21 a 25 de fevereiro. No Painel destinado à discussão do tema “Combate à corrupção no Brasil e no Mundo”, Colón falou sobre os pilares que devem reger o movimento anticorrupção no mundo: valores, Estado de Direito, ética e profissionalismo. Em entrevista ao Confea, abordou os desafios que o Brasil terá de enfrentar para a realização da Copa Mundial de 2014 de forma transparente.
Como a WCCE insere-se no contexto da luta contra a corrupção?
O Conselho Mundial de Engenheiros Civis tomou como um de seus temas a luta contra a corrupção porque nós promovemos a Engenharia Civil, com profissionalismo e ética dos nossos profissionais. É preciso ver o tema da corrupção dentro do contexto de valores da ética, do Estado de Direito e do profissionalismo. Por isso, é muito importante que se projete ações éticas e que sejamos guardiões contra a corrupção. Assim, o que estamos fazendo, como organização, é promover a entrada de nossos países-membros na luta contra a corrupção. É o que tem feito o Confea, que levantou essa bandeira há dois anos, quando estabeleceu um manifesto contra a corrupção.
Há alguma vantagem de somente os engenheiros fazerem parte dessa luta contra a corrupção?
Não. Os engenheiros são - podemos dizer, campeões do tema - os profissionais que queremos aglutinar em torno do tema. Estamos buscando, em especial, a luta contra a corrupção no setor da indústria da construção. É preciso ver esse tema de forma interdisciplinar, por exemplo, em nosso esforço de atingir não só os engenheiros, mas também os arquitetos, de incluir todos os níveis de governo, seja o federal, o estadual ou o local. Temos também uma campanha contra a corrupção em relação às subcontratadas, aos fornecedores e também incluímos os setores financeiro e bancário, que dão dinheiro para obras, além de outros profissionais, como advogados, contadores, que têm a ver com a luta contra a corrupção e, por último, até mesmo a imprensa.
O campo da infraestrutura é o maior foco de corrupção?
Normalmente é só o que se vê dizer. Que a construção é onde há mais corrupção, em parte devido à existência de grandes projetos. Acredito que essa visão esteja mudando, porque depois do colapso da economia mundial, principalmente por culpa de atos de corrupção de bancos e instituições financeiras, a magnitude que se pode atribuir à corrupção na construção civil é muito menor da que acontece nas instituições financeiras. A questão é que temos de trabalhar em nossa área e a nossa área é principalmente a parte da construção e é por aí que temos de combater. Quanto aos bancos e ao setor financeiro, vamos atraí-los, na luta contra a corrupção, naquilo que têm a ver com a construção civil.
O senhor acredita que a realização da Copa de 2014 e dos jogos olímpicos no Brasil será uma oportunidade para a corrupção?
A oportunidade sempre existe. A questão é a falta de um Estado de Direito adequado. Esse Estado requer leis claras que possam ser reforçadas e, sobretudo as leis de contratação com o poder público são deficientes, abrem-se as portas para a corrupção. Sem embargo, se são mais restritas, há muito menos espaço para a corrupção. O que tenho visto é que muitas das pessoas que trabalham com contratos em agências do governo não têm capacitação formal em contratação. Nos Estados Unidos deve haver um agente contratante que supervisiona os contratos. Ele tem licença para fazer isso e precisa fazer uma série de procedimentos e uma série de controles para assegurar que se evite ou se minimize a corrupção. Eu digo evitar e minimizar porque não é possível eliminar por completo. Há muitas pessoas em torno e sempre pode haver uma “maçã podre”, que é a que cederá à corrupção.
Há tempo para que o Brasil faça uma Copa sem corrupção?
É possível. É preciso ver se os meios de contratação disponíveis, com fundos públicos, são adequados ou não. Tenho entendido, como mencionou o ministro da ciência e tecnologia, que se vai reformular a lei de contratação do governo. Esse processo já começou, mas é preciso ver se todo o elemento de controle está inserido. Se não está, é preciso contemplá-lo e colocar os maiores controles possíveis e ser muito firme no processo para que aquele que pratique atos de corrupção pague caro pelos seus atos.
Veja aqui a apresentação (.pdf) feita por Emilio Colón no evento.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
Colaboração: Mônica Lannes
Da Assessoria Internacional do Confea
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